Comércio e residências freiam consumo de energia no 2º trimestre de 2025, aponta EPE

Boletim Trimestral mostra queda de 1% no consumo nacional de eletricidade; retração do setor comercial interrompe ciclo de altas iniciado em 2021, enquanto mercado livre avança com força

O consumo nacional de eletricidade registrou retração de 1,0% no segundo trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período de 2024, segundo a 22ª edição do Boletim Trimestral do Consumo de Eletricidade, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O resultado surpreende, já que ocorre em um contexto de crescimento econômico: o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 2,2% na mesma base de comparação, impulsionado principalmente pela agropecuária, que cresceu expressivos 10,1%, além da queda da taxa de desemprego para 5,8% e da elevação dos rendimentos reais médios em 3,3%.

Apesar do desempenho positivo da economia, fatores climáticos e tarifários foram determinantes para conter a demanda por eletricidade no período, especialmente nos segmentos comercial e residencial.

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Comércio lidera retração após quatro anos de crescimento

A maior surpresa veio do setor comercial, que apresentou queda de 4,0%, interrompendo uma sequência de altas observada desde 2021. O recuo reflete, em parte, a desaceleração do varejo físico e a migração de parte da demanda para o comércio eletrônico, que apresenta menor consumo energético em estruturas físicas. Além disso, temperaturas mais amenas reduziram a necessidade de climatização em shoppings, lojas e escritórios.

O consumo residencial também registrou retração, com queda de 1,6% no período. Segundo a EPE, a combinação de clima mais frio e progressão das bandeiras tarifárias – que encarecem a conta de luz – levou as famílias a adotarem um comportamento mais cauteloso, reduzindo o uso de eletrodomésticos de maior consumo e equipamentos de aquecimento.

Indústria sustenta alta em meio à expansão econômica

Na contramão do comércio e das residências, o setor industrial manteve a trajetória de crescimento, com avanço de 1,8% no consumo de eletricidade. O resultado está em linha com o aquecimento da produção industrial observado no período, favorecido pela maior demanda por bens de capital e pela retomada de segmentos como siderurgia, automotivo e mineração.

A força da indústria ajuda a compensar, parcialmente, as quedas em outros segmentos e reforça a importância da energia elétrica como insumo estratégico para a economia, mesmo em um cenário de eficiência energética crescente.

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Mercado livre ganha espaço e reforça tendência de migração

Outro destaque do boletim é o crescimento expressivo do Ambiente de Contratação Livre (ACL), que registrou alta de 7,9% no consumo de energia em relação ao segundo trimestre de 2024. Com esse desempenho, o ACL passou a representar 45,6% de toda a eletricidade consumida no país.

O movimento reflete a expansão da geração distribuída, o aumento da competitividade dos contratos bilaterais e a busca de grandes consumidores por preços mais atrativos e energia renovável, já que o ACL permite a contratação direta de fontes como solar, eólica e biomassa.

Em contrapartida, o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) – que atende consumidores cativos, como residências e pequenos comércios – registrou retração de 7,4%, ficando com 54,4% do consumo nacional. A diferença reforça a tendência de migração de empresas para o mercado livre, fenômeno que deve se intensificar com a abertura gradual do setor prevista para os próximos anos.

Perspectivas para o segundo semestre

Para os próximos trimestres, a EPE avalia que o consumo de eletricidade pode voltar a crescer, dependendo de fatores como clima, política de tarifas e ritmo da atividade econômica. Caso as temperaturas se elevem e os custos de energia se estabilizem, a tendência é de recuperação gradual nos segmentos residencial e comercial.

Além disso, a continuidade da abertura do mercado livre e os avanços em eficiência energética deverão manter o ACL em expansão, reforçando a transformação estrutural do setor elétrico brasileiro.

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