Torneio neutraliza 1.819 toneladas de CO₂, avança na gestão de resíduos e reforça a integração entre sustentabilidade, energia renovável e grandes eventos
A edição de 2025 do Rio Open, apresentado pela Claro, marcou um novo patamar na integração entre esporte, sustentabilidade e transição energética no Brasil. Consolidado como o maior torneio de tênis da América do Sul, o evento ampliou os resultados do programa Rio Open Green e reafirmou sua posição de liderança como evento carbono neutro, ao neutralizar 1.819 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e), reciclar, reutilizar ou compostar mais de 69% dos resíduos gerados e impulsionar a economia local com um impacto estimado em R$ 200 milhões.
Os números reforçam uma tendência cada vez mais relevante no setor de energia e sustentabilidade: grandes eventos vêm se tornando plataformas estratégicas para a adoção de práticas de descarbonização, gestão eficiente de recursos e engajamento do público em agendas climáticas. No caso do Rio Open, a sustentabilidade deixou de ser um elemento acessório e passou a integrar o planejamento estrutural do torneio, influenciando decisões operacionais, logísticas e de relacionamento com patrocinadores, fornecedores e espectadores.
Sustentabilidade como eixo estratégico do evento
A consolidação do Rio Open Green como pilar do torneio reflete um processo de amadurecimento iniciado em edições anteriores e aprofundado em 2025. A estratégia busca reduzir impactos ambientais diretos, mitigar emissões inevitáveis e ampliar o legado positivo do evento para a cidade e para o setor esportivo.
Ao analisar o desempenho socioambiental do torneio, a diretora-geral Marcia Casz destacou que a sustentabilidade se tornou um ativo estratégico para a atração de investimentos e engajamento social. Ela ressalta que o Rio Open atua como um catalisador de boas práticas, provando que a preservação de recursos e o crescimento econômico são pilares complementares.
“A edição de 2025 mostra a maturidade da estratégia de sustentabilidade do Rio Open. Os números comprovam que é possível realizar um grande evento esportivo com impacto ambiental cada vez menor e, ao mesmo tempo, gerar resultados econômicos relevantes para a cidade e para a comunidade. Nosso foco segue sendo evoluir a cada ano, engajando o público e toda a cadeia do evento nessa jornada”.
A fala sintetiza um movimento observado também em outros setores intensivos em consumo de energia: a busca por modelos que conciliem crescimento econômico, eficiência operacional e responsabilidade ambiental.
Neutralização de carbono e protagonismo da energia renovável
Um dos principais destaques da edição de 2025 foi a neutralização integral das emissões de gases de efeito estufa associadas não apenas às operações do evento, mas também ao deslocamento do público, uma iniciativa ainda rara no mercado brasileiro de entretenimento e esportes.
Em parceria com a ENGIE, o Rio Open compensou 1.819 toneladas de CO₂ equivalente, sendo 470,26 tCO₂e relacionadas às operações e 1.348,62 tCO₂e provenientes do transporte dos espectadores, que responderam por cerca de 74% das emissões totais. Todas as emissões foram auditadas por uma terceira parte independente, reforçando a credibilidade do inventário e do processo de compensação.
Os créditos de carbono utilizados tiveram origem na geração de energia renovável da Usina Hidrelétrica Jirau, empreendimento registrado no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da ONU e que tem como acionistas a ENGIE (40%), a Axia (40%) e a Mitsui (20%). A escolha reforça a conexão entre o evento e a agenda energética, ao direcionar recursos para projetos estruturantes de geração limpa no país.
Eduardo Sattamini, CEO da ENGIE Brasil, enxerga a aliança como um pilar estratégico para disseminar a cultura da descarbonização além do setor industrial. Para o executivo, ao integrar soluções de energia limpa ao entretenimento, a companhia não apenas reduz emissões, mas estabelece um novo paradigma de responsabilidade corporativa para o mercado de eventos.
“Essa colaboração tem gerado resultados significativos e deve ser considerado um exemplo para estimular o mercado esportivo a adotar práticas que impulsionam a transição para uma economia neutra em carbono. Nosso propósito é fomentar uma mudança cultural para inserir a sustentabilidade em todas as esferas da sociedade e apoiar grandes eventos na construção de políticas e diretrizes mais sólidas e efetivas. A atuação conjunta demonstra que o esporte, o entretenimento e a responsabilidade socioambiental podem caminhar lado a lado, criando experiências de alto impacto com menor pegada ambiental”.
Engajamento do público e inovação na descarbonização
A edição de 2025 também ampliou o protagonismo dos espectadores na estratégia ambiental do evento. Dos cerca de 69 mil presentes, aproximadamente 40% vieram de outros estados, além da participação de 73 atletas internacionais, o que elevou significativamente o impacto das emissões associadas a transporte aéreo e rodoviário.
Para lidar com esse desafio, o Rio Open manteve e fortaleceu a calculadora de carbono interativa, disponível desde a compra do ingresso. A ferramenta permitiu que o público declarasse seu meio de transporte e compreendesse sua pegada de carbono, incluindo opções de impacto zero, como bicicleta e transporte público. No local do evento, o estande Rio Open Green concentrou ações de conscientização, educação ambiental e estímulo à participação ativa do público no processo de descarbonização.
Gestão de resíduos avança e reduz impacto ambiental
Outro eixo relevante da estratégia de sustentabilidade foi a gestão de resíduos sólidos. Em 2025, o Rio Open gerou 48,2 toneladas de resíduos, das quais 69,2% tiveram destinação ambientalmente adequada por meio de reciclagem, compostagem ou reaproveitamento. Apenas 30,8% seguiram para aterro sanitário, que conta com sistema de recuperação de metano, reduzindo praticamente a zero as emissões associadas a essa etapa.
Entre as iniciativas implementadas ou ampliadas estão a redução do uso de plásticos descartáveis de uso único, especialmente na operação de alimentos e bebidas, a melhoria da comunicação visual para orientar o descarte correto, a reutilização de materiais como raquetes, bolas, saibro e lonas, além da compostagem de resíduos orgânicos, fechando o ciclo da gestão sustentável.
Impacto econômico e legado social
Além dos avanços ambientais, o Rio Open 2025 reforçou sua relevância como motor de desenvolvimento econômico sustentável. Por meio do pilar Rio Open Community, o torneio gerou um impacto financeiro estimado em R$ 200 milhões, impulsionando o turismo, a gastronomia, o comércio local e a geração de empregos diretos e indiretos.
A priorização de fornecedores locais e de parceiros alinhados a práticas ambientalmente responsáveis ampliou o alcance do impacto positivo, fortalecendo cadeias produtivas regionais e disseminando padrões mais elevados de sustentabilidade.
Ao integrar energia renovável, gestão eficiente de recursos e engajamento social, o Rio Open 2025 consolida-se não apenas como um dos principais eventos esportivos do país, mas também como uma vitrine de boas práticas ambientais aplicáveis a grandes operações intensivas em energia e logística.



