Mudança histórica reconhece participação dos países do Caribe e fortalece agenda regional de cooperação, segurança energética e desenvolvimento sustentável
A Organização Latino-Americana de Energia (OLADE) entrou oficialmente em uma nova fase institucional ao adotar seu novo nome: Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE). A alteração, que aguardava há quase duas décadas a conclusão dos procedimentos internos dos 27 Estados-Membros, entrou em vigor após a ratificação final realizada pelo Haiti em outubro de 2025.
Com a mudança, a instituição fundada em 1973, em Quito, passa a incorporar explicitamente o Caribe em sua identidade, consolidando uma agenda de integração que se intensificou nos últimos anos e ampliando seu papel como o principal fórum técnico-político para a cooperação energética regional.
Mudança de nome encerra processo iniciado em 2007
A atualização era esperada desde 2007, quando a Reunião de Ministros de Energia aprovou a proposta de emenda ao Artigo 1º da Convenção de Lima. O objetivo era ajustar a denominação da organização à realidade geopolítica de sua composição, que inclui dez países caribenhos.
De acordo com o Artigo 36º da Convenção de Lima, qualquer alteração no texto só entra em vigor após a ratificação total pelos 27 Estados-Membros. O processo avançou lentamente ao longo dos anos, condicionado às tramitações legislativas e aos protocolos nacionais de cada país, até ser definitivamente concluído neste ano.
O secretário executivo da OLACDE, Andrés Rebolledo, afirmou que a mudança de nome reflete um movimento natural da organização rumo a uma identidade mais inclusiva e condizente com sua atuação regional. Antes de sua declaração, a secretaria destacou que o Caribe desempenha papel estratégico na discussão energética das Américas, especialmente em temas como segurança energética, integração elétrica, transição para renováveis e resiliência climática.
“Dez dos países membros da OLADE pertencem à região do Caribe. Portanto, a mudança do nome da Organização reforça sua missão inclusiva e reflete a realidade de um espaço energético regional diversificado que hoje constitui uma comunidade latino-americana e caribenha de cooperação, integração e desenvolvimento sustentável”, destaca Rebolledo.
Ele acrescentou que a nova denominação simboliza um marco para a identidade institucional e para o prestígio internacional da organização.
OLACDE reforça papel técnico-político na transição energética da região
Com a nova identidade, a OLACDE mantém sua função como o órgão intergovernamental de mais alto nível em energia na América Latina e no Caribe. A mudança de nome será gradualmente incorporada a todos os instrumentos oficiais, documentos, bases de dados, plataformas digitais e iniciativas multilaterais coordenadas pela entidade.
A organização também reforçará seu papel em temas considerados prioritários na atual conjuntura regional:
- transição energética justa e inclusiva
- integração elétrica e gasífera transfronteiriça
- segurança energética e resiliência climática
- planejamento energético de longo prazo
- financiamento e articulação de projetos estruturantes
- cooperação regulatória e modernização institucional
O realinhamento nominal ocorre em um momento de forte dinamismo nos mercados de energia da América Latina e do Caribe, impulsionado pelo avanço das renováveis, pela modernização das infraestruturas de redes e pelo reposicionamento da região no debate global sobre segurança energética.
Caribe ganha protagonismo institucional
A inclusão do Caribe na sigla destaca um conjunto de países particularmente vulneráveis às mudanças climáticas e altamente dependentes de combustíveis importados. A OLACDE tem atuado nos últimos anos para apoiar a implantação de sistemas de geração renovável, mecanismos de armazenamento de energia, interconexões regionais e políticas de eficiência energética.
Com a mudança oficial de nome, espera-se que a agenda caribenha ganhe ainda mais visibilidade nos planos regionais de cooperação, especialmente em temas como mitigação de riscos climáticos, redução da dependência de combustíveis fósseis importados, desenvolvimento de sistemas insulares resilientes, financiamento de infraestrutura e modernização da governança energética
Continuidade operacional e fortalecimento institucional
A organização informou que a adoção da nova sigla não altera sua estrutura orgânica, seu mandato internacional nem os instrumentos jurídicos vigentes que regulam a cooperação com os Estados-Membros e com organismos multilaterais.
A OLACDE continuará sediada em Quito, no Equador, e manterá suas linhas de atuação técnicas, incluindo capacitação, planejamento energético, modelagem de sistemas, elaboração de estatísticas e publicações oficiais. A expectativa é de que a mudança fortaleça sua presença institucional em fóruns internacionais e aumente o reconhecimento da região como um bloco articulado em torno de uma agenda energética comum.



