ONS revisa para cima a previsão de crescimento da carga de energia em novembro e projeta melhora nos reservatórios

Expectativa de aumento na demanda e no nível dos reservatórios das hidrelétricas reflete cenário de recuperação do consumo e melhores condições hidrológicas nas regiões Sudeste e Norte, segundo novo boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou para cima sua projeção de crescimento da carga de energia no Brasil para novembro de 2025, em mais um sinal de recuperação do consumo e de estabilidade na operação do sistema.

De acordo com o novo boletim divulgado nesta sexta-feira (7), o ONS estima agora um aumento de 1,4% na carga, totalizando 82.358 megawatts médios (MWmed), ante alta de 0,9% prevista na semana anterior.

A revisão positiva reflete tanto o avanço gradual da atividade econômica quanto as temperaturas mais elevadas típicas do período pré-verão, fatores que impulsionam a demanda por energia elétrica, especialmente nas regiões urbanas e industriais. O indicador é um dos principais termômetros do comportamento do consumo e da confiabilidade do sistema elétrico nacional.

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Reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste devem encerrar novembro em alta

O boletim também trouxe boas notícias em relação às condições hidrológicas. O ONS elevou sua previsão para os níveis dos reservatórios das principais hidrelétricas do país, projetando agora que os lagos do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por cerca de 70% da capacidade de armazenamento do Brasil, devem atingir 44,4% de volume útil ao final de novembro, ante 43,1% estimados na semana anterior.

A melhora é resultado direto da atualização nas expectativas de chuvas (energia natural afluente, ENA) que devem alcançar 82% da média histórica, contra 71% previstos anteriormente. O volume maior de afluências reforça o cenário de estabilidade no atendimento à demanda e reduz a necessidade de despacho térmico, contribuindo para moderação dos custos de geração e tarifas no curto prazo.

Norte apresenta melhora expressiva; Sul e Nordeste têm ajustes negativos

Outro destaque do boletim foi a melhora significativa nas projeções de chuvas para o subsistema Norte, onde a ENA passou de 64% para 80% da média. A região, que concentra parte relevante da geração hidrelétrica de base, tende a operar em condições mais confortáveis de armazenamento e contribuir com a segurança energética nacional durante o período úmido.

Em contrapartida, o ONS revisou para baixo as expectativas para o Nordeste e o Sul. No primeiro, a previsão caiu de 40% para 36% da média histórica, o que pode demandar maior intercâmbio de energia com o Sudeste. Já no Sul, as chuvas foram revistas de 105% para 82%, ficando abaixo da média, reflexo de um regime irregular que ainda marca o comportamento climático da região.

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Apesar das reduções, o operador não vê risco para o equilíbrio energético. A interligação dos sistemas regionais, somada ao aumento das fontes renováveis como solar e eólica, garante a resiliência e flexibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Perspectivas e impacto no planejamento energético

O novo boletim do ONS é um indicativo positivo para o planejamento energético brasileiro, pois combina aumento de demanda com melhora na oferta hídrica, um equilíbrio fundamental para a confiabilidade e modicidade tarifária.

A elevação da carga em 1,4% reforça a retomada gradual do consumo de energia em setores produtivos e comerciais, enquanto os níveis dos reservatórios mostram evolução compatível com o início do período úmido nas principais bacias do país.

Esses fatores fortalecem a expectativa de estabilidade operacional no encerramento de 2025 e oferecem subsídios para a estratégia de despacho e gestão de recursos hídricos nas próximas semanas, permitindo que o ONS ajuste suas projeções de curto prazo com base em dados mais consistentes.

O comportamento da ENA, indicador-chave do setor elétrico, continuará sendo monitorado de perto, especialmente nas regiões Nordeste e Sul, que ainda dependem de uma recuperação mais sólida das chuvas.

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