MME abre consulta pública para definir meta de emissões no mercado de gás natural em 2026

Proposta busca integrar o biometano à matriz de gás e estimular a descarbonização do setor; medida pode redefinir parâmetros de competitividade e sustentabilidade na indústria

O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou nesta sexta-feira (17) a abertura de uma consulta pública sobre a proposta de meta de redução de emissões de gases de efeito estufa no mercado de gás natural para o ano de 2026.

A iniciativa integra o conjunto de políticas de transição energética e descarbonização da matriz brasileira, com foco na inclusão do biometano como vetor estratégico dentro do consumo total de gás natural.

De acordo com o MME, a proposta está em conformidade com o artigo 17º da Lei nº 14.933, de 8 de outubro de 2024, que estabelece diretrizes para a redução de emissões no setor energético e determina mecanismos para inserção progressiva de combustíveis de baixo carbono na matriz nacional.

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As contribuições poderão ser enviadas ao ministério por meio de seu site oficial ao longo de 45 dias, permitindo ampla participação de agentes do setor, especialistas e representantes da sociedade civil.

Biometano ganha protagonismo na estratégia de descarbonização

O destaque da proposta é a participação do biometano no consumo de gás natural como principal instrumento para cumprimento das metas de redução de emissões. Derivado do processamento do biogás, obtido de resíduos urbanos, agrícolas e industriais, o biometano vem ganhando espaço como alternativa renovável ao gás fóssil, oferecendo benefícios ambientais e econômicos ao setor energético.

Nos últimos anos, o combustível tem atraído investimentos privados expressivos e despertado o interesse de distribuidoras de gás e empresas do setor industrial, especialmente em estados com forte presença do agronegócio e grande disponibilidade de resíduos orgânicos, como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

A proposta do MME reforça o papel do biometano como ativo estratégico para atingir as metas de neutralidade climática e reduzir a dependência de fontes fósseis, em sintonia com o Plano Nacional de Energia (PNE 2050) e com as metas de descarbonização da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil no Acordo de Paris.

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Consulta também mira sustentabilidade na produção de biocombustíveis

Paralelamente, o MME anunciou, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), uma segunda consulta pública, voltada à definição da proporção mínima de óleos e gorduras residuais (OGR) nas matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde.

Segundo o comunicado, o objetivo é estimular a economia circular e reduzir o impacto ambiental do ciclo de produção de biocombustíveis, reforçando o compromisso do país com os princípios da sustentabilidade e da eficiência energética. Nesse caso, o prazo para envio de contribuições será de 30 dias.

Integração entre gás natural, biometano e biocombustíveis marca nova fase da política energética

As duas consultas públicas representam avanços importantes na formulação de políticas integradas de baixo carbono, ao conectar o setor de gás natural às iniciativas de biocombustíveis e economia circular. Especialistas apontam que essa integração é essencial para garantir competitividade, previsibilidade regulatória e segurança jurídica às empresas que investem em transição energética no Brasil.

Além de reduzir as emissões, a entrada do biometano no mercado de gás pode diversificar a oferta de energia, gerar empregos locais e fortalecer o papel das distribuidoras regionais como agentes de inovação no setor. Para o governo, o desafio está em definir metas realistas e exequíveis, capazes de equilibrar competitividade econômica e compromisso ambiental.

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