Publicação destaca expansão consistente da cadeia do cobre no Brasil, com crescimento médio anual de 6,6%, aumento na produção de condutores elétricos e fibras óticas e nova seção sobre acidentes elétricos e informalidade no setor
O Anuário SINDICEL 2025 chega ao mercado como uma das mais completas análises da cadeia produtiva do cobre e dos condutores elétricos no Brasil. Publicado pelo Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilados e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo (SINDICEL), o levantamento traz uma série histórica inédita, cobrindo o período de 2007 a 2024, e inclui novos recortes sobre acidentes elétricos, mercado ilegal de fios e cabos, e indicadores sociais.
Os dados revelam que a produção nacional de minério de cobre cresceu 1,8% em 2024, mantendo uma taxa média anual de 6,6% e acumulando uma alta de 196,1% desde 2007. O desempenho confirma a importância do cobre como insumo essencial para o setor elétrico e para a transição energética, diante da crescente demanda por redes, eletroeletrônicos, veículos elétricos e infraestrutura digital.
“O Anuário é uma ferramenta essencial para orientar decisões estratégicas em toda a cadeia de condutores elétricos. Ao integrar dados atualizados, análises econômicas e indicadores sociais, conseguimos fornecer um panorama completo do setor, contribuindo para a formulação de políticas públicas e para o fortalecimento da indústria nacional”, destaca Enio Rodrigues, diretor executivo do SINDICEL.
Metodologia robusta e novas dimensões analíticas
A edição 2025 atualiza a metodologia de coleta e projeção de dados, com base em fontes como IBGE, Secretarias Estaduais da Fazenda, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Ministério do Trabalho e Emprego, além de informações internacionais do US Geological Survey e do Federal Reserve de St. Louis (EUA).
A consultoria Ex Ante foi responsável pela análise técnica e pela consolidação das séries históricas. Já as informações sobre acidentes elétricos vieram da Abracopel, enquanto os dados sobre informalidade foram estimados diretamente pelo SINDICEL.
A grande novidade da edição é a inclusão de um capítulo sobre o mercado ilegal de fios e cabos elétricos, um problema crescente que impacta a segurança, a arrecadação fiscal e a competitividade da indústria formal. O anuário também traz um panorama sobre fibras óticas, cuja produção cresceu 8,7% em 2024 e registrou expansão média anual de 24,6% entre 2007 e 2024, evidenciando a digitalização acelerada da economia.
Cobre e condutores: motores da infraestrutura elétrica
Entre os produtos derivados do cobre, o desempenho dos condutores elétricos foi um dos grandes destaques. O consumo aparente de condutores de cobre avançou 20,2% em 2024, revertendo a queda observada no ano anterior. Desde 2007, o crescimento médio anual foi de 8,3%, superando a taxa de produção (3,1%).
No mesmo período, o consumo de condutores de alumínio aumentou ainda mais, 21,7% em 2024, e 76,3% de crescimento acumulado desde 2007, consolidando-se como uma alternativa competitiva em segmentos de transmissão e distribuição de energia.
A produção de semimanufaturados de cobre também apresentou alta significativa de 11,4% em 2024, impulsionada pelo segmento de fios de cobre, que acumulou crescimento de 23,1% entre 2012 e 2024.
Esses números refletem um mercado que se beneficia da expansão da infraestrutura elétrica e da reindustrialização verde, mas que enfrenta desafios de custo e competitividade global.
Valor econômico e impacto social da cadeia do cobre
O PIB da cadeia produtiva do cobre atingiu R$ 15,986 bilhões em 2022, o equivalente a 1,2% da indústria nacional. A mineração respondeu por 64,6% da renda do setor, a metalurgia por 12,5%, e os bens transformados, como fios, cabos e componentes, por 22,9%.
O anuário também lança luz sobre o perfil social da força de trabalho. As mulheres representam 13,2% dos empregos formais, com remuneração média 7% superior à dos homens. Outro destaque positivo é a baixa rotatividade, com mais da metade dos trabalhadores permanecendo há mais de cinco anos no setor.
Essa estabilidade demonstra que a cadeia do cobre não apenas movimenta a economia, mas também gera empregos de qualidade e de longo prazo.
Desafios e oportunidades para 2025
O relatório destaca que o consumo aparente de cobre refinado caiu 0,5% ao ano entre 2012 e 2024, um sinal de que o Brasil ainda consome menos cobre per capita do que as grandes economias industriais. Essa defasagem, no entanto, pode representar uma oportunidade estratégica, considerando o papel crescente do metal na transição energética e na eletrificação da economia.
Com o preço internacional do cobre crescendo 1,5% ao ano entre 2007 e 2024, e produtos como tubos e canos de cobre registrando aumento médio de 3,8% ao ano nos Estados Unidos, o cenário global se mostra favorável à expansão da produção e à agregação de valor na indústria nacional.
Para 2026, o SINDICEL aposta na continuidade dos investimentos em tecnologia, sustentabilidade e combate à informalidade como vetores-chave para a competitividade da cadeia do cobre e dos condutores elétricos.



