Aneel inclui geração distribuída em revisão regulatória para reforçar segurança do sistema elétrico

Agência ajusta prazos de normas e incorpora monitoramento da micro e minigeração diante do avanço da energia solar no país

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a primeira revisão da Agenda Regulatória 2025-2026, documento que orienta o planejamento das normas do setor elétrico. Além de reprogramar prazos de iniciativas já em andamento, a agência decidiu incluir um novo eixo: a definição de como será o acompanhamento e o controle da geração distribuída (GD), modalidade em que consumidores produzem a própria energia, principalmente por meio de sistemas solares em telhados e pequenos empreendimentos.

Segundo a Aneel, a medida foi motivada por “preocupações apontadas” pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) diante do crescimento da micro e minigeração distribuída (MMGD), que não é despachada diretamente pelo operador e pode gerar impactos na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Avanço da GD exige novas regras de monitoramento

Nos últimos anos, a geração distribuída se consolidou como uma das principais fontes de expansão da matriz elétrica brasileira. Atualmente, mais de 3 milhões de unidades consumidoras já contam com sistemas de GD, com predominância da energia solar fotovoltaica.

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Esse avanço, embora positivo para a diversificação da matriz e a redução de emissões, traz desafios operacionais. Como os sistemas não passam pelo despacho centralizado do ONS, há necessidade de maior transparência, controle e integração de dados.

“O acompanhamento e o controle da GD são fundamentais para garantir que o crescimento acelerado da modalidade ocorra de forma ordenada, sem riscos à estabilidade do sistema elétrico”, pontua a agência.

Ajustes regulatórios e novas prioridades

Além da inclusão da GD, a revisão da agenda destaca a necessidade de ajustes diante de restrições orçamentárias, mudanças legislativas e da complexidade técnica de certas atividades.

O relatório da Aneel ressalta que o processo foi motivado pelo “crescente conjunto de demandas em relação à quantidade limitada de recursos humanos”, o que levou a agência a priorizar entregas e reprogramar prazos.

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Entre os itens impactados pela revisão estão:

  • Atualização da metodologia do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD);
  • Revisão de critérios tarifários;
  • Regulamentação do decreto que trata do fim das concessões de transmissão.

Esses ajustes, segundo a Aneel, representam uma forma de “ajuste e aperfeiçoamento dos projetos de regulamentação, para incorporação de fatos supervenientes identificados após sua aprovação”.

Governança e acompanhamento contínuo

O documento aprovado estabelece que a execução da agenda regulatória será acompanhada trimestralmente pela Gerência de Governança Corporativa do Gabinete do Diretor-Geral da Aneel. Esse acompanhamento permite que a autarquia promova novas revisões sempre que necessário, garantindo flexibilidade diante de mudanças no setor.

A decisão reforça a postura da agência de adotar uma regulação responsiva, capaz de lidar com os impactos da transição energética e da digitalização do setor.

Relevância para a transição energética

A inclusão da GD na agenda regulatória da Aneel é estratégica para o futuro da energia no Brasil. O país vive uma expansão acelerada da geração solar distribuída, que já responde por cerca de 15% da capacidade instalada de geração elétrica.

Ao regulamentar mecanismos de monitoramento e controle, a agência busca equilibrar o incentivo à produção descentralizada de energia com a segurança e confiabilidade do SIN.

Especialistas apontam que esse movimento é essencial para integrar de forma eficiente os milhões de pequenos geradores à rede elétrica, reduzindo riscos de instabilidade e viabilizando o pleno aproveitamento da GD como pilar da transição energética.

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