Encontro em Brasília reforça cooperação estratégica para diversificar cadeias de suprimento, garantir segurança energética e inserir a pauta dos minerais críticos na COP30, em Belém
O Ministério de Minas e Energia (MME) e o governo do Reino Unido deram mais um passo para ampliar a cooperação internacional em torno da transição energética e da exploração sustentável de minerais críticos – insumos fundamentais para tecnologias limpas, como baterias, carros elétricos e painéis solares. Em reunião realizada nesta quarta-feira (25/09), representantes das duas delegações discutiram iniciativas que poderão resultar em ações concretas até 2028, ano em que será feito o segundo global stocktake, balanço global que avaliará os avanços climáticos.
O encontro teve como foco alinhar estratégias para garantir segurança energética, diversificar cadeias de suprimento e estimular investimentos em países emergentes. Os debates também reforçaram a necessidade de incluir o tema na COP30, que ocorrerá em Belém, no Pará, em 2025, e em futuras conferências internacionais sobre clima e energia.
Global Clean Power Alliance em destaque
Entre os principais tópicos, ganhou destaque a missão da Global Clean Power Alliance (GCPA) dedicada às cadeias de suprimento de minerais críticos. Essa iniciativa busca enfrentar desafios como transparência de dados, diversificação de fontes, uso de materiais secundários e ampliação dos investimentos em mercados em desenvolvimento.
Representantes do MME ressaltaram que os minerais críticos, como lítio, níquel, cobalto, terras raras e cobre, são essenciais para a produção de tecnologias de energia limpa e para a descarbonização da economia global.
“Esses recursos são fundamentais para acelerar os compromissos climáticos globais e exigem o engajamento de governos, setor privado, instituições financeiras, academia e sociedade civil”, destacou a Pasta, reforçando a importância de mobilizar diferentes atores para que os resultados sejam alcançados.
COP30 como palco para avanços
A delegação brasileira reforçou a necessidade de inserir a pauta dos minerais críticos não apenas na COP30, mas também em conferências futuras, garantindo que o tema esteja presente nas decisões que definirão os próximos passos da transição energética. A conferência, que será realizada em Belém, é vista como oportunidade para o Brasil apresentar sua vocação natural para a produção sustentável desses insumos e atrair novos investimentos internacionais.
De acordo com o MME, a inclusão do tema em debates multilaterais é essencial para criar um ambiente de negócios mais transparente e seguro. O objetivo é fortalecer parcerias capazes de garantir cadeias de suprimento resilientes, reduzir a dependência de poucos fornecedores e ampliar a produção sustentável em países com potencial mineral estratégico, como o Brasil.
Convergência estratégica Brasil–Reino Unido
Durante o encontro, as delegações reconheceram a convergência de interesses em torno da segurança energética e da transição para uma economia de baixo carbono. Tanto Brasil quanto Reino Unido manifestaram interesse em ampliar a cooperação técnica e diplomática, visando transformar as discussões em ações práticas antes do segundo global stocktake, em 2028.
Segundo representantes britânicos, o avanço dessa agenda é crucial para garantir que o crescimento da demanda por minerais críticos seja acompanhado por práticas responsáveis de exploração, com respeito ao meio ambiente e às comunidades locais. O Brasil, por sua vez, reforçou sua posição estratégica como fornecedor de insumos essenciais para tecnologias de energia limpa, como a geração solar, eólica e armazenamento em baterias.
Impacto global e oportunidades para o Brasil
A cooperação Brasil–Reino Unido abre caminho para que o país se consolide como um protagonista global na transição energética, aproveitando seu vasto potencial de recursos minerais e sua experiência em políticas ambientais. O desenvolvimento de cadeias de suprimento sustentáveis também fortalece a segurança energética internacional, reduzindo riscos de escassez em um cenário de crescente demanda por tecnologias verdes.
Ao incluir a pauta dos minerais críticos na COP30 e em conferências posteriores, o Brasil busca não apenas atender aos compromissos climáticos, mas também gerar oportunidades de negócios, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico em regiões estratégicas, como a Amazônia e o Cerrado.
Caminho até 2028
A expectativa é que, até 2028, a parceria entre Brasil e Reino Unido resulte em ações concretas que possam ser apresentadas no próximo global stocktake. Esse será o momento de avaliar os avanços na descarbonização global e redefinir estratégias para acelerar a transição energética.
Com essa iniciativa, Brasil e Reino Unido reforçam o compromisso de trabalhar juntos para garantir que o crescimento econômico esteja alinhado à preservação ambiental, colocando os minerais críticos no centro de uma agenda que une inovação, sustentabilidade e desenvolvimento.



