Ao lado de Lula e Macron, ministro Alexandre Silveira destaca protagonismo do país na transição energética e abre novas frentes de cooperação em hidrogênio, biocombustíveis e minerais estratégicos
Durante a Cúpula de Líderes da COP30, realizada nesta quinta-feira (6/11) em Belém (PA), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um encontro com o presidente da França, Emmanuel Macron, reforçando o papel do Brasil como liderança global em energia limpa.
O diálogo bilateral reafirmou o protagonismo do país na transição energética, ao mesmo tempo em que consolidou novas frentes de cooperação entre Brasil e França em temas estratégicos como energia nuclear, hidrogênio de baixa emissão, biocombustíveis e minerais críticos, setores considerados essenciais para a descarbonização global e a diversificação tecnológica da matriz energética.
Transição energética e segurança do sistema elétrico no centro das discussões
No encontro, o ministro Alexandre Silveira destacou as ações do governo brasileiro para garantir segurança e estabilidade ao sistema elétrico, especialmente em um contexto de expansão das fontes renováveis e necessidade de mitigação de variações sazonais na geração.
“Nosso compromisso é garantir segurança, eficiência e competitividade à energia elétrica no país, tornando a transição energética acessível a toda a população”, afirmou Silveira, durante a reunião com o presidente Macron.
O ministro apresentou as iniciativas conduzidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para mitigar os cortes de geração renovável e minimizar os impactos aos geradores e consumidores, reforçando a importância da modernização das redes elétricas e da integração regional como instrumentos para a transição energética justa e inclusiva.
Com 89% da matriz elétrica proveniente de fontes limpas, o Brasil é o país mais renovável entre as nações do G20. Além disso, o Sistema Interligado Nacional (SIN), o maior do mundo, conecta todas as regiões do território brasileiro, garantindo equilíbrio entre oferta e demanda de energia e permitindo uma gestão eficiente da geração renovável.
Energia nuclear e o avanço de Angra 3 no centro da cooperação
Entre os temas estratégicos da reunião, a ampliação da cooperação em energia nuclear foi um dos pontos centrais da agenda bilateral. O diálogo entre os dois países tem como meta fortalecer a parceria tecnológica e institucional necessária para a conclusão da usina Angra 3, empreendimento considerado fundamental para a segurança energética e a diversificação da matriz elétrica brasileira.
A França, referência mundial em tecnologia nuclear, sinalizou interesse em ampliar o intercâmbio técnico e científico com o Brasil, tanto na área de geração elétrica quanto em projetos de pesquisa e inovação voltados à segurança e eficiência dos reatores.
O governo brasileiro, por sua vez, enxerga a cooperação como instrumento estratégico de soberania energética, capaz de reduzir vulnerabilidades e reforçar a capacidade nacional de geração estável e de baixo carbono.
Brasil apresenta avanços em biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão
Outro ponto de convergência entre Brasil e França é o fortalecimento das políticas de biocombustíveis e de hidrogênio de baixa emissão. Silveira destacou os marcos recentes do país no setor, como a mistura de 30% de etanol à gasolina (E30), o B15 (mistura de biodiesel ao diesel) e o mandato do combustível sustentável de aviação (SAF), previsto para 2026.
Essas medidas posicionam o Brasil como um dos líderes mundiais em tecnologias de descarbonização do transporte, com oportunidades crescentes de cooperação internacional e investimentos cruzados em setores de aviação e navegação sustentáveis.
O governo francês, que tem priorizado a descarbonização de seus modais de transporte, vê o Brasil como parceiro estratégico na expansão do hidrogênio verde e no uso de biocombustíveis avançados.
Minerais estratégicos: agregando valor às reservas brasileiras
A reunião também abordou o fortalecimento da parceria bilateral em minerais estratégicos e terras raras, essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, painéis solares e baterias elétricas.
Silveira ressaltou que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e grafita, e destacou o compromisso do país em transformar suas reservas naturais em cadeias produtivas de alto valor agregado, com tecnologia, inovação e sustentabilidade.
“Queremos transformar nossas reservas em oportunidades de desenvolvimento industrial e tecnológico, contribuindo para a transição energética global”, afirmou Silveira, destacando a importância da cooperação científica e comercial com a França para acelerar a industrialização verde do setor mineral.
Essa agenda converge com as prioridades da COP30, que têm enfatizado o papel dos minerais críticos como elemento-chave para o avanço das energias renováveis e para a redução da dependência de combustíveis fósseis.
Aliança estratégica e liderança global em energia limpa
O encontro entre Lula e Macron, com participação de Alexandre Silveira, reforça a visão de que Brasil e França compartilham uma agenda energética convergente, voltada à inovação, sustentabilidade e cooperação tecnológica.
As discussões da COP30 consolidam o papel do Brasil como potência energética renovável, destacando o país como referência global em políticas de descarbonização e desenvolvimento industrial sustentável.
Com o avanço dessas parcerias, o governo brasileiro busca não apenas fortalecer laços diplomáticos, mas também atrair investimentos de longo prazo e posicionar o país como exportador de soluções energéticas e tecnológicas para o mundo.



