Anuário Mineral Brasileiro 2025 revela que substâncias metálicas e grafita responderam por 82% do valor da produção mineral em 2024, com forte impacto na balança comercial, na arrecadação e na agenda de minerais críticos para a economia de baixo carbono
A mineração brasileira voltou a demonstrar sua centralidade econômica e estratégica em 2024. A produção de substâncias metálicas, somada à grafita, alcançou R$ 220,5 bilhões, mantendo o país entre os principais exportadores globais do setor e reforçando o papel do Brasil no fornecimento de insumos essenciais para a transição energética. Os dados constam do Anuário Mineral Brasileiro 2025 (ano base 2024), publicado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), que reúne as principais estatísticas oficiais do segmento.
O levantamento abrange 14 substâncias metálicas, além da grafita, que, juntas, responderam por cerca de 82% do valor total da produção mineral do país. Desde o ano-base 2022, o anuário passou a incorporar também substâncias consideradas estratégicas para a transição energética, mesmo fora da classe dos metálicos, refletindo a crescente demanda global por minerais críticos associados a tecnologias de baixo carbono, como baterias, energias renováveis e eletrificação da mobilidade.
Nesse contexto, o diretor-geral da ANM, Mauro Sousa, destaca o papel do anuário como instrumento de qualificação do debate público sobre a mineração no Brasil. “A mineração brasileira precisa ser compreendida a partir de dados, e não de percepções. O Anuário é um instrumento público a serviço desse debate”, ressalta.
Ferro lidera, mas minerais críticos ganham protagonismo
O minério de ferro permaneceu como o principal destaque da produção nacional, com valor agregado de R$ 159 bilhões em 2024, o equivalente a cerca de 71% do valor total das substâncias analisadas. A produção segue fortemente concentrada nos estados do Pará e de Minas Gerais, que juntos responderam por mais de 83% do valor da produção mineral do país.
Além do ferro, o anuário traz dados consolidados sobre minerais como grafita, alumínio, cobre, cromo, lítio, manganês, níquel e zinco, classificados como essenciais para a transição energética global, segundo critérios alinhados ao Global Critical Minerals Outlook 2024, da Agência Internacional de Energia (IEA). Esses insumos são fundamentais para cadeias industriais ligadas a painéis solares, turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e infraestrutura de redes elétricas.
Para a Superintendência de Economia Mineral da ANM, o valor do anuário vai além da simples consolidação estatística. A superintendente Inara Oliveira Barbosa observa que a publicação oferece uma base estratégica para decisões públicas e privadas.
“O Anuário Mineral Brasileiro traduz dados brutos em informação estratégica. Ele permite compreender não apenas o desempenho econômico da mineração, mas também seu papel estrutural no desenvolvimento regional, na transição energética e na inserção internacional do Brasil”, afirmou.
Exportações reforçam peso da mineração na balança comercial
O impacto da produção mineral no comércio exterior brasileiro permaneceu expressivo em 2024. O saldo comercial do segmento alcançou US$ 42 bilhões, resultado de exportações de US$ 59,9 bilhões e importações de US$ 17,9 bilhões. A China se manteve como principal destino das exportações brasileiras de substâncias metálicas e também como maior fornecedora desses produtos ao país, evidenciando a centralidade da relação sino-brasileira na dinâmica do mercado mineral global.
Entre os produtos mais relevantes da pauta exportadora estão minério de ferro, alumínio, cobre, ouro, níquel e nióbio, que figuram tanto na indústria extrativa quanto na indústria de transformação mineral. A predominância de materiais em bruto ainda é uma característica do perfil exportador, mas o avanço de cadeias de valor ligadas à transição energética tende a ampliar a demanda por produtos com maior grau de beneficiamento.
Parque produtor e arrecadação com CFEM
No território nacional, mais de 270 minas estiveram em operação em 2024 nas substâncias analisadas, sendo 109 dedicadas ao minério de ferro. O parque produtor é composto majoritariamente por minas de grande e médio porte, com destaque para projetos localizados no Pará, Minas Gerais, Goiás e Bahia.
A atividade mineral também gerou retorno relevante ao Estado por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A arrecadação com a produção das 14 substâncias metálicas mais a grafita somou R$ 7 bilhões em 2024, recursos que são distribuídos entre União, estados e municípios produtores e impactados pela atividade.
Além disso, para viabilizar o fluxo do setor, a ANM outorgou cerca de 4.800 autorizações de pesquisa, 56 concessões de lavra e 141 permissões de lavra garimpeira ao longo do período, sinalizando a continuidade da dinâmica de investimentos e expansão da base mineral brasileira.
Mineração e transição energética: oportunidade estratégica
O Anuário Mineral Brasileiro 2025 reforça que a mineração ocupa posição central na estratégia brasileira de inserção na economia de baixo carbono. A disponibilidade de minerais críticos coloca o país em situação privilegiada para participar das novas cadeias globais de valor associadas à transição energética, desde que consiga avançar em agregação de valor, sustentabilidade ambiental, segurança jurídica e integração com a política industrial.
Em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas por minerais estratégicos, o Brasil se consolida não apenas como grande exportador tradicional, mas como potencial protagonista na oferta de insumos essenciais para a transformação do sistema energético mundial.



