Estudo técnico-econômico indica adoção inédita da tecnologia no SIN e prevê até R$ 7 bilhões em investimentos em transmissão no Mato Grosso do Sul
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou oficialmente o estudo “Interligação Internacional Brasil–Bolívia (Etapa I)”, que analisa a viabilidade técnica e econômica de conectar o Sistema Interligado Nacional (SIN) ao sistema elétrico boliviano. A principal recomendação do documento é a utilização de uma conversora VSC (Voltage Source Converter), tecnologia inédita no SIN, para permitir a interconexão entre os dois países, que operam com frequências distintas (60 Hz no Brasil e 50 Hz na Bolívia).
A iniciativa integra o Grupo de Trabalho binacional Brasil–Bolívia, responsável por discutir cooperação em hidroeletricidade, gás natural e eletricidade. No âmbito elétrico, a proposta de interligação surge como um passo para fortalecer a segurança energética regional, melhorar a flexibilidade operativa e abrir espaço para o intercâmbio de energia entre os países.
Integração energética avança com estratégia de longo prazo entre os países
A conexão entre os sistemas elétricos brasileiro e boliviano faz parte de uma agenda mais ampla de integração energética coordenada pelos dois governos. No eixo elétrico, o estudo da EPE fornece as bases técnicas para avaliar não apenas a viabilidade da interligação, mas também seus impactos sobre confiabilidade, intercâmbio de potência e expansão do sistema de transmissão nacional.
O documento aponta que a interligação internacional deve operar em conjunto com uma expansão relevante da infraestrutura de transmissão no Mato Grosso do Sul, considerada necessária para absorver o intercâmbio energético futuro e garantir segurança operativa.
Expansão do sistema de transmissão no MS: novo eixo de 500 kV
Um dos destaques do estudo é a recomendação de implantação de um novo nível de tensão na rede básica do Mato Grosso do Sul, com a criação de um eixo de transmissão em 500 kV conectando o estado às redes de Goiás e Paraná.
A medida tem como objetivos principais:
- Aumentar a margem de conexão de novas usinas, especialmente renováveis;
- Elevar a confiabilidade do atendimento elétrico no MS;
- Reforçar a interligação entre os subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste, considerados estratégicos para a segurança energética nacional.
Segundo o estudo, o conjunto de obras previstas representa cerca de R$ 7 bilhões em investimentos, distribuídos entre reforços estruturais, novas linhas e subestações.
Por que a VSC foi escolhida: flexibilidade e estabilidade para sistemas distintos
A conversora VSC, recomendada pela EPE, foi selecionada após uma avaliação técnico-econômica detalhada, que comparou o desempenho de diferentes tecnologias disponíveis, incluindo a LCC (Line Commutated Converter), mais tradicional em sistemas HVDC.
O processo envolveu consultas a fabricantes e análises de desempenho para integração de sistemas com características operativas distintas. A adoção da VSC foi motivada por vantagens como:
- Controle mais preciso do fluxo de potência;
- Maior flexibilidade para operações em sistemas fracos;
- Melhor capacidade de suporte de tensão;
- Estabilidade reforçada em contingências;
- Possibilidade de operação independente de tensão e frequência locais, essencial para interligar redes com diferentes frequências.
De acordo com o estudo, o emprego da tecnologia representa um avanço estratégico para o SIN, abrindo espaço para novos modelos de interconexão internacional e para maior integração de renováveis no futuro.
Integração internacional como vetor de segurança e desenvolvimento
Ao propor a conexão Brasil–Bolívia, a EPE projeta benefícios que transcendem a engenharia elétrica. A interligação poderá gerar ganhos bilaterais em Segurança energética, Otimização do uso de recursos hidráulicos, Desenvolvimento econômico regional e Integração de mercados e competitividade.
O documento ressalta que a integração elétrica é um dos pilares estratégicos para fortalecer a cooperação energética entre os países e contribuir para a diversificação das matrizes e para a resiliência operativa do Cone Sul.



