Fim do bônus de Itaipu, bandeira vermelha e reajustes regionais impulsionam aumento de 12,17% nas tarifas de eletricidade, segundo dados do IBGE
A prévia da inflação oficial do país voltou a subir em setembro, refletindo diretamente o impacto da energia elétrica na vida do consumidor brasileiro. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação foi de 0,48%, após um recuo de -0,14% em agosto.
No acumulado de 2024, o índice registra alta de 3,76%, enquanto a taxa dos últimos 12 meses atingiu 5,32%, superando os 4,95% observados no período imediatamente anterior. Para efeito de comparação, em setembro de 2024, a prévia havia sido de apenas 0,13%, evidenciando a forte aceleração neste ano.
Habitação é o grande vilão da inflação de setembro
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, Habitação foi o que apresentou a maior variação e o maior impacto no índice geral. O setor registrou alta de 3,31%, respondendo por 0,50 ponto percentual do IPCA-15 de setembro.
Essa disparada está diretamente ligada ao comportamento da energia elétrica residencial, que subiu 12,17% no período, sendo o subitem com maior impacto individual no índice (0,47 p.p.). A alta interrompeu a queda de 4,93% registrada em agosto, quando fatores temporários haviam aliviado a conta de luz.
Fim do bônus de Itaipu e bandeira vermelha pressionam contas
Segundo o IBGE, três fatores explicam a forte elevação da energia elétrica em setembro. O primeiro é o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, que havia sido creditado nas faturas emitidas em agosto, proporcionando um alívio momentâneo ao consumidor.
Além disso, entrou em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2 a partir de 1º de setembro, adicionando R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. Essa bandeira é acionada quando o custo de geração de energia é mais elevado, geralmente em períodos de menor oferta hídrica, e tem efeito imediato no bolso das famílias.
Por fim, houve também o reajuste tarifário de 4,25% em Belém, que elevou a variação local para 11,38% a partir de 7 de agosto, contribuindo de forma relevante para a alta nacional.
Inflação energética amplia desafios da política econômica
Especialistas em economia alertam que o aumento expressivo da energia elétrica pode ter efeitos em cadeia, encarecendo outros produtos e serviços. Quando a conta de luz sobe, setores como comércio, indústria e serviços sentem reflexos, elevando seus custos de operação e, consequentemente, os preços ao consumidor final.
Esse cenário impõe desafios adicionais ao Banco Central, que monitora a inflação para definir a trajetória da taxa Selic. A aceleração da prévia da inflação pode dificultar cortes mais agressivos nos juros, afetando o crédito, os investimentos e o ritmo de crescimento econômico no país.
Perspectivas para os próximos meses
Com a aproximação do período chuvoso, que tende a aliviar os custos de geração de energia, há expectativa de redução da pressão tarifária nos próximos meses.
No entanto, a volatilidade do setor elétrico, combinada com fatores climáticos e reajustes regionais, mantém o tema como um dos principais riscos inflacionários para o final de 2024.



