Primeira operação comercial dos ativos da hidrelétrica marca novo patamar de governança e rastreabilidade ambiental no setor elétrico, com mecanismo concorrencial previsto para fevereiro de 2026
A Itaipu Binacional e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) deram nesta terça-feira (3) um passo inédito para o mercado brasileiro de energia ao anunciarem a primeira chamada pública para a venda de Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-RECs) da usina. A iniciativa representa a estreia comercial dos ativos da maior geradora de energia limpa da América Latina no segmento de certificação, consolidando um novo instrumento de valorização ambiental da geração hidrelétrica no país.
Os certificados, referentes à energia produzida por Itaipu em 2025, serão rastreados por meio da Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável, desenvolvida pela CCEE, e receberão o Selo CCEE Origem. O mecanismo assegura a integridade ambiental dos ativos, ao permitir o acompanhamento completo da energia desde a geração até o consumo final, em um ambiente auditável e com governança centralizada.
A operação une, de um lado, a credibilidade internacional de Itaipu, referência global em geração renovável, e, de outro, a infraestrutura institucional da CCEE, responsável por estruturar e operacionalizar o processo concorrencial de comercialização.
Governança e rastreabilidade como pilares do novo mercado
Lançada em outubro de 2024, a Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável foi concebida para conferir maior transparência e confiabilidade ao mercado de certificados no Brasil, utilizando a base de dados de medição da própria CCEE como elemento central de validação dos ativos.
À frente do Conselho de Administração da Câmara, Alexandre Ramos destaca que o modelo foi estruturado justamente para viabilizar operações de grande porte e com elevado grau de exigência regulatória. “A Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável foi desenhada justamente para viabilizar operações dessa magnitude. Ao operacionalizar este mecanismo concorrencial para Itaipu, a CCEE reafirma seu papel de garantidora da integridade dos certificados que vão impulsionar a descarbonização da economia brasileira de forma segura e auditável”, afirma o executivo.
Na prática, cada I-REC ofertado contará com dupla certificação: além do reconhecimento internacional do padrão I-REC, os ativos receberão o Selo CCEE Origem, que atesta a rastreabilidade integral e a conformidade ambiental da energia utilizada.
Itaipu entra oficialmente no mercado de certificação
Para a Itaipu Binacional, a operação representa a consolidação de uma nova frente estratégica no portfólio de soluções relacionadas à transição energética. A hidrelétrica estreou no mercado de I-RECs em 2025, após o lançamento oficial de seus certificados durante a COP30, em Belém, e agora avança para a primeira comercialização estruturada dos ativos.
No comando da diretoria financeira executiva da empresa, André Pepitone avalia que o movimento posiciona Itaipu de forma ainda mais relevante no debate global sobre sustentabilidade. “O ingresso da Itaipu no mercado de certificação é um marco histórico para a empresa, e reafirma o compromisso da Binacional com a promoção de práticas sustentáveis e com a transição energética”, afirma.
Além do valor simbólico, os certificados carregam um diferencial adicional: as empresas compradoras também receberão o Selo I-REC ITAIPU, que demonstra apoio direto aos projetos socioambientais desenvolvidos pela usina, com impactos em conservação ambiental, proteção de recursos hídricos e desenvolvimento das comunidades do entorno.
Mecanismo concorrencial e agenda do processo
O processo de venda dos I-RECs será realizado por meio de um mecanismo concorrencial totalmente on-line, entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 2026. Antes disso, as instituições promoverão uma live explicativa no dia 5 de fevereiro, às 10h, com orientações técnicas sobre habilitação, regras do edital e uso da plataforma de comercialização.
O edital completo e os formulários de participação estão disponíveis no Portal da CCEE, e a agenda do processo inclui etapas de esclarecimento de dúvidas, workshop técnico, publicação da versão final do documento e divulgação dos resultados preliminares no início de março.
O formato digital do certame reflete a própria lógica do mercado de certificados: operações padronizadas, com alta rastreabilidade, acesso remoto e integração direta com bases de dados de medição e registro.
Expansão do mercado de I-RECs no Brasil
A entrada de Itaipu no mercado de certificação ocorre em um momento de forte crescimento da demanda por instrumentos de comprovação de uso de energia renovável no país, impulsionada por metas corporativas de descarbonização, compromissos ESG e exigências de cadeias globais de suprimento.
Segundo estimativas do setor, a emissão de certificados lastreados na geração da hidrelétrica deve contribuir para a expansão significativa do mercado brasileiro de I-RECs, que tende a saltar de cerca de 73 milhões de ativos comercializados em 2025 para aproximadamente 90 milhões em 2026.
Nesse contexto, a iniciativa conjunta entre CCEE e Itaipu não apenas amplia a oferta de certificados, como estabelece um novo padrão de governança, com potencial de atrair investidores, fortalecer a credibilidade dos ativos ambientais nacionais e consolidar o Brasil como protagonista no mercado global de energia limpa certificada.



