VoltBras lança Anuário 2025 e apresenta o primeiro raio-X das redes de recarga no Brasil

Estudo inédito detalha economia da operação, maturidade comercial e modelo de investimento dos CPOs, consolidando um mapa nacional da infraestrutura de recarga para veículos elétricos

A transição para a eletromobilidade no Brasil acaba de ganhar um marco inédito. A VoltBras lançou o Anuário VoltBras 2025, o primeiro estudo dedicado exclusivamente a analisar, organizar e comparar os modelos de operação das redes de recarga para veículos elétricos no país. Com abrangência nacional e metodologia estruturada, o material oferece uma visão detalhada sobre economia da recarga, estrutura de capital, maturidade tecnológica e experiência do usuário, pilares essenciais para compreender a trajetória dos Charge Point Operators (CPOs) em um mercado ainda emergente, mas em acelerada expansão.

Fruto de um levantamento primário, o anuário consolida respostas de 56 redes de recarga, presentes em 25 estados e no Distrito Federal, totalizando 1.249 carregadores entre pontos AC e DC. Com segmentação por potência, arranjo de operação e modelo de negócios, o estudo se torna a primeira base pública de inteligência setorial dedicada à infraestrutura de recarga, hoje o principal gargalo para a massificação de veículos elétricos no país.

Infraestrutura ainda desigual, mas caminhando para maturidade operacional

Segundo a VoltBras, o objetivo central do anuário é trazer clareza sobre a real maturidade das redes de recarga e oferecer inteligência prática para orientar investimentos, especialmente em um mercado em que a oferta de eletropostos cresce mais rápido do que a taxa média de utilização.

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Ao analisar os resultados do anuário, Bernardo Durieux, CEO da VoltBras, chamou a atenção para a principal barreira do setor: o desequilíbrio entre o crescimento da frota elétrica e a infraestrutura de recarga. Para ele, o estudo é fundamental para desvendar o racional que impede o investimento em eletropostos.

“A falta de infraestrutura de recarga é o maior gargalo para a massificação de veículos elétricos. Se é uma dor do usuário, por quê empresas não investem em eletropostos? O anuário nos ajuda a entender este racional e aponta um caminho eficiente de potência e demanda de uso”, afirma Durieux.

O estudo confirma que a base AC continua sendo responsável pela capilaridade nacional, sustentando a presença das redes em áreas urbanas e pontos de conveniência. Já os equipamentos DC, embora menos numerosos, começam a formar corredores de longa distância em rodovias estratégicas, principalmente no Sudeste, Sul e alguns trechos do Nordeste.

Economia da operação revela degraus de faturamento e maior disciplina de capital

Um dos capítulos centrais do anuário avalia a economia da operação dos eletropostos, incluindo receita por ponto, custos variáveis, curva de demanda por horário e eficiência do hardware. A análise evidencia que:

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  • o faturamento por carregador cresce conforme a potência aumenta,
  • mas investimentos mais altos nem sempre garantem melhor retorno,
  • e operações com uso abaixo da mediana tendem a sofrer mais com o risco de ociosidade.

Outro destaque é a estrutura de capital das redes de recarga. Muitos operadores ainda dependem majoritariamente de recursos próprios ou co-investimentos locais, um formato que, apesar de restringir escala, aumenta a disciplina na escolha de equipamentos, modelos de atendimento e alocação de CAPEX.

O estudo também mostra que as redes mais maduras planejam ampliar a capacidade instalada nos próximos 12 meses, priorizando regiões com maior densidade de veículos elétricos e corredores estratégicos com tráfego consolidado.

Experiência do usuário se torna eixo decisivo para crescer taxa de uso

A experiência do usuário aparece como uma das áreas mais sensíveis e de maior impacto econômico. O anuário revela desafios recorrentes enfrentados pelas redes, tais como:

  • início da sessão de recarga,
  • instabilidades de conectividade,
  • fluxo de pagamento pouco intuitivo,
  • interoperabilidade limitada entre operadores,
  • necessidade de telemetria mais responsiva e integração com sistemas externos.

A VoltBras destaca que esses pontos, quando não resolvidos, reduzem a taxa de uso, principal variável de retorno para um eletroposto. Durieux reforça essa visão ao explicar por que a jornada digital é tão importante.

“A taxa de uso dos eletropostos é o fator chave para o retorno do investimento dos equipamentos. Entender o comportamento do usuário, seus anseios e dores nos faz aumentar esta taxa. Desbloqueio do carregador na primeira tentativa, sistemas de pagamento robustos e seguros, além de experiência fluida, potencializam muito os ganhos para os operadores”, complementa Durieux.

Benchmark exclusivo para redes que abriram dados ao estudo

O Anuário VoltBras 2025 será distribuído exclusivamente às redes que participaram do levantamento e a parceiros institucionais. O modelo de acesso, segundo a empresa, busca criar um ciclo virtuoso: quem compartilha dados sensíveis recebe em troca um benchmark aprofundado para embasar decisões de expansão, evolução de portfólio, priorização de regiões e escolha de potências.

O estudo, portanto, se consolida como o primeiro diagnóstico completo das redes de recarga no Brasil, fornecendo informações estratégicas para operadores, investidores, montadoras, integradores e formuladores de políticas públicas, todos atores fundamentais na transição para a mobilidade elétrica.

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