Com tecnologia BESS instalada no Complexo Eólico Tanque Novo, parceria busca reduzir curtailment, otimizar o uso da energia gerada e fortalecer a integração das fontes renováveis ao sistema elétrico nacional
O avanço da energia eólica no Brasil coloca o país entre os líderes mundiais em geração renovável. No entanto, a intermitência dos ventos e as restrições de escoamento da rede ainda representam desafios significativos para a plena utilização dessa fonte. Em um movimento que reflete o amadurecimento tecnológico do setor, a CGN Brasil Energia e a Goldwind anunciaram uma parceria estratégica para implantar um projeto-piloto de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Complexo Eólico Tanque Novo, localizado na Bahia.
O acordo foi firmado durante evento em São Paulo (SP). A iniciativa marca um passo importante rumo à consolidação de sistemas híbridos e inteligentes no país, capazes de armazenar o excedente de geração e devolver energia à rede em momentos de restrição, aumentando a eficiência e a confiabilidade operacional das usinas.
Projeto-piloto Tanque Novo BESS: tecnologia a serviço da estabilidade do sistema
Este projeto inovador contará com um sistema BESS de 745 kW de potência e 1,49 MWh de capacidade, a ser instalado em uma das turbinas do parque eólico baiano. A principal função do sistema é mitigar o curtailment (a interrupção da geração por limitações da rede elétrica), capturando a energia excedente produzida em períodos de alta produção. Assim, a energia armazenada pode ser liberada de forma estratégica e eficiente, maximizando o aproveitamento da fonte renovável dentro dos limites contratuais.
O projeto faz parte da estratégia conjunta das duas empresas para avaliar em ambiente real de operação soluções que fortaleçam a estabilidade, flexibilidade e eficiência do Sistema Interligado Nacional (SIN). A proposta está alinhada às tendências globais de digitalização e integração entre geração, armazenamento e redes inteligentes.
Inovação e compromisso com a transição energética
Para a CGN Brasil Energia, o armazenamento de energia representa um eixo central da descarbonização e da modernização do setor elétrico.
“O armazenamento de energia é um dos pilares da transição energética e uma ferramenta essencial para o aproveitamento integral do potencial renovável do Brasil. Este projeto demonstra o compromisso da CGN com a inovação e com o desenvolvimento sustentável do setor elétrico brasileiro”, afirma Isabela Barata, gerente de Desenvolvimento de Negócios da CGN Brasil Energia.
A empresa, subsidiária do grupo chinês CGN Energy International Holdings, tem ampliado sua atuação em soluções integradas e tecnológicas, buscando fortalecer a presença em geração renovável no Brasil. O Tanque Novo BESS reforça esse posicionamento como um marco na adoção de sistemas de armazenamento em projetos eólicos.
Parceria sino-brasileira impulsiona novas fronteiras tecnológicas
A Goldwind, uma das maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, traz para o projeto sua experiência em sistemas avançados de controle e armazenamento. Para a companhia, o projeto é mais do que uma colaboração comercial, trata-se de um campo de aprendizado técnico e regulatório que poderá orientar futuras aplicações em larga escala no Brasil.
“É uma grande oportunidade firmar essa parceria com a CGN Brasil Energia em um projeto pioneiro que une tecnologia de ponta e experiência operacional. O sistema de baterias de 745 kW / 1,49 MWh foi desenvolvido para oferecer confiabilidade, segurança e flexibilidade, contribuindo diretamente para a redução do curtailment e a maximização da entrega de energia limpa”, destaca Liang Xuan, general manager da Goldwind Brazil.
A colaboração reforça o papel das empresas chinesas no desenvolvimento do mercado brasileiro de energia renovável, ao mesmo tempo em que posiciona o país como plataforma de inovação para soluções de armazenamento em ambiente tropical e de grande variabilidade de ventos.
Impacto estratégico e próximos passos
De caráter experimental, o Tanque Novo BESS deve gerar aprendizados valiosos sobre o comportamento das baterias em operação contínua, custos de integração e desempenho sob condições reais de rede. Além disso, os dados obtidos poderão subsidiar discussões regulatórias junto à ANEEL e ao ONS, ampliando o espaço para o uso de sistemas de armazenamento em empreendimentos renováveis no Brasil.
A expectativa é que o projeto contribua para acelerar a adoção de modelos híbridos, combinando geração eólica, solar e baterias, capazes de equilibrar a oferta e a demanda em um cenário de crescente participação das fontes variáveis.



