Itaipu injeta R$ 1,38 bilhão em royalties e responde por 35% da compensação hidrelétrica nacional

Com repasse 5,7 vezes superior à média do setor por MWh, binacional beneficiou 347 municípios e seis estados em 2025; Paraná concentrou 85% da cota regional

A Itaipu Binacional consolidou, em 2025, sua posição como o principal motor de compensação financeira do setor elétrico brasileiro. Ao longo do último ano, a usina repassou R$ 1,381 bilhão em royalties ao Brasil, irrigando os orçamentos de 347 municípios, seis estados e da União. Os dados, consolidados pela Diretoria Financeira Executiva da binacional, reafirmam o papel da hidrelétrica como um ativo de desenvolvimento regional que extrapola a segurança do suprimento elétrico.

O volume financeiro é um reflexo direto do Tratado de Itaipu, de 1973, que estabelece o pagamento pelo uso do potencial hidráulico do Rio Paraná. Desde o início dos repasses, em 1985, a usina já destinou mais de US$ 14,6 bilhões aos dois países sócios (Brasil e Paraguai), tornando-se uma fonte de receita estrutural para prefeituras brasileiras.

O impacto social da geração hidrelétrica

Para além da estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), os royalties funcionam como uma política de redistribuição de renda nos territórios impactados pelo empreendimento. O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, enxerga os repasses como um pilar de sustentabilidade para as gestões locais.

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“Os royalties são uma das principais formas de retorno direto da Itaipu à sociedade brasileira. Esses recursos contribuem de maneira decisiva para fortalecer políticas públicas, reduzir desigualdades regionais e promover o desenvolvimento sustentável nos territórios impactados pela usina”, afirmou o diretor-geral.

Eficiência e peso setorial: O “fator Pepitone”

Um dado que chama a atenção dos analistas do setor é a intensidade do desembolso da binacional em comparação com outras hidrelétricas do país. Enquanto o setor elétrico nacional possui uma média de repasse moderada, a governança de Itaipu mantém um patamar significativamente superior.

O diretor financeiro executivo de Itaipu, André Pepitone, detalhou a disparidade positiva entre a usina e a média do mercado, ressaltando o peso estratégico da companhia no financiamento do Estado.

“Os royalties que a Itaipu repassa respondem por 35% de todos os repasses feitos a título de compensação financeira pelas hidrelétricas do país, totalizando R$ 37,8 por MWh gerado, um desembolso 5,7 vezes acima da média do setor, que é de R$ 6,6 por MWh”, explicou Pepitone.

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Segundo o executivo, essa robustez financeira é o que permite a manutenção de projetos de infraestrutura, educação e saúde nas regiões beneficiadas, promovendo um crescimento sustentável que acompanha a operação da planta.

A geografia dos repasses: Paraná lidera beneficiários

Seguindo a legislação federal (que destina 65% aos municípios, 25% aos estados e 10% à União), o estado do Paraná manteve a hegemonia como principal destino dos recursos em 2025. O governo paranaense recebeu R$ 293 milhões, o que representa 85% de toda a parcela estadual brasileira. Entre os municípios, 49 cidades paranaenses abocanharam R$ 761 milhões.

Entretanto, o alcance da binacional é nacional. Estados como Minas Gerais (R$ 26 milhões) e São Paulo (R$ 11 milhões) também figuram na lista de beneficiários estaduais. No âmbito federal, os R$ 138 milhões destinados à União foram pulverizados estrategicamente: o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) recebeu R$ 56 milhões, enquanto os ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia ficaram com R$ 41 milhões cada, fortalecendo a agenda de pesquisa e sustentabilidade do governo central.

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