Com meio milhão de vagas criadas em um ano e 22,2% da matriz elétrica nacional abastecida pelo sol, setor avança, mas pressiona empresas a investir em tecnologia de gestão para sustentar a expansão
O setor solar brasileiro vive um momento histórico. Entre março de 2024 e março de 2025, a fonte fotovoltaica gerou cerca de 500 mil novos empregos verdes, movimentou R$ 57,5 bilhões em investimentos e evitou a emissão de 27 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).
Hoje, a energia solar representa 22,2% da matriz elétrica nacional, atrás apenas da geração hídrica (44,5%). Desde a chegada oficial ao mercado na década de 1990, o setor acumula R$ 250,9 bilhões em investimentos, 1,6 milhão de empregos e R$ 78 bilhões em tributos arrecadados, consolidando-se como vetor econômico e ambiental estratégico para o país.
Até o final de 2025, a expectativa é que os sistemas distribuídos, instalados em residências, comércios, propriedades rurais e prédios públicos, atinjam 43 GW, enquanto as grandes usinas solares centralizadas chegarão a 21,7 GW, somando 64,7 GW de potência instalada no Brasil.
O desafio da gestão em campo
Se os números revelam um horizonte promissor, a realidade operacional ainda exige novos caminhos. A popularização da tecnologia trouxe um verdadeiro boom de instaladoras e integradoras, mas também aumentou a complexidade no gerenciamento de equipes técnicas.
De acordo com levantamento do Instituto Ideal, cada sistema fotovoltaico envolve, em média, três a cinco visitas técnicas, incluindo vistoria, instalação e manutenção. Esse volume gera pressão sobre a organização das empresas, que precisam lidar diariamente com múltiplos deslocamentos, agendamentos e acompanhamento de serviços em diferentes localidades.
É nesse cenário que a tecnologia digital surge como fator decisivo. Como explica Augusto Lyra, CEO da Everflow. “É nesse ponto que a digitalização entra como aliada estratégica”.
Softwares de gestão como alicerce da eficiência
As soluções de Field Service Management (FSM), voltadas para gestão de equipes externas, estão se tornando indispensáveis para instaladoras que buscam eficiência e escalabilidade. Elas permitem organizar agendas, monitorar rotas em tempo real, centralizar protocolos de segurança e cumprir exigências regulatórias.
Segundo Lyra, esse movimento é consequência natural da descentralização do setor. “O setor solar descentralizou a geração de energia e, com isso, aumentou a responsabilidade das instaladoras no pós-venda e na manutenção. Hoje, a organização do atendimento técnico é fator crítico de sucesso.”
ERP especializado para energia solar
De olho nessa demanda, a Everflow desenvolveu o primeiro ERP 100% voltado para energia solar no Brasil. Diferente de softwares genéricos, a plataforma foi desenhada sob medida para a rotina das empresas do setor.
“O sistema cobre desde o orçamento e contratos até o fechamento financeiro da obra. Passa pela gestão de estoques, checklists personalizados, assinaturas digitais e geração de relatórios em painéis interativos. A vantagem está em parametrizar cada etapa conforme o porte do negócio, de microinstaladoras a grandes integradoras de usinas solares”, explica Lyra.
Na prática, o ERP integra controle de ordens de serviço, comunicação com clientes e integração com CRMs e aplicativos de mensagens como o WhatsApp. Em campo, funciona como um espelho da obra em tempo real: exige registros fotográficos, checklists digitais e assinaturas eletrônicas, além de rastrear deslocamentos por geolocalização para reduzir custos logísticos e aumentar a satisfação do cliente.
Flexibilidade e escalabilidade como diferenciais
Um dos grandes trunfos do sistema é a flexibilidade. Segundo Lyra:
“Cada empresa tem seu fluxo particular, equipes próprias e terceirizadas, fornecedores diversos, diferentes modelos de financiamento. A plataforma foi desenhada para ser ajustável, sem exigir desenvolvimento sob encomenda.”
Essa adaptabilidade permite que tanto pequenas empresas, que realizam dez projetos por mês, quanto grandes integradoras, que coordenam centenas de obras em diferentes estados, consigam estruturar seus processos com eficiência.
Lyra resume o impacto da tecnologia no setor solar. “Seja para uma instaladora que realiza dez projetos por mês ou para uma integradora que coordena centenas de obras em estados distintos, a tecnologia vem se consolidando como peça-chave da engrenagem solar. Afinal, em um setor que cresce exponencialmente e lida com um bem essencial como energia, a eficiência da gestão se torna tão estratégica quanto a potência dos painéis voltados ao sol.”
O futuro da engrenagem solar
O boom da energia solar no Brasil vai além dos números de potência instalada e investimentos: está mudando a forma como empresas operam e se organizam. A profissionalização e digitalização das instaladoras não são apenas uma tendência, mas uma condição para sustentar o ritmo de expansão do setor.
Seja no campo, com técnicos equipados com aplicativos de rastreabilidade, ou nos escritórios, com gestores analisando dashboards interativos, o futuro da energia solar no Brasil será tanto digital quanto renovável.



