Cemig reforça plano de contingência para garantir fornecimento de energia durante tempestades em Minas Gerais

Distribuidora amplia equipes, integra dados meteorológicos e pode mobilizar mais de 8,5 mil profissionais em eventos climáticos extremos

Em um cenário de intensificação dos eventos climáticos e aumento da frequência de tempestades severas, a Cemig colocou em operação um plano de contingência robusto para garantir a continuidade e a confiabilidade do fornecimento de energia elétrica em Minas Gerais durante o período chuvoso. A estratégia envolve reforço de equipes técnicas, ampliação da capacidade dos centros de controle e uso intensivo de tecnologia para resposta rápida a falhas no sistema de distribuição.

O plano é coordenado a partir dos Centros de Operação da Distribuição (COD) e de Serviços Integrados (CSI), considerados o núcleo estratégico da operação elétrica da companhia. Esses centros são responsáveis por monitorar, em tempo real, o comportamento da maior rede de distribuição da América do Sul, que soma quase 600 subestações, 19,2 mil quilômetros de linhas de alta tensão e aproximadamente 550 mil quilômetros de redes de distribuição, atendendo áreas urbanas, rurais e regiões remotas em todo o território mineiro.

A dimensão da infraestrutura é expressiva: o conjunto de redes da Cemig equivale a cerca de 14 voltas completas ao redor do planeta, o que impõe desafios operacionais significativos, especialmente em períodos de instabilidade climática.

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Centros de operação funcionam como “cérebro” do sistema elétrico

Em dias considerados típicos, os centros COD e CSI operam com cerca de 130 profissionais, entre engenheiros, técnicos e operadores especializados. No entanto, durante o verão, quando há maior incidência de tempestades, descargas atmosféricas e ventos fortes, esse contingente pode ser ampliado para quase 170 profissionais dedicados exclusivamente ao controle da rede.

Em situações classificadas como críticas, como tempestades severas, rajadas de vento próximas a 100 km/h ou eventos climáticos extremos, a força de trabalho interna pode crescer até 83%, alcançando aproximadamente 250 profissionais atuando simultaneamente dentro dos centros de controle.

Os centros operam 24 horas por dia, sete dias por semana, integrando informações provenientes de sistemas automatizados espalhados por todo o estado, imagens de satélite, dados de previsão meteorológica, sensores instalados na rede e registros das equipes de campo. Qualquer oscilação de tensão, abertura automática de religadores, falha em equipamentos ou interrupção de fornecimento é detectada de forma imediata.

Retaguarda operacional pode mobilizar mais de 8,5 mil profissionais

Além da estrutura centralizada nos centros de operação, a Cemig conta com uma ampla retaguarda descentralizada. Ao todo, são 606 bases operacionais distribuídas em toda a área de concessão, permitindo atuação rápida em diferentes regiões do estado.

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Em condições normais, a distribuidora mantém cerca de 2.850 profissionais em campo e na retaguarda operacional. Durante o período chuvoso, esse número sobe para mais de 3.300 colaboradores. Já em cenários extremos, como tempestades de grande impacto ou ondas de calor que provocam sobrecarga na rede, a companhia pode mobilizar mais de 8.500 profissionais, um crescimento superior a 290% em relação ao quadro padrão.

O sucesso da recomposição do sistema em situações críticas reside na capilaridade e no tempo de resposta das equipes de campo. Guilherme Gonçalves Maia, engenheiro do Centro de Serviços Integrados da Cemig, destaca que a estratégia de prontidão é o que sustenta a continuidade do serviço

“Esse reforço garante que equipes estejam distribuídas estrategicamente em todo o estado, prontas para executar manutenções emergenciais, recompor rede danificada, operar equipamentos automatizados e restabelecer o fornecimento com rapidez e segurança”, explica.

Verão concentra maior risco para o sistema elétrico

O período chuvoso é considerado o momento de maior estresse para a operação do sistema elétrico em Minas Gerais. Tempestades intensas elevam o risco de quedas de árvores, rompimento de cabos, danos a equipamentos e desligamentos automáticos por proteção da rede.

Diante desse cenário, os centros COD e CSI reúnem equipes multidisciplinares, incluindo especialistas em meteorologia aplicada, engenharia de operação, proteção de sistemas, automação, operadores de rede e profissionais de atendimento. Todos trabalham de forma integrada para antecipar riscos e acelerar a resposta às ocorrências.

Com apoio de modelos meteorológicos, mapas de risco, histórico de falhas e sistemas de inteligência operacional, a Cemig consegue prever regiões mais suscetíveis a impactos, realocar equipes antes da chegada das tempestades e priorizar o atendimento em áreas críticas, como hospitais, sistemas de saneamento, unidades de saúde, serviços essenciais e regiões com alta densidade populacional.

Tecnologia e planejamento como pilares da confiabilidade

A combinação entre infraestrutura digital, monitoramento em tempo real e planejamento operacional tem sido central para manter a confiabilidade do sistema elétrico mesmo sob condições adversas. A atuação preventiva reduz o tempo médio de interrupção e melhora os indicadores de continuidade do serviço, que são acompanhados de perto por consumidores, agentes reguladores e pelo próprio mercado de energia.

Ao avaliar os resultados do modelo adotado, Guilherme Gonçalves Maia destaca que a estratégia vai além da resposta emergencial “O resultado é um modelo de operação que combina tecnologia, experiência e resposta rápida, garantindo que a Cemig mantenha a confiabilidade do sistema mesmo diante dos eventos climáticos mais críticos do ano”.

Em um contexto de mudanças climáticas, crescimento da eletrificação da economia e maior dependência de serviços digitais, a resiliência da rede de distribuição torna-se um fator cada vez mais estratégico para a segurança energética regional e para a qualidade do serviço prestado aos consumidores.

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