Produção de 336 milhões de toneladas em 2025 recoloca a mineradora brasileira à frente da Rio Tinto e reforça estratégia focada em eficiência operacional e minerais críticos para a transição energética
A Vale voltou a ocupar o posto de maior produtora mundial de minério de ferro em 2025, consolidando uma retomada operacional que não se via desde antes da pandemia. Com produção anual de 336 milhões de toneladas (Mt), a mineradora brasileira superou a australiana Rio Tinto, que registrou 327,3 Mt no mesmo período, segundo relatório de produção divulgado nesta terça-feira (27).
O desempenho marca a melhor produção anual de minério de ferro da companhia desde 2018 e reforça o momento de estabilidade e eficiência operacional após anos de ajustes no portfólio de ativos, reconfiguração logística e foco em segurança. Além do minério de ferro, a Vale também alcançou resultados expressivos em cobre e níquel, minerais estratégicos para a transição energética global.
Minério de ferro: retomada da liderança e avanço operacional
O volume produzido em 2025 confirma uma trajetória de recuperação gradual da Vale, sustentada por ganhos operacionais em diferentes sistemas produtivos e pelo avanço de projetos estruturantes. No quarto trimestre, a produção atingiu 90,4 Mt, crescimento de 6% na comparação anual, impulsionada principalmente pelo bom desempenho de Brucutu e pelo ramp-up dos projetos Capanema e VGR1.
A empresa também se beneficiou de maior estabilidade operacional no Sistema Norte, com destaque para o complexo S11D, que alcançou produção recorde anual, além da otimização do mix de produtos, priorizando minérios de teor médio com maior aderência às condições de mercado.
A retomada da liderança global já vinha sendo sinalizada pela administração da companhia. Em outubro, durante evento em Salvador, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, havia indicado a possibilidade de retorno ao topo do ranking em 2025, ao mencionar a expectativa de alcançar uma capacidade de produção próxima a 360 Mt por ano.
Cobre ganha protagonismo na estratégia da companhia
Além do minério de ferro, o cobre teve papel central no desempenho operacional da Vale em 2025. A produção anual alcançou 382 mil toneladas (kt), o maior volume desde 2018, refletindo a crescente relevância do metal no portfólio da empresa, especialmente diante da expansão global de fontes renováveis, eletrificação e mobilidade elétrica.
O resultado foi sustentado pela produção recorde histórica em Salobo, no Pará, além da performance consistente da mina de Sossego e dos ativos polimetálicos no Canadá. No quarto trimestre, a produção trimestral de cobre atingiu 108,1 kt, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O avanço do cobre reforça a estratégia da Vale de ampliar sua exposição a minerais considerados críticos para a transição energética, em linha com a demanda crescente por infraestrutura elétrica, redes de transmissão e tecnologias de baixo carbono.
Níquel registra melhor resultado desde 2022
Outro destaque do relatório foi o desempenho do níquel, cuja produção totalizou 177 kt em 2025, o maior volume desde 2022. O avanço foi impulsionado pelo comissionamento bem-sucedido do segundo forno do projeto Onça Puma, no Pará, além do melhor desempenho das minas subterrâneas de Voisey’s Bay, no Canadá.
No quarto trimestre, a produção de níquel alcançou 46,2 kt, consolidando a recuperação operacional do ativo e reforçando a posição da Vale como um dos principais players globais no fornecimento do metal, essencial para baterias e cadeias industriais associadas à descarbonização.
Produção e mercado: equilíbrio entre volume, valor e transição energética
Os resultados operacionais de 2025 evidenciam uma inflexão relevante na trajetória da Vale, que combina retomada de volumes com maior disciplina operacional e foco em ativos de maior qualidade. Em um cenário de transição energética, a estratégia da companhia passa a integrar, de forma mais explícita, minério de ferro de maior eficiência ambiental e metais voltados à eletrificação e à economia de baixo carbono.
A reconquista da liderança global no minério de ferro ocorre em um momento em que o mercado acompanha de perto não apenas volumes produzidos, mas também aspectos como qualidade do produto, eficiência logística, emissões associadas e aderência a critérios ESG, fatores cada vez mais determinantes para investidores e consumidores industriais.



