Acordo sela a criação de uma base tecnológica e de capacitação em Areia Branca (RN) e reforça o protagonismo do estado na nova fronteira energética brasileira, com foco em pesquisa, inovação e formação profissional para o setor eólico marítimo
O SENAI do Rio Grande do Norte, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) assinaram, nesta terça-feira (28), um acordo de cooperação técnica e científica que promete acelerar o desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil.
A parceria estabelece a instalação de uma base tecnológica e infraestrutura de ensino no município de Areia Branca (RN), região estratégica que já abriga o Porto-Ilha, ponto central das operações logísticas e salinas do estado. O espaço será dedicado à pesquisa aplicada, inovação e capacitação profissional, além de servir como base operacional do projeto-piloto de energia eólica offshore, o primeiro do país a obter licença prévia do Ibama.
Segundo os organizadores, o acordo tem como propósito formar mão de obra especializada, estimular o desenvolvimento de fornecedores nacionais e gerar conhecimento técnico sobre as condições da Margem Equatorial brasileira, considerada uma das regiões mais promissoras do mundo para a geração de energia eólica no mar.
Estrutura e objetivos: pesquisa, inovação e qualificação profissional
De acordo com Rodrigo Mello, diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, o projeto representa um passo decisivo para consolidar a cadeia produtiva da energia offshore no país. “Nós estamos projetando um espaço para o gerenciamento da implantação da nossa planta-piloto – o primeiro projeto de energia eólica offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama – e para que possamos não só intensificar pesquisas sobre esse recurso energético, mas também capacitar pessoas e empresas, com vistas ao desenvolvimento de recursos humanos e de uma cadeia nacional de fornecedores para atender a essa nova indústria”.
As atividades de qualificação técnica e formação empresarial devem começar já em 2026, abrangendo profissionais das comunidades locais e empresas do setor.
A área cedida pela Codern, localizada a 330 km de Natal, será destinada à instalação de laboratórios, dispositivos experimentais e salas de aula, além de abrigar infraestruturas de P&D para coleta de dados anemométricos e meteoceanográficos, informações cruciais sobre vento, ondas, correntes e marés, que embasam os estudos sobre o potencial offshore.
Segundo Antonio Medeiros, coordenador de Pesquisa & Desenvolvimento do ISI-ER, o espaço servirá também como plataforma para o desenvolvimento de novas tecnologias, como sistemas de transmissão subaquática de energia, ampliando a capacidade de inovação do instituto.
Codern reforça papel estratégico no desenvolvimento sustentável
O acordo também reforça o reposicionamento da Codern como agente ativo do desenvolvimento sustentável e tecnológico do Rio Grande do Norte.
“Essa parceria marca um novo capítulo para a Codern e para o Rio Grande do Norte. A área em Areia Branca, que antes era utilizada para atividades operacionais ligadas ao Porto-Ilha, passa agora a integrar um esforço conjunto com o SENAI-RN e o ISI-ER em prol da pesquisa, inovação e formação de profissionais para o setor de energia eólica offshore”, destacou o diretor-presidente da companhia, Paulo Henrique Macedo.
Ele complementou que o projeto vai gerar conhecimento, qualificação e novas oportunidades econômicas, fortalecendo o estado como referência nacional em energia eólica offshore.
Governo e setor privado celebram avanço tecnológico e econômico
Durante a assinatura do acordo, realizada em São Paulo durante o Brazil Windpower 2025, a governadora Fátima Bezerra destacou o papel de vanguarda do Rio Grande do Norte na transição energética brasileira.
“A planta-piloto do SENAI-RN alça mais uma vez o Rio Grande do Norte à posição de vanguarda no setor de energia. E nada mais desejável do que ter uma área destinada, por meio dessa parceria com o governo federal, a fortalecer e fazer prosperar esse projeto-piloto no mar”, afirmou.
Complementando a visão estadual com a perspectiva da indústria, a presidente da ABEEólica, Élbia Gannoum, ressaltou o impacto econômico e social da iniciativa. “Com essa planta-piloto, o Brasil vai concretizar a energia eólica offshore. E quando você faz um projeto desse tamanho, traz um efeito para a economia como um todo, então precisamos preparar toda essa mão de obra, toda a região para esse desenvolvimento que está vindo.”
Reforçando o pioneirismo e a ambição regional, o diretor da FIERN, Etelvino Patrício, celebrou o momento como um passo histórico para o Rio Grande do Norte, projetando a iniciativa como a primeira de muitas. “Essa é uma atividade nova, uma tecnologia nova. Temos que ser arrojados e esperar que seja o primeiro projeto entre muitos que possam vir e que a gente possa realmente ser destaque no Brasil e fazer bom uso dessa energia também dentro do estado”.
Potencial eólico e impacto ambiental positivo
Estudos do ISI-ER estimam que o potencial técnico da energia eólica offshore no Rio Grande do Norte alcance 54,5 GW, o equivalente a cerca de um terço da energia elétrica consumida no Brasil em 2020.
A planta-piloto a ser instalada em Areia Branca contará com dois aerogeradores, somando 24,5 MW de potência, a uma distância de 15 a 20 quilômetros da costa. A energia gerada será utilizada para abastecer o Porto-Ilha, substituindo o uso de combustíveis fósseis e tornando-o o primeiro porto do Brasil 100% abastecido por energia renovável.
O projeto inclui ainda estudos sobre impactos ambientais e sociais, avaliando possíveis alterações na fauna marinha, nas atividades pesqueiras e na flora local, além de medidas para preservação dos ecossistemas e geração de empregos verdes.



