Expansão do gás canalizado é decisiva para a modicidade tarifária e para a competitividade industrial, aponta estudo da Abegás

Investimentos das distribuidoras impulsionaram avanço de 1.000% da malha em 25 anos; expansão, diversificação e produtividade sustentam queda de tarifas e fortalecem industrialização

Um estudo inédito divulgado pela Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) revela a dimensão da transformação em curso na infraestrutura de gás natural no país. Em 25 anos, a malha de distribuição cresceu mais de 1.000%, saltando de 4 mil km em 1999 para mais de 45 mil km em 2024, resultado direto do ciclo de investimentos sustentados pelas concessionárias estaduais.

Elaborado em parceria com a Quantum e a Commit, o levantamento mostra que o gás canalizado passa por uma mudança estrutural, com efeitos diretos sobre a competitividade industrial, a modicidade tarifária e a diversificação energética do Brasil. A expansão da rede, acompanhada de aumento de produtividade acima da média nacional, permitiu consolidar o setor como um dos pilares da chamada “massificação energética”.

Crescimento da rede reduz tarifas e aumenta eficiência

O presidente executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, destaca que o estudo comprova o impacto da expansão das redes sobre a modicidade tarifária. A maior base de clientes e a diluição dos custos fixos permitem reduzir a margem de distribuição, componente central das tarifas cobradas dos consumidores.

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“Este estudo complementa e traz números que comprovam o impacto positivo do setor de distribuição de gás canalizado. O White Paper mostra como os investimentos em distribuição trazem benefícios, incluindo redução tarifária. A indústria em São Paulo, com a Comgás, registrou queda de 38% a 44% na margem de distribuição em 15 anos, e usuários residenciais, redução entre 16% e 18%”, segundo Mendonça.

O levantamento mostra que a produtividade média das distribuidoras cresce entre 3,6% e 4,7% ao ano, desempenho substancialmente superior ao PIB brasileiro. Essa eficiência reforça o papel do gás natural no custo da energia para indústria, comércio e residências.

Potencial residencial permanece subaproveitado

Apesar da expansão da infraestrutura, a penetração no segmento residencial segue baixa: apenas 5% dos domicílios brasileiros têm acesso ao gás canalizado, muito distante dos índices de países vizinhos como Colômbia (65%) e Argentina (59%).

Mesmo em concessões maduras como a Comgás, o atendimento residencial não ultrapassa 14%. A Abegás avalia que ampliar a rede domiciliar é uma das grandes oportunidades de inclusão energética, estímulo econômico e redução de desigualdades regionais.

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Gargalos na oferta e no transporte ameaçam competitividade

O estudo aponta, porém, que a ampliação das redes de distribuição não tem sido acompanhada pela mesma velocidade na expansão da oferta de gás e da infraestrutura de transporte. Esse descompasso limita a conexão de novas indústrias, dificulta a recuperação da demanda reprimida e restringe a interiorização.

“Mesmo em cenários econômicos adversos, as distribuidoras continuam expandindo redes e contribuindo para a geração de empregos. Mas ainda há gargalos na oferta e no transporte que impedem maior aproveitamento do gás e reduzem a capacidade de atendimento a novos mercados”, observa Mendonça.

A Abegás defende uma estratégia coordenada entre União, estados e agentes privados para destravar projetos estruturantes e garantir segurança de suprimento.

Diversificação reduz riscos e estabiliza tarifas

O diretor econômico-regulatório da Abegás, Marcos Lopomo, afirma que estados com maior diversificação entre os segmentos, residencial, comercial, industrial e transporte pesado, apresentam melhor estabilidade tarifária e maior resiliência a crises econômicas.

“Estados mais diversificados, como Rio de Janeiro e São Paulo, sofrem menos impactos de oscilações em setores específicos. A diversificação gera economia de escopo, diluição de custos e viabiliza novos mercados, como o de veículos pesados e a interiorização do gás”, destaca Lopomo.

Efeitos econômicos, ambientais e sociais

Entre 2016 e 2024, o setor investiu R$ 10,9 bilhões, contribuindo para aumento da competitividade industrial, o gás natural chega a ser até 30% mais barato que óleo combustível ou GLP em vários períodos.

Do ponto de vista ambiental:

  • o gás natural emite até 33% menos CO₂ que o óleo,
  • reduz entre 75% e 95% as emissões de NOx em caminhões convertidos,
  • evitou 173 milhões de toneladas de CO₂e desde 1994.

No campo social, a interiorização da rede impulsiona geração de empregos e reduz assimetrias regionais.

Universalização: desafio estratégico e oportunidade econômica

Apesar dos avanços, a universalização permanece muito distante: a penetração média é de 5%, enquanto alguns estados operam abaixo de 2%. Para a Abegás, expandir o acesso ao gás canalizado é essencial para:

  • aumentar a competitividade da indústria,
  • reduzir o custo da energia,
  • estimular investimentos,
  • integrar regiões de baixa infraestrutura.

O estudo conclui que o gás canalizado tem papel estratégico dentro da política energética nacional e que, com oferta ampliada e expansão ordenada do transporte, o Brasil poderá acelerar a massificação do consumo e consolidar uma matriz mais barata, eficiente e sustentável.

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