ANEEL aprova cinco projetos estratégicos de hidrogênio verde e destina quase R$ 200 milhões em recursos de P&D

Iniciativas contemplam plantas-piloto e estudos de aplicação industrial e energética do hidrogênio, reforçando o papel do Brasil na transição energética e na descarbonização de setores intensivos em emissões

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, nesta terça-feira (21), cinco projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) focados no uso do hidrogênio no contexto do setor elétrico brasileiro. O investimento total autorizado é de R$ 196.219.218,07, provenientes do Programa de P&D da Agência, o que reforça o protagonismo do hidrogênio verde como vetor estratégico da transição energética nacional.

As iniciativas foram apresentadas no âmbito da Chamada Estratégica PDI 23/2024 – Hidrogênio no Contexto do Setor Elétrico Brasileiro, e envolvem grandes players do setor, como Eletrobras, Petrobras, CTG Brasil, Eneva e outros agentes de geração e transmissão.

O conjunto de projetos inclui desde plantas-piloto para produção e aplicação de hidrogênio renovável até soluções de rastreabilidade e certificação em setores industriais de difícil descarbonização, como refino, papel e celulose e alimentos.

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Cinco projetos aprovados somam R$ 196 milhões em recursos de P&D

Segundo os dados apresentados pela ANEEL, a lista de projetos aprovados contempla:

ProponenteTítulo do ProjetoValor total (R$)Observações
Eletrobras (Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A.)Planta Piloto de H₂ Renovável para Aplicação no Setor Industrial109.321.470,07Mantido com os recursos iniciais previstos via PDI ANEEL
Eneva (Parnaíba II Geração de Energia S.A.)
Implantação de planta piloto de produção de hidrogênio renovável para transição energética e descarbonização da indústria de alimentos
18.897.748,00Mantido integralmente
PetrobrasProdução de hidrogênio de baixa emissão de carbono via eletrólise da água integrada a uma refinaria8 milhõesRedução de 96,6% em relação à proposta original
CTG Brasil (Rio Paraná Energia)
Desenvolvimento de planta de H₂ e metodologia de rastreio e certificação aplicada à indústria de papel e celulose
60 milhõesReunificação de propostas e redução de 29%
Projeto Piloto de Hidrogênio Verde Merchant37.838.337,62Proposta complementar

O investimento total originalmente proposto ultrapassava R$ 1,1 bilhão, mas passou por ajustes técnicos e cortes de escopo até chegar ao valor final de R$ 196.219.218,07 aprovados.

Regulação estratégica e foco em inovação aplicada

A diretora Agnes da Costa, relatora do processo, destacou que a revisão dos escopos e a redução de valores durante a instrução dos projetos fazem parte do processo natural de composição técnica das chamadas estratégicas da ANEEL.

“A diminuição do escopo ao longo da instrução faz parte do processo de composição das chamadas estratégicas, e o resultado final mantém os objetivos da chamada”, afirmou Agnes, ao acompanhar o voto vista do diretor Fernando Mosna.

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O voto majoritário aprovado pela diretoria colegiada marca um avanço na política regulatória de fomento à inovação energética, conectando o programa de P&D da ANEEL aos compromissos internacionais do Brasil em transição energética, descarbonização e inovação tecnológica.

Hidrogênio: o novo pilar da transição energética brasileira

O hidrogênio é considerado um combustível limpo e versátil, capaz de gerar energia sem emissões de gases de efeito estufa quando produzido a partir de fontes renováveis, como solar e eólica.

Além de servir como vetor energético de armazenamento e transporte, o hidrogênio tem potencial de integrar cadeias produtivas industriais e substituir combustíveis fósseis em setores de difícil eletrificação, como refino, siderurgia e fertilizantes.

Com 84% da matriz elétrica brasileira composta por fontes renováveis, e com 92,3% das novas usinas em operação no primeiro semestre de 2024 sendo de origem eólica e solar, o país desponta como um dos principais candidatos globais à liderança no mercado de hidrogênio verde.

Projeções e impacto econômico

As iniciativas aprovadas pela ANEEL têm caráter estratégico porque integram pesquisa aplicada e demonstração tecnológica, reduzindo a distância entre a inovação laboratorial e o uso comercial.

Os projetos devem gerar capacitação técnica, formação de profissionais especializados, parcerias com universidades e novos modelos de negócios para aplicação do hidrogênio em escala industrial.

Especialistas avaliam que o conjunto de ações pode estimular a criação de hubs regionais de hidrogênio verde e contribuir para a atração de investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em cadeias de exportação energética voltadas à União Europeia e Ásia.

Brasil reforça protagonismo em inovação regulada

Com a aprovação da Chamada PDI 23/2024, a ANEEL consolida sua atuação como agência indutora da inovação no setor elétrico, fortalecendo o elo entre política energética, regulação e desenvolvimento tecnológico.

O avanço também sinaliza um reposicionamento estratégico do Brasil na corrida global pelo hidrogênio verde, que deve movimentar US$ 2,5 trilhões em investimentos até 2050, segundo projeções da IEA (Agência Internacional de Energia).

Os próximos passos incluem a assinatura dos convênios de execução e acompanhamento dos resultados técnicos pelos grupos de pesquisa, universidades e empresas envolvidas.

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