Segundo a ANEEL, apenas em agosto foram adicionados 310 MW de capacidade, distribuídos entre nove novas usinas. Renováveis seguem predominantes e representam 84,48% da potência instalada do país
O setor elétrico brasileiro segue em trajetória de expansão robusta em 2025. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) indicam que, entre janeiro e agosto, a matriz elétrica nacional registrou um crescimento de 4.472,5 megawatts (MW) em potência instalada. O avanço decorreu da entrada em operação comercial de 71 novas usinas, de diferentes fontes, consolidando a diversificação da matriz e reforçando a predominância das fontes renováveis.
Esse crescimento mantém o Brasil entre os países com matriz elétrica mais limpa do mundo. Em 1º de agosto, a potência fiscalizada do sistema chegou a 212.965,5 MW, dos quais 84,48% são provenientes de fontes renováveis — como hídrica, eólica, solar e biomassa.
Resultados de agosto: 310 MW adicionados
Somente no mês de agosto, a expansão foi de 310 MW, provenientes da entrada em operação de nove empreendimentos. O detalhamento mostra o protagonismo das fontes renováveis:
- Cinco usinas eólicas, com capacidade somada de 216 MW;
- Duas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), adicionando 52 MW;
- Uma termelétrica a biomassa, responsável por 40 MW;
- Uma central geradora hidrelétrica (CGH), com 2 MW.
Com esse resultado, o Brasil chega ao fim do oitavo mês do ano com expansão significativa na geração centralizada, diversificada entre diferentes tecnologias e regiões.
Bahia lidera em agosto; Rio de Janeiro no acumulado
A Bahia foi o estado com maior destaque em agosto, adicionando 216 MW exclusivamente de energia eólica. O estado vem se consolidando como um dos polos de geração renovável mais importantes do país, em especial no setor eólico, graças ao elevado potencial de ventos na região Nordeste.
Em seguida, Goiás contribuiu com 40 MW, impulsionado pelo início da operação da usina termelétrica a biomassa Asolo 2.
No acumulado do ano, os estados que mais expandiram a potência instalada foram o Rio de Janeiro, com 1.672,6 MW, Bahia, com 903,7 MW e Minas Gerais, com 553,25 MW.
Esses três estados respondem pela maior parte do crescimento de 2025, reforçando o caráter estratégico de diferentes regiões no fornecimento de energia para o país.
Perfil das novas usinas em 2025
A diversidade tecnológica é uma das marcas da expansão. Entre as 71 usinas inauguradas até agosto, as 10 termelétricas respondem pela maior parcela da potência acrescida, com 2.419,42 MW. Em seguida, vêm as fontes renováveis:
- 32 usinas eólicas (1.114,9 MW);
- 18 usinas solares fotovoltaicas (783,63 MW);
- 8 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) (147,85 MW);
- 3 centrais geradoras hidrelétricas (CGHs) (6,7 MW).
Esse perfil evidencia como o país combina investimentos em renováveis, que dão sustentação à transição energética, com usinas termelétricas que atuam como elemento de segurança energética e equilíbrio do sistema.
Transparência e monitoramento pela ANEEL
Para acompanhar a evolução da matriz elétrica, a ANEEL disponibiliza o painel RALIE (Relatórios e Análises da Expansão da Geração). A ferramenta reúne dados detalhados sobre a ampliação da oferta de energia, organizados por ano, estado, região e tipo de fonte.
As informações são atualizadas mensalmente a partir do Relatório de Acompanhamento de Empreendimentos de Geração de Energia Elétrica (Rapeel), que integra inspeções de campo realizadas pela agência e dados fornecidos pelas empresas responsáveis pelos projetos.
Com isso, a agência reforça o compromisso com a transparência, a fiscalização e o acesso público às informações sobre a expansão da matriz elétrica nacional.
Brasil reafirma protagonismo em renováveis
A ampliação de 4,5 GW em apenas oito meses de 2025 confirma a relevância do setor elétrico brasileiro no cenário global da transição energética. A alta participação de eólicas, solares e hidrelétricas não apenas garante segurança no abastecimento, mas também consolida a imagem do Brasil como referência em energia renovável e sustentabilidade.
A combinação entre investimentos privados, diversificação tecnológica e monitoramento regulatório eficiente permite ao país avançar em sua agenda de crescimento econômico com menor impacto ambiental, alinhando-se às metas de descarbonização e desenvolvimento sustentável.



