Competitividade e Deságios Marcam Leilões de Energia Existente; Enel Lidera Compra e Venda de Contratos de R$ 6,5 Bilhões

Certames A-1, A-2 e A-3 registram forte competição, deságios relevantes e predominância de oferta nordestina em contratos de curto e médio prazo

Os leilões A-1, A-2 e A-3 de energia existente, realizados nesta sexta-feira (14), pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), movimentaram R$ 6,48 bilhões e reforçaram a dinâmica competitiva do mercado regulado no curto e médio prazos. Com preço médio consolidado de R$ 207,81/MWh e deságio médio de 15,45%, os certames evidenciaram o equilíbrio entre oferta e demanda, ao mesmo tempo em que destacaram o papel crescente das comercializadoras e distribuidoras na formação de preços.

Foram negociados 31.189 GWh, provenientes de 42 vendedores, em uma disputa marcada pela forte presença de fontes do Nordeste e pela concentração da demanda nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A Enel se destacou dos dois lados: liderou as vendas por meio da Enel Trading e figurou como principal compradora por meio de suas distribuidoras em São Paulo e Ceará.

Competitividade elevada marca o A-1, com forte deságio e liderança da Enel Trading

O leilão A-1 foi o mais competitivo entre os três certames. Com 14 vencedores, a disputa resultou na venda de 600 MW médios ao preço médio de R$ 205,74/MWh, o que representa um deságio expressivo de 26,52% frente ao preço-teto de R$ 280/MWh definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No total, foram negociados 10.519 GWh, movimentando R$ 2,1 bilhões.

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Toda a energia contratada no A-1 teve origem no Nordeste, reforçando o papel da região como centro estratégico da geração nacional. A Enel Trading liderou as vendas com 274 MW médios, seguida pela Auren, com 115,4 MW médios.

Do lado comprador, mais uma vez a demanda se concentrou nas distribuidoras do Sudeste. A Enel São Paulo foi responsável por 294 MW médios da energia adquirida, seguida pela Enel Ceará (99 MW médios) e pela CPFL Paulista (55 MW médios).

Engie assume protagonismo no A-2, que alcança R$ 2,275 bilhões transacionados

O leilão A-2 também registrou 14 vencedores, com venda total de 631,4 MW médios ao preço médio de R$ 206,70/MWh, equivalente a um deságio de 14,42% em relação ao teto de R$ 240/MWh. O certame movimentou 11.077 GWh e transacionou R$ 2,275 bilhões.

A Engie foi a maior vendedora, com 183,7 MW médios, seguida pelo BTG Pactual, que comercializou 150 MW médios. Assim como no A-1, a predominância da oferta veio do Nordeste, com apenas um produto da Enel Trading ofertado a partir do Norte.

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A demanda esteve distribuída entre 10 distribuidoras, com destaque novamente para Enel São Paulo (151 MW médios), Enel Ceará (105,8 MW médios), Light (100 MW médios) e Amazonas Energia (99,9 MW médios). Os contratos entram em vigor em janeiro de 2027.

A-3 encerra o ciclo com menor deságio e reforço da Enel Trading como fornecedora

Com menor deságio entre os três certames, o A-3 movimentou R$ 2,042 bilhões na venda de 546,8 MW médios. O preço médio foi de R$ 212,88/MWh, o que corresponde a uma diferença de apenas 0,99% abaixo do preço-teto de R$ 215/MWh. Ao todo, foram negociados 9.593 GWh.

A oferta, mais uma vez, foi majoritariamente oriunda do Nordeste, com exceção de dois produtos provenientes do Norte, um da Enel Trading e outro da Czarnikow. A Enel Trading foi novamente a maior vendedora, com 225,8 MW médios. Em seguida aparecem Engie (86 MW médios) e BTG Pactual (70 MW médios).

Seis distribuidoras participaram como compradoras, com destaque para Enel São Paulo, que contratou 196 MW médios. CPFL Paulista (127,2 MW médios) e Enel Ceará (122 MW médios) também tiveram participação expressiva. Os contratos iniciam suprimento em janeiro de 2028.

Panorama consolidado: Nordeste se afirma como polo de geração e Sudeste concentra demanda

Os três leilões reforçam tendências recorrentes no mercado regulado brasileiro:

  • Predominância do Nordeste como principal origem da energia contratada, resultado da maturidade das fontes renováveis e da robusta expansão eólica e solar na região.
  • Concentração da demanda no Sudeste/Centro-Oeste, onde se encontram os maiores centros de carga do país.
  • Atuação estratégica da Enel, que ampliou sua presença tanto no fornecimento quanto na aquisição de energia, consolidando posição relevante na dinâmica de curto e médio prazos.

Com deságios competitivos e forte liquidez, os certames reforçam confiança no marco regulatório brasileiro e na capacidade de resposta do mercado às necessidades das distribuidoras.

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