Seminário em Brasília fortalece convergência institucional, introduz norma pioneira da ABNT e sinaliza nova fase da eletromobilidade como política estruturante da transição energética brasileira
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia (MME) abriram nesta quarta-feira (10), em Brasília, um dos encontros mais relevantes do ano para a governança da mobilidade elétrica no Brasil. O Seminário ANEEL de Mobilidade Elétrica: resultados e desafios para o setor elétrico marcou um ponto de inflexão no avanço regulatório da eletromobilidade, reunindo formuladores de políticas públicas, reguladores, especialistas, distribuidoras, desenvolvedores de P&D e representantes da indústria automotiva e de infraestrutura.
Transmitido pelo canal institucional da ANEEL no YouTube e realizado nos dias 10 e 11 de dezembro, o evento consolida a eletromobilidade como eixo central da transição energética nacional, com foco em segurança técnica, modelos tarifários, padronização, política industrial e expansão da infraestrutura de recarga.
Abertura reforça integração entre ANEEL e MME e posiciona a eletromobilidade como pilar estratégico
A sessão de abertura evidenciou a crescente convergência institucional entre regulador e formuladores de política energética. O diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, destacou o seminário como espaço de articulação estratégica e cooperação entre agentes públicos e privados.
Antes de apresentar sua visão, o dirigente contextualizou a relevância da iniciativa para modernizar o setor elétrico e sustentar o crescimento da frota eletrificada. “Que esse seminário seja um marco de interação, parcerias e colaboração, fortalecendo a integração entre os setores e impulsionando ações de eletrificação como o caminho estratégico para descarbonizar não apenas o transporte, mas também diversos segmentos da nossa economia”.
A fala de Feitosa reforça o movimento da agência em atualizar metodologias tarifárias, aprimorar padrões técnicos e integrar as distribuidoras ao processo de eletrificação da mobilidade leve e pesada.
Norma inédita da ABNT estabelece novos padrões de segurança em manutenção de veículos elétricos
Um dos marcos do primeiro dia foi o anúncio da ABNT PR 1025, norma pioneira que cria requisitos específicos de segurança e capacitação profissional para manutenção de veículos elétricos e híbridos. A apresentação foi conduzida pelo presidente da ABNT, Mário William Esper, que detalhou os impactos regulatórios e técnicos do documento.
A norma atende a uma demanda crescente do mercado, que exige padronização, mitigação de riscos e qualificação técnica em atividades de alta tensão e sistemas embarcados, requisitos imprescindíveis para garantir segurança operacional e atrair investimentos para o setor.
O documento também estabelece um novo patamar de responsabilidade para oficinas, centros automotivos, fabricantes e operadores de frotas.
Infraestrutura, tarifas e ônibus elétricos dominam agenda técnica
O seminário aprofundou discussões essenciais para remover gargalos estruturais e acelerar a expansão da mobilidade elétrica no país.
Na parte da manhã, o superintendente Paulo Luciano Carvalho mediou o painel sobre Políticas Públicas para Promoção da Mobilidade Elétrica, abordando integração interministerial e racionalização de incentivos.
À tarde, o gerente Pedro Lombardi conduziu o debate sobre infraestrutura de carregamento, com ênfase em interoperabilidade, padronização técnica, desafios em rodovias, sistemas de recarga rápida e responsabilidades das distribuidoras na expansão da rede.
Outro painel, liderado por Leandro Caixeta, aprofundou os modelos tarifários e de negócios para eletropostos. A gerente Flávia Lis Pederneiras discutiu custos estruturais, impactos regulatórios e a necessidade de sinalização tarifária que incentive investimentos em recarga rápida e soluções de demanda flexível.
No segmento de transporte coletivo, a assessora Djane Melo apresentou desafios e oportunidades para o mercado de ônibus elétrico, destacando viabilidade econômica, financiamento municipal e estratégias de contratação.
Os participantes também acompanharam a apresentação de resultados da Chamada Estratégica de P&D e uma palestra do ICCT, com benchmarking internacional e tendências globais de eletrificação.
MME afirma que eletromobilidade já é realidade consolidada no Brasil
Representando o ministro Alexandre Silveira, o secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento, Gustavo Ataíde, reforçou a visão estratégica do governo para a mobilidade elétrica.
Ao comentar o avanço da eletrificação, Ataíde conectou-o à política industrial e à inserção internacional do Brasil como líder em energia limpa. Ele reforçou que a eletromobilidade deixou de ser uma tendência e se consolidou como uma realidade no país, com forte impacto nas estratégias empresariais:
“A eletromobilidade deixa de ser uma tendência futura e passa a ser uma realidade no país. A eletrificação está nas ruas, no dia a dia, nas estratégias das empresas. Isso reforça a posição do Brasil na liderança global em energia limpa. Nossa matriz elétrica já é predominantemente renovável, o que significa que cada veículo eletrificado no país gera mais redução de emissões do que em outros países”, afirmou.
Ataíde acrescentou que o MME intensificará a coordenação interministerial para integrar infraestrutura de recarga, política industrial e segurança energética. Segundo ele, a mobilidade elétrica é hoje um dos principais vetores da transição, ao lado dos biocombustíveis.
PDE 2035 incorpora eletromobilidade e orienta planejamento energético
O MME e a EPE publicaram recentemente o Caderno de Eletromobilidade do PDE 2035, documento que reúne projeções de frota, impacto no sistema elétrico, efeitos tarifários, necessidades logísticas e recomendações para políticas públicas.
O material será referência para investidores, distribuidoras, fabricantes e governos estaduais.
Normatização técnica e capacitação sustentável: próximos passos
O seminário prossegue nesta quinta-feira (11), com o detalhamento final da ABNT PR 1025 e novos debates sobre segurança, infraestrutura e interoperabilidade.
A expectativa é que a norma fortaleça a segurança operacional, amplie a qualificação técnica e sustente o crescimento acelerado do mercado brasileiro de veículos elétricos.



