ONS revisa para cima a projeção de crescimento da carga em dezembro e indica melhora no cenário hidrológico

Estimativa de expansão da carga sobe para 4,8% e órgão prevê níveis mais altos nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, apesar da ENA seguir abaixo da média histórica

Em um contexto de maior demanda por energia e melhora gradual das condições hidrológicas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou para cima sua projeção de crescimento da carga no Brasil para dezembro. De acordo com o boletim divulgado nesta sexta-feira, o órgão espera agora um aumento de 4,8% na comparação anual, alcançando 83.890 MW médios, avanço significativo frente aos 2,8% estimados na semana anterior.

O ajuste reflete a combinação de temperaturas acima da média em várias regiões do país, ritmo mais intenso da atividade econômica em setores industriais e de serviços, além de maior uso de sistemas de refrigeração em função das ondas de calor registradas ao longo do segundo semestre de 2025. A atualização também aponta para um cenário mais robusto de oferta hídrica, ainda que marcado por assimetrias entre os subsistemas.

Revisão da carga reforça tendência de aceleração no final de 2025

Os dados mais recentes do ONS indicam que a trajetória de crescimento da carga elétrica brasileira permanece consistente na reta final do ano. A elevação de 2 pontos percentuais na projeção semanal sinaliza que o sistema deve fechar dezembro com demanda mais elevada que o previsto, reforçando o movimento observado desde setembro, quando múltiplas revisões positivas passaram a ser publicadas.

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No curto prazo, a expansão da carga também reflete a normalização das condições operativas em estados que enfrentaram eventos climáticos extremos entre outubro e novembro, especialmente no Sul. A retomada gradual de atividades produtivas e comerciais contribuiu para recompor parte do consumo reprimido.

Do ponto de vista do planejamento, especialistas avaliam que revisões desse tipo exigem acompanhamento contínuo da relação entre oferta e demanda, sobretudo em meses historicamente sensíveis do ponto de vista hidrometeorológico. Com o verão se aproximando, a maior variabilidade climática se torna um elemento adicional de atenção para a operação.

Reservatórios devem fechar dezembro acima da projeção anterior

O boletim do ONS também trouxe atualização positiva sobre os principais reservatórios de usinas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por cerca de 70% da capacidade de armazenamento do país. A estimativa agora é que fechem dezembro com 46,3% de volume útil, acima dos 45,7% previstos na semana anterior.

A revisão decorre do comportamento mais favorável das precipitações na bacia do rio Paraná, que apresentou incremento moderado nos aportes ao longo da última semana. Embora o nível continue abaixo do ideal para esta época do ano, a melhora reduz a pressão operacional sobre o despacho térmico e reforça a flexibilidade da matriz para atendimento ao aumento da carga.

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Ainda assim, o cenário exige cautela. Em anos recentes, episódios de irregularidade na estação chuvosa, agravados por oscilações de fenômenos globais, mostraram que a recuperação de reservatórios pode ser lenta e sujeita a reviravoltas rápidas. A operação eficiente das usinas continua dependente de monitoramento hidrometeorológico em tempo real.

ENA continua abaixo da média, mas previsões melhoram em quase todos os subsistemas

Mesmo com o avanço nos níveis de armazenamento, a energia natural afluente (ENA) segue projetada abaixo da média histórica em todos os subsistemas do país. Ainda assim, o ONS revisou para cima as expectativas de afluência, indicando melhora relativa no regime de chuvas.

Para o Sudeste/Centro-Oeste, a ENA prevista passou de 81% para 89% da média, o maior salto entre as regiões. No Sul, a revisão foi ainda mais significativa: de 62% para 78%, refletindo o retorno gradual das chuvas após um período de forte irregularidade. No Norte, a projeção avançou de 75% para 82%, enquanto no Nordeste houve leve oscilação negativa, de 51% para 50%.

Esse comportamento demonstra que, apesar da tendência de recuperação, o cenário hidrológico permanece conservador. ENAs abaixo da média reduzem a velocidade de recomposição de reservatórios e exigem atenção à operação integrada das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, que assumem maior protagonismo na flexibilidade do SIN.

Perspectivas para a operação do sistema

Com carga crescente e um ambiente hidrológico ainda heterogêneo, o ONS deve manter uma estratégia equilibrada entre despacho hidráulico e térmico ao longo de dezembro. A combinação entre reservatórios em recuperação, ENA ainda restrita e aumento sazonal da demanda tende a exigir decisões dinâmicas para evitar pressões sobre o nível dos reservatórios e garantir segurança operativa.

Para o setor elétrico, a revisão positiva da carga e das condições hídricas sinaliza um início de 2026 com matriz mais estável, desde que a estação úmida confirme as projeções atuais. A evolução desses indicadores será determinante para a formação de preços, o planejamento energético e a definição de políticas de operação para o período úmido.

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