CMSE destaca desempenho robusto do sistema elétrico em 2025 e aprova curva de referência para 2026

Colegiado confirma segurança eletroenergética, mantém percepção de risco para 2026–2027 e valida metodologia do ONS para avaliação de excedentes e calibração do CVaR

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmou, em sua 313ª reunião ordinária, a manutenção da segurança eletroenergética do Sistema Interligado Nacional (SIN) e aprovou decisões que devem orientar todo o ciclo 2026-2027. O encontro, conduzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), consolidou a avaliação de que 2025 foi um ano de forte desempenho do sistema, inclusive em períodos de maior criticidade operacional, como a realização do ENEM e a COP30, que demandaram níveis reforçados de confiabilidade.

Ao analisar as perspectivas hidrológicas e operativas para o próximo ano, o colegiado aprovou as novas Curvas de Referência de Armazenamento (CRef) para 2026, validou aperfeiçoamentos metodológicos referentes ao CVaR (Conditional Value at Risk) e endossou a proposta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para caracterização de excedentes energéticos relacionados ao uso da geração termelétrica inflexível. Os encaminhamentos reforçam a previsibilidade operativa do setor e demonstram o esforço de ampliar a transparência dos modelos computacionais que norteiam a política operativa do SIN.

CRef 2026 preserva metodologia anterior e reforça previsibilidade regulatória

Um dos principais pontos apreciados pelo colegiado foi a apresentação, pelo ONS, das Curvas de Referência de Armazenamento para 2026. O operador manteve a mesma abordagem metodológica adotada em 2025, entendimento considerado positivo por agentes e especialistas, por evitar rupturas metodológicas e assegurar estabilidade na parametrização dos modelos de operação.

- Advertisement -

As CRef continuam estruturadas pelas tradicionais faixas verde, amarela e vermelha, que norteiam a necessidade de acionamento termelétrico e a adoção de medidas operativas adicionais em cenários de maior criticidade hidrológica. De acordo com o ONS, a atualização para 2026 segue alinhada ao objetivo de aprimorar o uso do parque termelétrico, conciliando controle de custos, mitigação de riscos e manutenção de níveis estratégicos de armazenamento. A Nota Técnica com o detalhamento dos cálculos e premissas será divulgada aos agentes nas próximas semanas.

CMSE aprova proposta do ONS para excedente energético e uso de UTEs

O colegiado também aprovou o modelo elaborado pelo ONS para caracterização de excedentes energéticos conforme diretrizes da Portaria MME nº 115/2025. O tema envolve diretamente a gestão da inflexibilidade de usinas termelétricas contratadas no Ambiente Regulado (CCEAR) e a lógica de aceite para ofertas de redução dessa inflexibilidade.

Segundo o operador, a metodologia busca zelar pela segurança eletroenergética sem causar impactos tarifários adicionais e sem comprometer a trajetória de armazenamento dos reservatórios. O CMSE entendeu que a abordagem garante coerência com as diretrizes de preservação da energia armazenada e dá mais clareza às condições de uso da geração térmica.

Aversão ao risco: colegiado decide manter percepção vigente para 2026-2027

Outro ponto central do encontro foi a apresentação da proposta de atualização da metodologia de calibração do CVaR, que norteia a aversão ao risco nos modelos computacionais. A atualização incorpora contribuições da última consulta pública conduzida pelo MME, que sinalizou a necessidade de ampliação da previsibilidade na definição da tolerância à CRef e de contabilização dos excessos de geração térmica, além dos déficits.

- Advertisement -

Com base nos resultados do último ciclo hidrológico (2024-2025) e no conjunto de premissas revisadas, o CMSE deliberou pela manutenção da percepção de risco vigente para o próximo ciclo. A decisão, segundo integrantes do colegiado, considera a robustez atual do SIN, os níveis de armazenamento observados e a aderência das projeções hidrológicas apresentadas.

Para aprofundar o debate com agentes e especialistas, o MME e o ONS anunciaram a realização de um workshop em janeiro de 2026 dedicado exclusivamente à nova metodologia de calibração do CVaR. O encontro deve detalhar premissas, procedimentos e impactos esperados, ampliando a transparência das ferramentas que sustentam o planejamento energético.

Desempenho hidrológico e armazenamento mantêm segurança do SIN

O balanço hidrológico apresentado pelo ONS indica que novembro registrou precipitações acima da média nas bacias do Paranapanema, do rio Madeira e nos incrementais de Itaipu e Sobradinho, enquanto as demais bacias tiveram volumes inferiores ao esperado. A Energia Natural Afluente (ENA) ficou abaixo da média histórica em todos os subsistemas do SIN, com destaque para o Nordeste, que registrou apenas 30% da MLT. No fechamento do mês, os níveis de armazenamento alcançaram 42% no Sudeste/Centro-Oeste, 88% no Sul, 45% no Nordeste e 59% no Norte, resultando em cerca de 46% para o conjunto do SIN.

O Cemaden, convidado pelo CMSE, apresentou projeções meteorológicas para dezembro indicando comportamento heterogêneo das chuvas entre bacias, mas sem alteração relevante na percepção geral de risco.

Expansão da infraestrutura e intercâmbios internacionais

A expansão do sistema elétrico continuou avançando em novembro, com a entrada de 186 MW em novas usinas centralizadas, 328 km de novas linhas de transmissão e 2.310 MVA de capacidade adicional de transformação. No acumulado até novembro, o país adicionou 6.751 MW de geração, 4.000 km de linhas e mais de 10.897 MVA de transformação, incluindo as últimas unidades do Complexo Solar Boa Sorte (MG) e a usina fotovoltaica Mauriti 9 (CE).

A CCEE registrou, ainda, exportação de 51 MW médios para a Argentina em setembro, resultando em benefício financeiro de R$ 150 milhões para a Conta Bandeiras. As importações no mesmo período somaram 3,6 MW médios provenientes de Uruguai e Argentina.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias