ONS reafirma robustez do sistema elétrico e aponta necessidade de novos leilões de potência entre 2026 e 2029

Operador destaca que o SIN tem atendido plenamente à demanda e reforça importância dos leilões de reserva de capacidade para garantir segurança energética no médio prazo

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou nota de esclarecimento reforçando a confiabilidade e a robustez do Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com a entidade, o sistema tem atendido plenamente à crescente demanda de carga do país ao longo dos últimos anos, demonstrando que a operação do setor elétrico brasileiro segue segura, estável e eficiente.

A manifestação do ONS ocorre após a publicação, em 8 de julho, da edição 2025 do Plano da Operação Energética (PEN), que apresenta as premissas e projeções técnicas para o atendimento energético do Brasil nos próximos anos. O documento apontou a necessidade de novos leilões de reserva de capacidade no horizonte 2026-2029, medida considerada fundamental para assegurar a expansão adequada da potência no sistema.

Plano da Operação não é previsão, mas subsídio técnico

Na nota, o ONS destaca que os cenários apresentados pelo PEN não constituem projeção futura de oferta e demanda, mas sim insumos técnicos para subsidiar as decisões do Poder Concedente, ou seja, o governo federal, na realização dos leilões.

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Isso porque, por premissa metodológica, o estudo parte da hipótese de que nenhuma nova usina seria adicionada ao SIN no período analisado. Essa abordagem permite identificar lacunas de potência que precisam ser supridas e, assim, orientar a política energética e os instrumentos de contratação.

Leilões de potência: instrumento central para a segurança do suprimento

O ONS reforça que a realização dos leilões de reserva de capacidade é o mecanismo adequado para assegurar a contratação de novos recursos de potência, conforme critérios de segurança estabelecidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Esses leilões têm como objetivo garantir que o sistema elétrico brasileiro mantenha reservas suficientes para atender picos de demanda, situações de escassez hídrica ou flutuações na geração de fontes renováveis, como solar e eólica.

“A realização desses leilões é o instrumento adequado para assegurar a contratação de novos recursos de potência, de forma a atender aos critérios de suprimento estabelecidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)”, reforçou o ONS em comunicado oficial.

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Medidas do MME para o curto prazo

A nota também destaca a importância das iniciativas já em curso pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que recentemente aprovou medidas essenciais para o atendimento da potência no curto prazo e colocou em consulta pública os editais dos próximos leilões de reserva de capacidade.

Essas ações visam não apenas a manutenção da segurança do suprimento, mas também a previsibilidade necessária para os agentes de mercado, em um contexto de expansão das energias renováveis e de maior participação do mercado livre de energia.

O ONS ressalta que “o Operador reitera ainda que mantém o permanente acompanhamento das condições do sistema e atua em conjunto com o MME e demais agentes do setor para garantir o equilíbrio entre segurança, qualidade e custo da operação, assegurando a tranquilidade da sociedade e a confiabilidade do fornecimento de energia elétrica no Brasil”.

Robustez do SIN e compromisso com a sociedade

Nos últimos anos, o Sistema Interligado Nacional demonstrou sua capacidade de suportar o crescimento da demanda energética, mesmo diante de desafios como a crise hídrica de 2021 e a aceleração da eletrificação da economia.

Ao reforçar que o SIN tem conseguido atender plenamente à carga, o ONS busca transmitir confiança à sociedade e ao mercado sobre a solidez da infraestrutura elétrica brasileira. O planejamento de médio e longo prazo, aliado à execução de leilões estratégicos, é apontado como a chave para manter a trajetória de segurança energética.

Importância estratégica do debate sobre potência

O debate sobre potência ganhou destaque no setor elétrico nos últimos anos, especialmente diante do avanço das fontes intermitentes, como a eólica e a solar. Embora essas tecnologias contribuam para a descarbonização e para a diversificação da matriz, elas exigem recursos complementares que assegurem estabilidade nos momentos em que não há sol ou vento.

Assim, o tema da contratação de potência se tornou central na agenda regulatória e de planejamento, garantindo que a transição energética ocorra de maneira equilibrada, sem riscos para consumidores e empresas.

Conclusão

A nota do ONS cumpre papel estratégico ao reafirmar a segurança do SIN e esclarecer que o diagnóstico do PEN não é sinal de fragilidade, mas sim parte do processo técnico de planejamento que sustenta as decisões do governo.

Com a realização dos leilões de reserva de capacidade entre 2026 e 2029, o Brasil deverá reforçar ainda mais sua segurança elétrica, garantindo fornecimento estável de energia em um cenário de crescente demanda e transformação da matriz.

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