Duas plantas fotovoltaicas no Aeroporto e no Parque Tecnológico vão gerar mais de 5 GWh por mês e integram estratégia de resiliência energética do município
A cidade de Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, deu um passo estratégico para enfrentar a crescente pressão sobre o fornecimento de energia elétrica e, ao mesmo tempo, reduzir despesas com recursos públicos. A Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar) anunciou a entrada em operação de duas usinas solares fotovoltaicas, que passam a integrar a política municipal de transição energética e segurança do abastecimento.
As unidades serão instaladas no Aeroporto de Maricá e no Parque Tecnológico, cada uma com 7.920 painéis solares distribuídos em uma área de aproximadamente 40 mil metros quadrados, o equivalente a cinco campos de futebol. Juntas, as plantas devem gerar cerca de 5,35 GWh por mês, volume suficiente para atender uma parcela relevante da demanda de equipamentos e serviços públicos do município.
O projeto faz parte do programa Usinas Fotovoltaicas, iniciativa estruturante da Codemar que busca ampliar a participação de fontes renováveis na matriz local e reduzir a dependência de energia proveniente do sistema convencional, operado pela concessionária Enel.
Governança energética e planejamento estratégico
Como parte da estratégia, a Codemar instalou um Núcleo Estratégico de Governança Energética, ligado à Diretoria de Mercado e Parcerias. O grupo é coordenado pelo engenheiro Davi Gabriel Cohen e tem como missão mapear gargalos, propor soluções técnicas e orientar decisões de investimento para o setor energético municipal.
A criação do núcleo ocorre em um contexto de forte expansão da demanda. Segundo dados levantados pela própria Codemar, Maricá registrou crescimento populacional expressivo nos últimos cinco anos, enquanto o consumo de energia elétrica aumentou mais de 150% no mesmo período, pressionando a infraestrutura existente.
Para Davi Cohen, a implantação das usinas fotovoltaicas é uma resposta direta a esse novo cenário de consumo. “Diante desse cenário, estamos viabilizando a implantação de usinas fotovoltaicas de grande capacidade com o objetivo de, no curto prazo, tornar Maricá uma cidade energeticamente resiliente, garantindo o fornecimento aos principais serviços públicos e, no médio prazo, alcançar a independência energética de forma sustentável”, destacou.
Pressão sobre a concessionária e qualidade do serviço
Além da geração própria, a iniciativa também reforça o posicionamento político do município frente à concessionária de distribuição. O presidente da Codemar, Celso Pansera, afirmou que a prefeitura pretende intensificar a cobrança por melhorias no fornecimento.
“Vamos pressionar a Enel para que cumpra sua responsabilidade e ofereça energia com qualidade e em quantidade adequada”, concluiu Pansera.
A declaração reflete um movimento que se repete em diversos municípios brasileiros, especialmente aqueles que enfrentam crescimento acelerado da demanda sem a correspondente ampliação da infraestrutura de distribuição, o que resulta em sobrecargas, quedas de tensão e interrupções frequentes.
Retorno econômico e sustentabilidade de longo prazo
Do ponto de vista econômico, a Codemar avalia que o investimento nas usinas solares começará a gerar retorno financeiro a partir do oitavo ano de operação. A expectativa se baseia na redução progressiva dos gastos com compra de energia elétrica no mercado regulado, especialmente para o atendimento de prédios públicos, escolas, unidades de saúde e equipamentos urbanos.
A vida útil estimada dos sistemas fotovoltaicos ultrapassa 25 anos, o que amplia significativamente o horizonte de benefícios financeiros e ambientais do projeto. Ao longo desse período, a geração própria tende a funcionar como um mecanismo de proteção contra a volatilidade tarifária e os reajustes anuais das distribuidoras.
Transição energética no nível municipal
A iniciativa de Maricá se insere em um movimento mais amplo de descentralização da geração e fortalecimento da transição energética no Brasil. Embora a maior parte dos investimentos em energia solar esteja concentrada na iniciativa privada, sobretudo na geração distribuída, projetos liderados por entes públicos começam a ganhar relevância como instrumentos de política energética local.
Além da economia direta de recursos, a geração solar municipal contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa, alinha-se às metas climáticas e fortalece a resiliência energética em um cenário de maior eletrificação de serviços urbanos.



