Em reunião com fundos internacionais que somam US$ 17 trilhões em ativos, Lula e Alexandre Silveira defendem modelo de mineração responsável e criação de políticas para minerais críticos e estratégicos
O Palácio do Itamaraty, em Brasília, foi palco nesta quinta-feira (30/10) de uma das reuniões mais relevantes do ano para o setor mineral brasileiro. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com representantes da Comissão Global de Investidores Mining 2030, reforçou o posicionamento do Brasil como potência mineral sustentável e ator estratégico na transição energética mundial.
A Mining 2030 é uma iniciativa que reúne 85 instituições financeiras internacionais, entre fundos, bancos e investidores institucionais, que administram mais de US$ 17 trilhões em ativos. O grupo busca alinhar práticas de investimento e governança global com critérios de sustentabilidade, responsabilidade social e rastreabilidade da cadeia mineral.
O evento contou ainda com a presença dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), simbolizando a transversalidade da agenda mineral na política econômica e industrial brasileira.
Silveira: “A riqueza do subsolo deve se traduzir em desenvolvimento para toda a sociedade”
Durante a reunião, o ministro Alexandre Silveira destacou o papel estratégico do Brasil no cenário global, especialmente diante do crescimento da demanda por minerais críticos, como lítio, cobre, níquel, manganês e grafita, essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos e tecnologias de energia limpa.
“Conduzimos nossa política mineral garantindo que a riqueza do subsolo se traduza em desenvolvimento para toda a sociedade. Nosso objetivo é destravar projetos de mineração responsáveis e promover competitividade, agregando valor à produção nacional com base em responsabilidade social e ambiental”, afirmou Silveira.
O ministro enfatizou que o Brasil está construindo uma nova governança institucional para o setor mineral, centrada no Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), criado pelo Governo Federal e integrado por 18 ministros de Estado. O órgão é responsável por coordenar políticas públicas, definir diretrizes estratégicas e articular investimentos públicos e privados em mineração sustentável.
Mineração responsável como vetor de soberania e inovação
A fala de Silveira reforçou uma visão de mineração aliada ao desenvolvimento sustentável, rompendo com o paradigma histórico de exploração predatória. Segundo o ministro, o país combina legislação ambiental robusta, matriz energética predominantemente renovável e potencial geológico estratégico, o que o coloca em posição privilegiada para atrair investimentos sustentáveis.
“O Brasil é uma potência mineral comprometida com as melhores práticas de sustentabilidade, com uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e uma matriz energética limpa e renovável”, afirmou.
Com esse posicionamento, o governo busca consolidar o conceito de soberania mineral sustentável, no qual o aproveitamento dos recursos naturais é tratado como instrumento de política industrial e de transição energética, e não apenas como commodity de exportação.
Conselho de Minerais Críticos reforça a estratégia de soberania nacional
Silveira também destacou que o Brasil está estruturando o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos, um novo órgão voltado a assegurar soberania e interesse nacional na produção e comercialização desses insumos essenciais à economia verde.
“O Conselho de Minerais Críticos e Estratégicos será destinado a assegurar soberania e interesse nacional na produção desses recursos e a orientar parcerias internacionais estratégicas”, explicou o ministro.
A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que vem sendo construída pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em parceria com o Congresso Nacional e com o setor produtivo.
O objetivo é criar mecanismos de governança, rastreabilidade e agregação de valor local, garantindo que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima, mas também produtor de tecnologia e de bens de alto valor agregado.
A agenda Mining 2030 e o papel do Brasil na transição energética
A Comissão Global de Investidores Mining 2030, presidida por Adam C.T. Matthews, do Fundo de Pensão da Igreja Anglicana, é uma das principais iniciativas internacionais voltadas à responsabilidade socioambiental no setor mineral.
A comissão propõe padrões de investimento responsável, transparência na cadeia de fornecimento e mitigação de impactos ambientais e sociais em atividades extrativas. A reunião no Itamaraty representou o reconhecimento internacional do protagonismo do Brasil na governança mineral, em um momento em que o mundo busca diversificar fornecedores e reduzir dependências geopolíticas na cadeia de minerais críticos.
Com reservas expressivas de níquel, cobre, manganês, nióbio, grafita e lítio, o Brasil tem capacidade de atender parte relevante da demanda global por insumos da transição energética, consolidando-se como fornecedor estratégico para cadeias de energia limpa e tecnologia industrial.
Política mineral e o novo papel geopolítico do Brasil
O encontro no Itamaraty reforça a aposta do governo brasileiro em posicionar a mineração como pilar de soberania nacional e instrumento de desenvolvimento sustentável.
A presença conjunta de Lula, Alckmin, Silveira e Haddad demonstra uma abordagem interministerial, na qual energia, indústria, meio ambiente e diplomacia caminham de forma integrada. Ao mesmo tempo, o diálogo com fundos internacionais sinaliza uma abertura para investimentos sustentáveis, com ênfase em responsabilidade social, transparência e governança ambiental (ESG).
O Brasil, ao articular o discurso da sustentabilidade com uma política de soberania mineral, busca atrair capital de longo prazo, fortalecer cadeias produtivas nacionais e inserir o país no centro da nova geopolítica da energia limpa.
Rumo a uma mineração de baixo carbono e alto valor agregado
O governo aposta em um modelo de mineração que una competitividade, inovação e baixo impacto ambiental. A expectativa é que a combinação entre governança institucional, regulamentação ambiental moderna e incentivos à industrialização de minerais críticos consolide o país como referência global em mineração sustentável.
Para o MME, a agenda mineral é estratégica para a transição energética e industrial do Brasil, articulando-se com políticas de hidrogênio verde, mobilidade elétrica e reindustrialização verde. Com o fortalecimento de conselhos e a atração de investidores de perfil ESG, o país avança rumo a uma nova economia mineral, que concilia soberania, responsabilidade ambiental e geração de valor nacional.



