Com investimento de R$ 11,95 bilhões, grupo espanhol eleva participação para 83,8% e aposta em redes de distribuição e transmissão como pilares da transição energética no Brasil
A espanhola Iberdrola anunciou nesta quinta-feira (11) a compra da fatia de 30,29% da Neoenergia (NEOE3) que pertencia ao Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). A operação, avaliada em R$ 11,95 bilhões (1,88 bilhão de euros), consolida a empresa como acionista majoritária da distribuidora e transmissora de energia, reforçando sua posição no mercado brasileiro.
Com o negócio, a Iberdrola aumentará sua participação de 53,5% para 83,8% do capital social da Neoenergia. O fechamento da transação está previsto para o quarto trimestre de 2025, condicionado às aprovações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de outros órgãos reguladores. O acordo de acionistas firmado entre Previ e Iberdrola em 2017 será extinto após a conclusão da operação.
Estratégia global de crescimento em redes
O presidente executivo da Iberdrola, Ignacio Galán, destacou que a aquisição está alinhada à estratégia global da companhia, que prioriza investimentos em negócios de transmissão e distribuição.
Segundo ele, essas áreas oferecem marcos regulatórios estáveis e perspectivas sólidas de crescimento diante da expansão da eletrificação. Galán afirmou:
“Esse movimento reforça a estratégia do grupo de expandir negócios de distribuição e transmissão de energia, áreas com marcos regulatórios estáveis e crescimento esperado da eletrificação”.
O Brasil ocupa papel central nessa estratégia. A Neoenergia é considerada um dos maiores players privados do setor elétrico nacional, com atuação em diversos segmentos.
Neoenergia: alcance nacional e investimentos bilionários
A Neoenergia atende cerca de 40 milhões de pessoas em seis estados brasileiros por meio de suas cinco distribuidoras: Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. A companhia ainda opera 18 concessões de transmissão, com 8 mil km de linhas de alta tensão e 725 mil km de redes de distribuição.
No campo da geração, a empresa possui 3.800 MW de capacidade instalada em fontes renováveis, principalmente hidrelétricas, mas também parques eólicos e solares. Em 2024, a Neoenergia investiu R$ 9,8 bilhões (1,54 bilhão de euros) em modernização de redes, digitalização e expansão da infraestrutura.
Consolidação no Brasil e segurança regulatória
O aumento da participação da Iberdrola na Neoenergia consolida a empresa como uma das principais investidoras estrangeiras no setor elétrico brasileiro. A estratégia reforça a confiança do grupo espanhol no ambiente regulatório do país e no potencial de crescimento do consumo de energia elétrica, impulsionado pela digitalização, mobilidade elétrica e descarbonização da economia.
A aquisição também simboliza uma tendência de concentração acionária em grandes grupos internacionais, que enxergam no Brasil um mercado atrativo para investimentos de longo prazo em infraestrutura energética.
Relevância da operação para o setor elétrico
Para especialistas, a transação deve fortalecer a Neoenergia financeiramente, permitindo novos ciclos de investimento e contribuindo para a modernização das redes de distribuição. Além disso, amplia a presença da Iberdrola em um mercado emergente que se destaca pelo dinamismo da demanda e pelas oportunidades em renováveis e transmissão.
O negócio se soma a um movimento global da Iberdrola, que busca diversificação geográfica e reforço em ativos regulados, menos expostos à volatilidade do mercado de energia. A companhia já é líder mundial em energias renováveis e aposta no Brasil como peça-chave para sustentar seu crescimento nos próximos anos.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo, a operação ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores. Outro desafio é a necessidade de ampliar investimentos em digitalização das redes para atender a novos padrões de consumo e integração de geração distribuída.
Ainda assim, a compra da participação da Previ é vista como um passo estratégico que dará maior flexibilidade de gestão à Iberdrola sobre a Neoenergia, acelerando decisões e fortalecendo a governança corporativa.



