ABB e E.ON firmam parceria para ampliar projetos de eficiência energética sem investimento inicial

Modelo baseado na economia de energia mira indústria europeia e reforça tendência de contratos de performance para descarbonização e modernização de ativos

A ABB, multinacional suíça de equipamentos e sistemas elétricos, e a E.ON, consultoria europeia especializada em gestão energética, decidiram unir forças para explorar oportunidades no mercado de eficiência energética. As empresas anunciaram uma parceria estratégica voltada ao desenvolvimento de projetos que permitem a modernização de instalações industriais sem a necessidade de investimento inicial por parte dos clientes, utilizando modelos de remuneração baseados na economia de energia gerada.

A iniciativa reflete uma tendência crescente no setor elétrico global: a ampliação de contratos de performance energética, nos quais fornecedores de tecnologia e serviços assumem o risco financeiro do projeto e são remunerados a partir dos ganhos de eficiência obtidos ao longo do tempo. O modelo tem ganhado relevância em um cenário de maior pressão por redução de custos operacionais, segurança energética e cumprimento de metas de descarbonização.

Soluções integradas para a indústria de transformação

Pelos termos do acordo, ABB e E.ON irão atuar de forma complementar, combinando tecnologia, gestão e estrutura financeira. A parceria terá como foco prioritário a indústria de transformação, segmento intensivo em energia e com elevado potencial de ganhos de eficiência.

- Advertisement -

Enquanto a ABB aportará seu portfólio de equipamentos e sistemas elétricos de alta eficiência, como motores, inversores de frequência e soluções digitais, a E.ON será responsável pela estruturação financeira dos projetos e pela gestão das operações energéticas. A proposta é oferecer soluções completas, capazes de reduzir o consumo de energia e as emissões associadas, sem exigir desembolso inicial dos clientes.

Em comunicado conjunto, as empresas afirmaram que pretendem atuar com projetos de eficiência energética remunerados pela economia de energia gerada, ou seja, que se pagam ao longo do tempo. Dessa forma, indústrias podem modernizar seus parques de máquinas, reduzir custos operacionais e emissões de carbono sem comprometer capital próprio.

Financiamento como gargalo da eficiência energética

Ao contextualizar a relevância do modelo adotado na parceria, Christoph Hiesgen, head de Desenvolvimento de Negócios da E.ON, destacou que o financiamento ainda é um dos principais entraves para a expansão da eficiência energética em escala global.

“A parceria aborda uma barreira crítica identificada pela Agência Internacional de Energia: o financiamento, que atrasa a implementação de medidas de eficiência energética”, afirmou Hiesgen. Ao detalhar a proposta conjunta, o executivo acrescentou: “Com a oferta de soluções completas, ABB e E.ON podem remover obstáculos de investimento e tornar a eficiência energética acessível, mensurável e lucrativa”.

- Advertisement -

A avaliação está alinhada a diagnósticos recorrentes de organismos internacionais, que apontam a eficiência energética como uma das formas mais rápidas e custo-efetivas de reduzir emissões, mas ainda subexplorada devido a limitações de capital e à dificuldade de mensuração dos resultados.

Foco inicial no mercado europeu

A parceria entre ABB e E.ON terá como foco inicial o mercado europeu, onde a demanda por energia limpa resiliente e projetos de descarbonização vem crescendo de forma consistente, impulsionada por políticas climáticas mais rígidas e pela busca por maior autonomia energética.

Os esforços estarão concentrados, sobretudo, em segmentos industriais como alimentos e bebidas, química, siderurgia, vidro, papel e celulose, além do setor de data centers, todos caracterizados por alto consumo de energia e pressão crescente por eficiência e redução de emissões.

Apesar do foco regional, o modelo de negócio não é novo para a ABB. A companhia já utiliza estruturas semelhantes em outras partes do mundo, inclusive no Brasil, o que demonstra a escalabilidade da proposta e sua adaptação a diferentes realidades regulatórias e de mercado.

Experiência brasileira reforça viabilidade do modelo

No Brasil, a ABB estruturou um projeto com características semelhantes em parceria com a consultoria Vitalux-Ecoativa para a Companhia Águas de Joinville (CAJ), empresa pública de saneamento responsável pelo abastecimento de cerca de 600 mil moradores de Joinville, em Santa Catarina.

A iniciativa envolveu a modernização de 17 motobombas de uma estação responsável pela captação de água para aproximadamente metade da população do município. O projeto incluiu a substituição de motores antigos por modelos de padrão IE4, que são cerca de 20% mais eficientes do que os motores IR3 exigidos no Brasil, além da instalação de motores IE5, ainda mais eficientes, inversores de frequência e soluções digitais para otimização da operação.

A modernização será viabilizada a partir da economia de energia proporcionada pelos novos equipamentos e sistemas, estimada em cerca de 8.000 MWh por ano, o equivalente a R$ 4,7 milhões, segundo projeções da Vitalux-Ecoativa, que ainda serão verificadas. Além da redução de custos, o projeto deve mitigar aproximadamente 800 toneladas de CO₂ por ano no balanço de carbono da empresa pública.

Eficiência como estratégia para o core business

Ao comentar o racional da parceria, Erich Labuda, presidente da Divisão Motion Services da ABB, destacou que a proposta permite que as empresas clientes concentrem esforços em suas atividades principais, enquanto a infraestrutura energética é tratada de forma especializada.

“Nossa abordagem conjunta permitirá que empresas mantenham foco no ‘core-business’, enquanto cuidamos da infraestrutura de energia”, disse Labuda, no texto divulgado pelas companhias.

A iniciativa reforça o papel da eficiência energética como um vetor estratégico da transição energética, capaz de gerar ganhos econômicos imediatos, reduzir riscos operacionais e contribuir para metas climáticas, ao mesmo tempo em que cria novas oportunidades de negócio para fornecedores de tecnologia e serviços especializados.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias