INB conclui recarga de Angra 2 e inicia produção de combustível nuclear para Angra 1

Processo reforça segurança e confiabilidade no abastecimento das usinas nucleares brasileiras, com transporte supervisionado por órgãos de segurança

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) concluiu, em meados de setembro, a fabricação dos 52 elementos combustíveis destinados à 21ª recarga da usina Angra 2, localizada no litoral do Rio de Janeiro. O transporte do material, previsto para ocorrer entre novembro e dezembro, será coordenado pela Eletronuclear, com apoio de órgãos externos, como a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

A conclusão desta recarga representa um marco importante para a operação contínua da Angra 2, garantindo que a usina opere com níveis seguros e estáveis de energia nuclear.

Próxima etapa: Angra 1

Com a recarga de Angra 2 finalizada, a INB já iniciou, em agosto, a 30ª recarga de Angra 1, cuja entrega está prevista para meados de 2026. O objetivo é fabricar 44 elementos combustíveis, mantendo a proposta de produção continuada da estatal.

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“O nosso propósito é garantir segurança e confiabilidade ao abastecimento das usinas. Encerramos a 21ª recarga de Angra 2 e já estamos trabalhando na próxima recarga de Angra 1”, destacou Rodrigo Barbosa, superintendente de Produção do Combustível da INB.

Segundo Barbosa, o desempenho da produção reflete um planejamento integrado entre diferentes áreas da Diretoria do Combustível Nuclear (DCN) da INB. Ele enfatizou que a entrega de uma recarga depende da atuação sincronizada de todas as áreas, desde a documentação técnica até a inspeção de cada componente, garantindo total confiabilidade ao processo.

Planejamento detalhado e integração de áreas

O processo de recarga nuclear tem início cerca de 24 meses antes da entrega dos elementos combustíveis. Conforme explica Luciano Sadde, superintendente de Licenciamento e Engenharia da INB, a Eletronuclear emite a ordem de fornecimento, que é recebida pela área comercial da empresa.

“A solicitação chega à área comercial da INB, que consulta as demais superintendências para avaliar a viabilidade técnica. A partir desse ponto, são iniciadas as encomendas de matérias-primas, a elaboração da documentação de engenharia e a definição dos fluxos de fabricação e inspeção”, detalhou Sadde.

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Esse planejamento de longo prazo garante que cada recarga seja concluída com segurança e dentro do cronograma, permitindo que as usinas nucleares mantenham operação contínua e confiável.

Garantia de qualidade em cada etapa

A supervisão rigorosa do processo de fabricação é fundamental. Segundo Alexander Gangana, superintendente de Proteção Radiológica, Salvaguardas e Qualidade da INB, cada etapa é acompanhada pela Garantia da Qualidade, certificando não apenas o elemento combustível final, mas também cada matéria-prima e componente intermediário.

“Até mesmo itens como parafusos e chapas metálicas passam por rigorosas inspeções. A própria Eletronuclear, por meio de sua equipe de qualidade, participa verificando registros e relatórios enviados pela INB”, explicou Gangana.

Essa atenção aos detalhes assegura que os elementos combustíveis atendam aos mais altos padrões de segurança, minimizando riscos e mantendo a confiabilidade do fornecimento de energia nuclear no Brasil.

Importância estratégica para o setor elétrico

A operação contínua de Angra 1 e Angra 2 é estratégica para a matriz energética brasileira, especialmente considerando que a energia nuclear fornece eletricidade estável e sem emissões de carbono. A produção e o transporte de elementos combustíveis, portanto, não apenas garantem a segurança operacional das usinas, mas também contribuem para a sustentabilidade e diversificação do setor elétrico.

Além disso, a execução coordenada com órgãos de segurança durante o transporte reforça a proteção de materiais estratégicos, assegurando que a energia nuclear continue a ser uma fonte confiável para o país.

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