ANEEL reduz bandeira tarifária para amarela em dezembro, mas mantém alerta sobre custos de geração

Melhora parcial das condições de geração permite recuo da bandeira vermelha, mas acionamento térmico permanece essencial para equilibrar o sistema elétrico

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou nesta sexta-feira (28/11) a mudança da bandeira tarifária de vermelha patamar 1 em novembro para amarela em dezembro, refletindo uma redução no custo variável da geração de energia. A decisão traz alívio imediato ao consumidor: a cobrança adicional cai de R$ 4,46 para R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, uma retração de aproximadamente 58%.

A alteração é resultado de condições de geração consideradas “um pouco mais favoráveis” pela agência, impulsionadas pela entrada do período chuvoso no país. Entretanto, apesar da melhora, o cenário ainda exige atenção, com previsão de volumes de chuva inferiores à média histórica para dezembro e necessidade de manutenção de parte do parque termelétrico em operação para garantir a segurança do suprimento.

Chuva melhora, mas permanece abaixo da média histórica

Com a transição para a estação úmida, a expectativa é de aumento no volume de chuvas sobre as principais bacias hidrográficas do país. A ANEEL indica que dezembro deve registrar precipitações superiores às de novembro em grande parte do território nacional, uma evolução importante após semanas de déficit hídrico.

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No entanto, a agência destaca que esse incremento está abaixo dos níveis médios característicos do período, o que limita o alívio estrutural sobre reservatórios e demanda cautela na operação do sistema elétrico. Em momentos de estiagem prolongada ou variações hidrológicas negativas, o custo de geração tende a aumentar, pressionando o mecanismo das bandeiras tarifárias.

Termelétricas seguem como peça-chave para equilíbrio da oferta

Mesmo com a melhoria parcial nas condições de geração, o acionamento das termelétricas continuará sendo necessário. Elas funcionam como um recurso de segurança, reduzindo o risco de déficit de energia e estabilizando o atendimento aos consumidores, sobretudo em horários de maior demanda.

Esse movimento é consequência direta da combinação entre chuvas irregulares e crescimento no consumo em diversas regiões. Em um cenário de reservatórios ainda em recuperação, as térmicas seguem desempenhando papel estratégico, embora tenham custos operacionais mais elevados, um dos principais fatores que influenciam a ativação da bandeira tarifária amarela.

Geração solar cresce, mas sua intermitência desafia a operação

A expansão da geração solar no Brasil continua expressiva e contribui de forma relevante para o atendimento diário da demanda. No entanto, sua característica intermitente, especialmente durante o período noturno e nos horários de pico, limita o efeito dessa fonte na redução estrutural do custo de operação do sistema.

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A ANEEL reforça que, embora renováveis variáveis reduzam a dependência hidrelétrica em muitos momentos do dia, elas também impõem requisitos adicionais ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que precisa acionar fontes mais estáveis, incluindo térmicas, para manter o equilíbrio entre oferta e demanda.

Uso consciente permanece fundamental

Apesar do alívio tarifário, a ANEEL reforça a importância do consumo responsável de energia elétrica, destacando que práticas simples de eficiência energética contribuem não apenas para reduzir a conta de luz, mas também para a sustentabilidade do setor elétrico como um todo.

Medidas como evitar desperdícios, ajustar o uso de eletrodomésticos e acompanhar o consumo no relógio de energia ajudam a suavizar momentos de pressão sobre o sistema, especialmente em períodos de variabilidade hidrológica e acionamento térmico mais intenso.

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