Com capacidade de gerar 60 mil m³ de biometano por dia, unidade da Cocal em Paraguaçu Paulista coloca o estado na vanguarda da descarbonização e impulsiona empregos verdes
O estado de São Paulo deu mais um passo decisivo rumo à transição energética. No último sábado (27), foi inaugurada em Paraguaçu Paulista, no oeste do estado, a segunda planta 100% dedicada à produção de biogás da usina Cocal. A unidade terá capacidade para gerar até 60 mil metros cúbicos de biometano por dia, consolidando a região como um dos maiores polos de biocombustíveis do mundo.
O evento contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, além de autoridades como o secretário executivo de Agricultura e Abastecimento (SAA), Alberto Amorim, o secretário de Governo e Relações Institucionais Gilberto Kassab, e parlamentares estaduais e federais.
A nova planta utiliza vinhaça e torta de filtro, resíduos da cana-de-açúcar, além de esterco animal, como matéria-prima para a produção de biogás, que posteriormente é purificado para se transformar em biometano, um combustível com propriedades similares ao gás natural.
Biogás como vetor de desenvolvimento regional
Durante a inauguração, Alberto Amorim destacou a relevância do projeto para a matriz energética paulista e para a economia verde. “Estamos abrindo, hoje, um novo livro na corrida energética do Estado, do País e do mundo. São Paulo ocupa 3% da superfície do Brasil, mas é muito mais do que isso. Temos um modelo de eficiência, de eficácia, de gestão de mudança, de inovação. E com a liderança que nós temos no governador Tarcísio de Freitas, isso cada vez mais aparece aos olhos do mundo”, afirmou o secretário executivo da SAA, reforçando o papel de São Paulo como referência em sustentabilidade e inovação.
Já Carlos Ubiratan Garms, membro do conselho de acionistas da Cocal, enfatizou a importância econômica da nova planta. “Esse projeto significa a geração de empregos e a expansão do biometano na matriz energética das empresas e indústrias da região, ou seja, uma diminuição no consumo de combustíveis fósseis em São Paulo. Com nossas duas plantas em atividade, nossa região se torna uma das principais produtoras de biometano do mundo”, destacou.
A produção será distribuída por meio de GNC (gás natural comprimido), transportado em cilindros por caminhões, permitindo que clientes industriais e comerciais de qualquer região possam ser atendidos. Em um futuro próximo, a própria frota de transporte da Cocal será abastecida exclusivamente com o biometano que produz, criando um ciclo quase zero emissões de gases poluentes – da geração ao consumo.
O “pré-sal caipira” e a força da cana-de-açúcar
O potencial do biometano em São Paulo é gigantesco. Com cerca de 5,5 milhões de hectares dedicados à cana-de-açúcar, o estado é o maior produtor do país e já se destacou historicamente durante a Crise do Petróleo nos anos 1970, quando o etanol de cana reduziu a dependência brasileira do petróleo importado. Hoje, resíduos como bagaço, palha, vinhaça e torta de filtro são novamente protagonistas, agora para produção de biogás que, após purificação, se transforma em biometano.
Essa tecnologia reforça o que especialistas chamam de “pré-sal caipira”, um recurso renovável que pode colocar o Brasil como líder global na substituição de combustíveis fósseis. A produção paulista, inicialmente destinada à distribuição em Presidente Prudente, tem potencial para atender outros mercados industriais e comerciais, ampliando a autonomia energética e a descarbonização da economia.
Geração de empregos e impacto ambiental positivo
Estudos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Governo paulista projetam que a expansão do biometano possa criar até 20 mil novos empregos e contribuir para uma redução de até 16% nas emissões de gases de efeito estufa previstas pelas metas climáticas estaduais. A meta é ambiciosa: elevar a produção de 0,4 milhão para 6,4 milhões de m³/dia, volume suficiente para cobrir 40% da demanda atual de gás natural.
Para viabilizar esse avanço, o governo estadual tem atuado com políticas de incentivo. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em parceria com a SEMIL e a CETESB, já estabeleceu um procedimento de licenciamento ambiental específico para plantas de biocombustíveis do setor sucroenergético, facilitando novos investimentos e acelerando a transição energética.
São Paulo como vitrine global da economia verde
A nova planta da Cocal não apenas fortalece a produção paulista de energia renovável, mas também posiciona o Brasil como referência mundial em logística sustentável e tecnologias de descarbonização. Ao unir competitividade econômica e compromisso ambiental, o projeto de Paraguaçu Paulista simboliza uma nova etapa na corrida energética global, em que o biometano desponta como combustível estratégico para reduzir as emissões e garantir segurança energética.



