ArcelorMittal conclui parque solar de 315 MWp em MG e avança na estratégia de autossuficiência energética

Projeto Luiz Carlos, desenvolvido com a Atlas Renewable Energy, antecipa cronograma e reforça movimento de industrialização limpa no setor de aço

A ArcelorMittal e a Atlas Renewable Energy concluíram, com 90 dias de antecedência, a implantação do lado B do Parque Solar Luiz Carlos, em Paracatu (MG). O empreendimento, que passa a ser integralmente controlado pela siderúrgica a partir de dezembro de 2025, marca a estreia da empresa na geração solar no Brasil e reforça sua estratégia de autossuficiência em energia limpa. Com 315 MWp de capacidade instalada e geração estimada de 74 MW médios por ano, o projeto recebeu investimentos de R$ 895 milhões.

Com a ampliação de fontes renováveis e autoprodução, a siderúrgica busca reduzir custos, aumentar previsibilidade energética e acelerar sua estratégia de descarbonização. O movimento acompanha uma tendência crescente no setor industrial, especialmente entre grandes consumidores intensivos em energia, que têm migrado para modelos próprios de fornecimento para mitigar riscos tarifários e garantir lastro para operações de longo prazo.

Autoprodução e competitividade energética

O avanço do Parque Solar Luiz Carlos faz parte de um plano robusto de investimentos da ArcelorMittal em renováveis, que soma R$ 5,8 bilhões e inclui, além do empreendimento mineiro, um parque híbrido, solar e eólico, na Bahia. A meta é atingir 100% de consumo elétrico proveniente de fontes renováveis até 2030.

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Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM, destacou o papel central da nova planta solar na estratégia industrial da companhia, afirmando que o projeto é essencial para aumentar a competitividade e diversificar a matriz energética interna. O executivo detalhou o destino da energia gerada.

“Todo o volume de energia gerado pela planta será destinado às nossas operações. Trata-se de mais um movimento importante que vai diversificar a nossa matriz energética, diminuir custos operacionais e contribuir para o aumento da competitividade.”

Atualmente, a empresa já registra avanço significativo em autogeração: em 2024, 61% da energia consumida veio de ativos próprios e 39% de energia adquirida com certificação de matriz limpa. Unidades estratégicas, como Tubarão (ES) e Pecém (CE), são autossuficientes em energia elétrica, reduzindo a demanda sobre o SIN (Sistema Interligado Nacional).

Modelo BOT e parceria estratégica com a Atlas

O empreendimento foi desenvolvido em regime BOT (Build, Operate and Transfer), em que ArcelorMittal e Atlas formam uma joint venture durante a construção e, após a entrada em operação, todo o capital é transferido para a siderúrgica. O modelo tem ganhado adesão entre grandes consumidores por reduzir riscos de implantação e assegurar expertise técnica especializada durante a fase crítica do projeto.

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Ao comentar a parceria e os diferenciais da solução desenvolvida para o projeto Luiz Carlos, Fábio Bortoluzo, presidente da Atlas Renewable Energy no Brasil, destacou que a excelência na execução e o alinhamento de valores foram fundamentais para o acordo. O executivo detalhou a capacidade da empresa em desenhar soluções personalizadas.

“A parceria com a ArcelorMittal destaca a capacidade da Atlas de compreender profundamente as necessidades do cliente e desenhar soluções personalizadas que as atendam, garantindo a entrega no prazo. A confiança depositada em nós vem justamente do nosso histórico de excelência na execução. Além disso, nos orgulha ver o alinhamento de nossos valores e o compromisso ambiental compartilhado entre as duas empresas. Ressalto também que é fundamental que governo e a indústria possam trabalhar de forma eficaz para resolver os cortes (de fornecimento), garantindo que investimentos em projetos e parcerias bem-sucedidos como estes possam continuar no Brasil.”

O parque inclui ainda uma linha de transmissão de 65 km, em 500 kV, e ponto de conexão à subestação Paracatu 4, ampliando a segurança energética e contribuindo para o atendimento regional no noroeste mineiro.

Tecnologia de última geração acelera obra e melhora eficiência

O Parque Solar Luiz Carlos incorpora tecnologias avançadas para otimização de performance. Foram instalados 516 mil módulos bifaciais, que captam também a luz refletida pelo solo, e trackers solares capazes de acompanhar o movimento do sol, maximizando a geração ao longo do dia.

A planta é também a primeira da Atlas no Brasil a adotar integralmente o sistema Trunk Cable, um cabeamento pré-montado que substitui a instalação manual de cabos individuais. A tecnologia reduz o tempo de montagem, diminui a probabilidade de falhas, melhora a organização e reforça a segurança operacional.

Esse grau de automatização contribuiu diretamente para a conclusão antecipada da obra, um fator crítico em projetos de grande porte e que pode influenciar tanto CAPEX quanto curva de geração.

Impacto para a transição energética industrial

Com 315 MWp instalados, a planta é parte de um movimento mais amplo da indústria de aço no mundo, que busca eletrificar processos, ampliar a autossuficiência e reduzir pegadas de carbono. Em países como Alemanha e Suécia, fabricantes já apostam em hidrogênio verde e rotas tecnológicas de baixa emissão. No Brasil, iniciativas como a da ArcelorMittal avançam na direção da maior integração entre indústria e geração renovável.

A localização estratégica em Minas Gerais, estado que ultrapassou em 2024 a marca de 18 GW de capacidade solar instalada, reforça ainda mais a relevância do projeto para a matriz elétrica nacional e para a densificação da infraestrutura de transmissão no Sudeste.

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