Celesc aprova venda de participação na PCH Rondinha e avança em estratégia de reorganização de portfólio de geração

Alienação de 32,5% na Companhia Rondinha Energética para o FIP Pirineus reforça movimento de otimização de ativos e foco estratégico da estatal catarinense

As Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) deram mais um passo relevante em seu processo de reorganização do portfólio de ativos de geração. Em fato relevante divulgado ao mercado, a companhia informou que o Conselho de Administração aprovou, em 22 de janeiro de 2026, a alienação da participação acionária detida por sua subsidiária integral, a Celesc Geração S.A., na Companhia Rondinha Energética S.A., correspondente a 32,5% do capital social.

A operação envolve a venda da totalidade da participação da Celesc Geração para o Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura, FIP Pirineus, atual sócio majoritário da Rondinha Energética, que já detém 67,5% do capital da empresa. Com isso, o fundo passará a concentrar 100% do controle societário do ativo.

A decisão insere-se em um contexto mais amplo de revisão estratégica de investimentos por parte da Celesc, que vem buscando maior eficiência na alocação de capital, redução de participações minoritárias e foco em projetos alinhados às diretrizes corporativas de longo prazo.

- Advertisement -

Estrutura societária e características do ativo

A Companhia Rondinha Energética S.A. é uma sociedade anônima de capital fechado, constituída em março de 2009, cujo objeto social consiste na exploração das atividades de produção, geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica de produção própria.

O principal ativo da empresa é a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Rondinha, localizada no município de Passos Maia, no oeste de Santa Catarina. O empreendimento opera sob outorga concedida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), com prazo de vigência até 3 de outubro de 2045.

A usina possui capacidade instalada de 9,60 megawatts (MW) e garantia física de 5,48 MW médios, enquadrando-se no perfil típico de empreendimentos de geração distribuída hidrelétrica, com relevância regional e contratos voltados ao mercado regulado e livre, a depender da estratégia comercial adotada pelo controlador.

FIP Pirineus assume controle integral

A proposta de aquisição da fatia da Celesc partiu do próprio FIP Pirineus, sócio da estatal catarinense na Rondinha Energética. O fundo já detinha 67,5% da companhia e, com a operação, consolida o controle integral do empreendimento.

- Advertisement -

Embora a Celesc não tenha divulgado os valores financeiros envolvidos na transação, o movimento segue uma tendência observada no setor elétrico brasileiro, em que empresas de capital aberto têm promovido desinvestimentos seletivos em ativos não estratégicos, especialmente participações minoritárias em sociedades de propósito específico (SPEs).

Essas operações costumam ter como objetivo liberar capital para novos projetos, reduzir complexidade societária e reforçar a disciplina financeira, em um ambiente marcado por mudanças regulatórias, pressão por eficiência e ampliação das oportunidades no mercado livre de energia.

Contexto estratégico da Celesc no segmento de geração

A Celesc é tradicionalmente reconhecida por sua forte atuação na distribuição de energia em Santa Catarina, mas também mantém um portfólio relevante no segmento de geração, composto por usinas hidrelétricas, PCHs e ativos de menor porte.

Nos últimos anos, a companhia vem promovendo ajustes em sua estrutura de investimentos, buscando maior aderência às práticas de governança corporativa e às exigências de retorno sobre capital. Listada no Nível 2 de Governança Corporativa da B3, a empresa tem ampliado a transparência de suas decisões estratégicas e reforçado a racionalidade econômica de seu portfólio.

A alienação da participação na Rondinha Energética pode ser interpretada como parte desse processo de otimização, em que ativos considerados menos estratégicos ou com menor sinergia operacional são gradualmente desmobilizados.

Próximos passos e condicionantes regulatórios

Segundo comunicado ao mercado, a concretização do negócio ainda depende do cumprimento de formalidades legais, o que inclui eventuais aprovações regulatórias e societárias, além das condições previstas nos contratos entre as partes.

Em operações dessa natureza, é comum a necessidade de anuência da ANEEL, especialmente quando há mudança no controle de ativos de geração, bem como ajustes contratuais relacionados à outorga e às obrigações regulatórias da usina.

Com a conclusão da transação, a Celesc Geração deixa definitivamente a sociedade, enquanto o FIP Pirineus passa a deter o controle integral da PCH Rondinha, podendo, a partir disso, redefinir estratégias de operação, comercialização e eventual expansão do ativo.

Destaques da Semana

Eficiência e Consolidação: O Novo Horizonte do Financiamento de Renováveis na América Latina

Em entrevista exclusiva, José Prado, sócio do Machado Meyer,...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

Artigos

Últimas Notícias