Parceria estratégica prevê aquisição de 49,99% das subsidiárias da Lightsource bp no país e cria plataforma para expansão em energia solar e novos negócios de baixo carbono
A Petrobras deu um passo decisivo em sua estratégia de diversificação e transição energética ao anunciar a assinatura de uma parceria estratégica com a Lightsource bp para atuação no segmento de energias renováveis onshore no Brasil. O acordo, divulgado nesta terça-feira (16/12), marca a entrada estruturada da companhia no mercado de geração solar fotovoltaica em escala comercial, ampliando sua presença além dos projetos já desenvolvidos para consumo próprio em unidades industriais.
Pelo modelo acordado, a Petrobras adquirirá 49,99% das subsidiárias da Lightsource bp no Brasil, dando origem a uma joint venture com gestão compartilhada entre as duas empresas. A conclusão da transação ainda depende das aprovações regulatórias de praxe, mas o movimento já é visto pelo mercado como um dos mais relevantes do ano no setor elétrico e de energias renováveis.
Expansão do portfólio e nova fase da transição energética da Petrobras
A parceria com a Lightsource bp representa uma inflexão importante na atuação da Petrobras em energias renováveis. Até então, a companhia vinha concentrando seus projetos solares principalmente em aplicações associadas aos próprios ativos, como refinarias. Atualmente, a estatal tem a pretensão de instalar 56 MW de capacidade solar até 2027, com 10 MW já em operação na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais.
Com a joint venture, a Petrobras passa a atuar de forma mais ampla no mercado de geração solar, incluindo o atendimento a outros consumidores e a participação em projetos estruturantes conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Além disso, a criação de uma plataforma dedicada abre espaço para a incorporação de novos negócios em renováveis, como soluções de armazenamento de energia, tema cada vez mais estratégico diante da expansão das fontes intermitentes.
O movimento reforça a estratégia de diversificação do portfólio da companhia e sua narrativa de Transição Energética Justa, ao combinar segurança energética, competitividade econômica e redução de emissões.
A visão da Petrobras sobre o acordo
A presidente da Petrobras, ressaltou que a nova parceria no setor solar, reforça a estratégia corporativa de ampliar a presença em fontes de baixo carbono, complementando os investimentos já realizados em ativos de refino. Segundo a executiva, o movimento é essencial para garantir o desenvolvimento energético nacional com foco em sustentabilidade.
“Estamos dando hoje um importante passo na atuação da Petrobras no segmento de energia solar. Essa parceria representa um avanço fundamental na trajetória da companhia rumo à Transição Energética Justa e se soma aos projetos de geração renovável em implantação pela Petrobras em seus ativos, como nas refinarias Regap e Replan. Estamos comprometidos em liderar esse processo no país, ampliando nossa presença em novas fontes energéticas, promovendo a descarbonização de nossas operações e produzindo combustíveis mais sustentáveis. Seguiremos provendo a energia necessária para o desenvolvimento do Brasil”, afirma a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
A declaração sinaliza que a estatal busca integrar a agenda de renováveis à sua estratégia de longo prazo, sem abrir mão do papel histórico de garantir o suprimento energético ao país.
Lightsource bp aporta pipeline robusto e experiência local
Do lado da Lightsource bp, a joint venture consolida uma estratégia de crescimento sustentado no Brasil, mercado considerado prioritário dentro do portfólio global da companhia. A empresa, que integra o grupo bp, atua no país há quase sete anos e desenvolveu uma presença sólida em todas as etapas da cadeia de projetos solares, do desenvolvimento à operação.
A contribuição da Lightsource bp para a nova empresa inclui um pipeline entre 1 e 1,5 GW em estágio avançado de desenvolvimento, além de outros projetos menos maduros espalhados pelo país. Um dos principais ativos é a usina solar fotovoltaica de Milagres, localizada em Abaiara, no Ceará, em operação desde 2023, com 212 MWp de capacidade instalada, uma das maiores do estado.
Esse portfólio confere escala imediata à joint venture e reduz riscos de execução, fator relevante em um ambiente de maior seletividade de capital no setor de geração.
A avaliação da Lightsource bp sobre a parceria
Ao abordar o acordo, o CEO da Lightsource bp destacou o caráter complementar da parceria e o potencial de acelerar a expansão de soluções de baixo carbono no país. Antes de apresentar sua avaliação, o executivo ressaltou a importância de combinar conhecimento local com capacidade estratégica.
“Juntos, esta parceria combinará a expertise de ponta a ponta da Lightsource bp em renováveis onshore e armazenamento de energia no Brasil com as capacidades estratégicas da Petrobras para impulsionar ainda mais o crescimento de soluções de energia de baixo carbono em todo o Brasil”, disse Joaquin Oliveira, CEO da Lightsource bp. “Com o nosso forte expertise local, construída ao longo de quase sete anos de atividade no Brasil em todas as fases de desenvolvimento, construção e operação de projetos, continuaremos a gerar valor para a empresa, para os nossos clientes e stakeholders. Estamos entusiasmados com esta parceria com a Petrobras”.
A fala reforça a percepção de que a joint venture não se limita à geração solar tradicional, mas pode evoluir para um portfólio mais amplo de soluções energéticas.
Impactos para o setor elétrico e para o mercado de renováveis
Do ponto de vista do setor elétrico brasileiro, a parceria entre Petrobras e Lightsource bp tem potencial para redefinir o posicionamento competitivo no mercado de energia solar. A entrada mais robusta da Petrobras tende a elevar o grau de profissionalização, atrair investimentos e estimular sinergias com outros segmentos, como gás natural, biocombustíveis e, futuramente, hidrogênio de baixo carbono.
A joint venture nasce com o objetivo explícito de desenvolver projetos rentáveis de energia renovável e ampliar a presença das duas empresas entre os principais players do mercado brasileiro. Em um contexto de transição energética acelerada, pressões regulatórias e busca por descarbonização, o acordo sinaliza que as grandes companhias de energia estão reposicionando seus modelos de negócio para um cenário de longo prazo cada vez mais orientado por fontes limpas e soluções integradas.



