Nova estrutura visa acelerar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico em hidrogênio verde e renováveis, consolidando o Brasil na corrida global por soluções de baixo carbono
A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) anunciou nesta quarta-feira (22) a abertura da chamada pública para credenciamento de um Centro de Competência em Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, com investimento de R$ 60 milhões provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
A iniciativa, realizada em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reforça a estratégia do governo federal de posicionar o Brasil na vanguarda da transição energética e da descarbonização industrial.
O anúncio foi feito durante a abertura do 4º Congresso Brasileiro do Hidrogênio, em Brasília, e marca um novo passo na consolidação da infraestrutura científica necessária para o avanço do hidrogênio verde e de outras rotas de produção de baixo carbono no país.
Hidrogênio de baixa emissão: aposta estratégica para a transição energética
O novo Centro de Competência terá como foco o desenvolvimento tecnológico, a inovação industrial e a formação de talentos em temas ligados à produção, armazenamento, transporte e uso do hidrogênio de baixa emissão de carbono.
O objetivo é fortalecer a capacidade nacional em pesquisa aplicada e aproximar a ciência das demandas reais do setor produtivo, ampliando a competitividade da indústria brasileira em mercados globais cada vez mais pressionados por metas de descarbonização.
De acordo com a Embrapii, o credenciamento é voltado a grupos de pesquisa de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) públicas ou privadas sem fins lucrativos que possuam infraestrutura física adequada e histórico comprovado de projetos com a indústria. O processo de seleção ficará aberto até 24 de novembro de 2025, e o resultado está previsto para maio de 2026. Um webinar de esclarecimento será realizado no dia 30 de outubro deste ano.
Rede nacional de inovação industrial como motor da sustentabilidade
Durante o evento, o presidente da Embrapii, Alvaro Prata, destacou o papel da rede de inovação industrial na busca por soluções sustentáveis e competitivas.
“Temos hoje 17.800 colaboradores nas nossas unidades nas cinco regiões do Brasil, desempenhando o papel da Embrapii no fortalecimento da economia que gera sustentabilidade, com a preocupação de mitigar o impacto do setor industrial no meio ambiente, promovendo soluções”, afirmou Prata.
A fala do executivo reforça a estratégia da instituição em alinhar pesquisa, indústria e sustentabilidade, criando uma base científica sólida para a transição energética brasileira.
Transformação ecológica e inovação produtiva
O secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, ressaltou que a política de transformação ecológica do governo vai além da descarbonização, buscando também o incremento da produtividade e da inovação tecnológica.
“Essa chamada para um centro de competência de hidrogênio de baixo carbono materializa esses objetivos, impulsionando uma indústria com grande potencial para o Brasil e habilitando o país a ser desenvolvedor de novas tecnologias, e não apenas usuário. Esse centro, além disso, possibilitará parcerias internacionais com instituições de ponta, das quais o Brasil participará com o propósito de avançar na fronteira tecnológica”, declarou Dubeux.
O discurso reflete a ambição de transformar o hidrogênio de baixa emissão em vetor estratégico da nova economia, capaz de atrair investimentos, gerar empregos qualificados e posicionar o Brasil como exportador de tecnologia limpa.
MCTI reforça protagonismo da ciência no combate à crise climática
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, também destacou o simbolismo do anúncio em um momento em que o país se prepara para sediar a COP30, em Belém, em 2025.
“Essa ação ganha ainda mais relevância num momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30 com a missão de ser o centro das discussões globais sobre o clima. […] Esse investimento reafirma um compromisso que é do nosso ministério e de todo o governo: não há como enfrentar a crise climática sem ciência e sem investimento público. É isso o que estamos fazendo, colocando em prática soluções concretas que fazem a diferença na vida das pessoas”, declarou.
A fala da ministra sintetiza a visão do governo de que investimento em pesquisa é condição essencial para a descarbonização efetiva, e não apenas uma política setorial.
Áreas estratégicas e impacto industrial
As linhas de pesquisa do novo Centro vão abranger produção de hidrogênio de baixa emissão a partir de fontes sustentáveis, armazenamento, transporte e segurança, além de aplicações em setores intensivos em carbono, como siderurgia, cimento, fertilizantes, combustíveis e energia elétrica. A expectativa é de que o hub científico funcione como catalisador para o desenvolvimento de startups deep tech e novos modelos de negócio voltados à economia de baixo carbono.
Atualmente, a Embrapii conta com nove Centros de Competência credenciados, dedicados a áreas como Terapias Avançadas, Tecnologias Quânticas, Segurança Cibernética, Conectividade 5G e 6G, Smart Grid e Mobilidade Elétrica, entre outros. O novo centro de hidrogênio se junta a esse portfólio como elemento-chave da política de inovação verde, reforçando o papel do país na construção de uma indústria sustentável e competitiva.
Um passo rumo à liderança global em hidrogênio
Com o novo investimento, o Brasil avança em direção ao objetivo de integrar o seleto grupo de países líderes em hidrogênio de baixo carbono, um insumo considerado essencial para a neutralidade climática até 2050.
O credenciamento conduzido pela Embrapii, com suporte do MCTI e recursos do FNDCT, representa mais do que um aporte financeiro: é a consolidação de um modelo de governança tecnológica que une pesquisa aplicada, inovação industrial e políticas públicas para acelerar a transição energética.



