Extremos climáticos redefinem o risco climático no Brasil e elevam alerta para setores estratégicos em 2026

Retrospectiva da Climatempo mostra que frio intenso, calor recorde, ciclones e ventos extremos marcaram 2025 e reforçam o clima como variável crítica para energia, infraestrutura e economia

O ano de 2025 entrou para a história recente do Brasil como um período de intensa volatilidade climática, marcado por extremos sucessivos de frio, calor, ventos severos e eventos meteorológicos de alto impacto. A avaliação consta da Retrospectiva Climática 2025, elaborada pela Climatempo, maior empresa de meteorologia e consultoria climática do Brasil e da América Latina, a partir do monitoramento contínuo das condições atmosféricas e do registro de episódios que afetaram diferentes regiões do País.

Mais do que um balanço meteorológico, o documento reforça um alerta estratégico: a intensificação dos eventos extremos torna cada vez mais indispensável o uso de inteligência climática na tomada de decisão por governos, empresas e operadores de infraestrutura, especialmente em setores sensíveis como energia elétrica, logística, agronegócio e gestão urbana.

Ao longo de 2025, o Brasil vivenciou um encadeamento de fenômenos que se distribuíram por todas as estações do ano, desmontando padrões históricos e ampliando o grau de incerteza operacional para cadeias produtivas e sistemas essenciais.

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Clima extremo deixa de ser exceção e passa a integrar o planejamento

A Climatempo destaca que o comportamento atmosférico observado ao longo do ano reforça uma mudança estrutural no regime climático do País. Ao comentar os dados consolidados na retrospectiva, o meteorologista Vinícius Lucyrio chama atenção para a frequência e a intensidade dos fenômenos registrados.

“O ano de 2025 deixou evidente que os extremos climáticos passaram a ser parte do dia a dia do País, com ocorrência de frio intenso, calor recorde e eventos severos de vento e chuva“, observa Lucyrio. Na avaliação do especialista, o padrão observado impõe uma mudança de abordagem na forma como o clima é tratado por empresas e gestores públicos. Segundo ele, “estas variações intensas mostram que o clima precisa ser tratado como variável estratégica de planejamento e gestão de risco”.

A leitura ganha relevância particular para o setor elétrico, no qual eventos extremos impactam diretamente a operação de redes de transmissão e distribuição, a geração de energia, especialmente hidrelétrica e eólica, e a segurança do suprimento.

Do frio persistente aos recordes de calor em um mesmo ano

Um dos aspectos mais emblemáticos de 2025 foi a convivência de extremos térmicos opostos dentro de um mesmo ciclo anual. A partir do fim de maio, o avanço de massas de ar polar mais intensas passou a influenciar de forma persistente grande parte do território nacional.

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Durante o inverno, agosto apresentou temperaturas abaixo da média em diversas regiões, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde o frio se manteve dentro ou abaixo dos padrões históricos por vários meses consecutivos. O comportamento atípico se estendeu para a primavera, culminando em um episódio simbólico registrado em 20 de outubro, quando a cidade de São Paulo marcou 11,2°C, o dia mais frio para o mês em 11 anos.

Esse evento evidenciou a ocorrência de frio intenso fora da janela climática esperada, ampliando riscos para a saúde, a infraestrutura urbana e o consumo de energia. No outro extremo, o mesmo ano foi encerrado com calor recorde. Em 28 de dezembro, a capital paulista atingiu 37,2°C, a maior temperatura já registrada para o mês desde o início da série histórica consolidada.

O contraste ilustra como o Brasil passou a concentrar, em períodos cada vez mais curtos, extremos térmicos de sinais opostos, desafiando modelos tradicionais de planejamento.

Ventos extremos e ciclones ampliam riscos à infraestrutura

Outro traço marcante de 2025 foi a recorrência de episódios associados a ventos intensos e tempestades severas. No fim de julho, rajadas expressivas já haviam chamado atenção no estado de São Paulo, acompanhadas por ressaca no litoral do Rio de Janeiro.

Em setembro, entre os dias 21 e 22, novos episódios de vento forte atingiram a capital paulista, enquanto Santos registrou rajadas superiores a 100 km/h, com impactos relevantes sobre o sistema elétrico, a mobilidade urbana e as operações portuárias.

O ápice ocorreu em dezembro, quando um ciclone extratropical se formou no Sul do País entre os dias 8 e 9. No dia 10, o aeroporto de Congonhas registrou rajadas de 96,3 km/h, descritas pela Climatempo como as mais intensas em ambiente seco desde 1963, um dado que reforça o caráter excepcional do evento.

Chuvas extremas, tornados e granizo ao longo do ano

Além dos ventos, o ano foi marcado por episódios severos de precipitação. Em junho, o Rio Grande do Sul enfrentou chuvas persistentes e volumosas, com acumulados superiores a 300 mm e 400 mm em alguns municípios e volumes extremamente elevados em apenas 24 horas, resultando em alagamentos, inundações e impactos sociais e econômicos expressivos.

Na primavera, a ocorrência de tempestades severas ganhou destaque com a formação de um tornado F4 em Rio Bonito do Iguaçu (PR), no dia 7 de novembro, associado à atuação de supercélulas durante o processo de formação de um ciclone extratropical. Poucos dias depois, em 23 de novembro, episódios de granizo severo causaram danos em Erechim (RS) e São Manuel (SP).

Também se destacaram padrões fora do habitual em outras regiões, como chuvas volumosas na Bahia, inclusive em Salvador, nos meses de outubro e novembro, e a persistência de precipitações na Amazônia, reduzindo a caracterização do tradicional “verão amazônico”.

Inteligência climática ganha protagonismo em 2026

A retrospectiva da Climatempo reforça que os eventos de 2025 não devem ser tratados como exceção, mas como sinal de um novo patamar de risco climático. Para 2026, a empresa destaca a necessidade de ampliar o uso de dados meteorológicos, previsões de médio e longo prazo e análises de impacto como ferramentas estratégicas para reduzir perdas, antecipar riscos e aumentar a resiliência de sistemas críticos.

No setor elétrico, a integração entre inteligência climática e planejamento operacional tende a ser decisiva para mitigar falhas, reduzir interrupções no fornecimento e preservar ativos diante de um cenário climático cada vez mais extremo.

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