O futuro do carregamento de veículos elétricos no Brasil  

Por Rodrigo Oliveira, Gerente de Produtos da América Latina para o segmento de renováveis na Fluke

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), mostrou que o mercado de veículos elétricos no Brasil cresceu 200% em 2024, se comparado com o ano anterior. No entanto, embora o crescimento da frota elétrica seja real, o mercado só vai realmente prosperar se o país oferecer uma infraestrutura à altura.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada em fevereiro de 2025 pela McKinsey & Company, empresa global de consultoria, mostra que o país havia superado 14.800 eletropontos públicos e semipublicos de carregamento. Esse avanço é convidativo, mas, quando se examina de perto, revela um quadro frágil: 84% desses pontos oferecem apenas recarga lenta (AC), enquanto apenas 16% são rápidos (DC).

Além disso, a infraestrutura está concentrada em centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, enquanto as regiões Norte e Centro-Oeste caminham a passos lentos no desenvolvimento da rede, o que limita a adoção de veículos elétricos em larga escala.

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O desafio da previsibilidade

Na transição para a mobilidade elétrica, existe uma expectativa central que ainda não foi plenamente atendida, a previsibilidade. Isso porque, ainda � desafiador planejar uma rota e confiar na disponibilidade de energia, assim como se vê a oferta de combustível para veículos a combustão. Segundo outro levantamento da McKinsey, um dos maiores fatores que desmotivam a adoção de veículos elétricos por frotas corporativas e consumidores finais � justamente a falta de confiança na disponibilidade de infraestrutura de carregamento.

Mesmo em mercados mais maduros, como a Califórnia, estado norte-americano que lidera os EUA na adoção de veículos elétricos, o cenário está longe do ideal. Apesar de contar com mais de 150 mil carregadores públicos instalados, a regiâo ocupa uma posição baixa no ranking nacional de disponibilidade, com apenas uma porta de carregamento para cada 29 veículos elétricos registrados.

A oportunidade está na inteligência

Se há um desafio real, também há uma oportunidade evidente: integrar à infraestrutura. Isso passa por tecnologias como smart charging (carregamento inteligente, que prioriza horários de menor demanda energética), integração com fontes renováveis como a energia solar e soluções de monitoramento e medições precisas, que permitam avaliar a eficiência e a segurança de cada ponto da rede.

A hora de planejar com precisão

O Brasil está na rota da mobilidade elétrica, mas precisa percorrê-la com mais clareza, planejamento e responsabilidade. O carregamento de veículos elétricos não é apenas um detalhe técnico, mas sim um elemento-chave para garantir a viabilidade da transição energética.

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É necessário pensar o futuro com exatidão: medir, testar, integrar e monitorar cada ponto. Afinal, o futuro do carregamento não será apenas uma questão de quantidade de eletropostos, mas sim de qualidade, conectividade e inteligência operacional.

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