Cenário hídrico aponta afluências abaixo da média no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste; Sul apresenta volumes acima do esperado
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou nesta sexta-feira projeções que indicam um cenário de queda nos níveis dos reservatórios de hidrelétricas brasileiras. Segundo o boletim, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste devem encerrar setembro com 52,4% de sua capacidade, redução de 5,7 pontos percentuais em relação aos 58,1% registrados nesta sexta-feira (29/8).
O órgão alerta que o comportamento do volume armazenado é resultado de um período de chuvas abaixo da média histórica, aliado à demanda sazonal de energia elétrica, sobretudo em função das temperaturas atípicas registradas em julho e agosto.
Chuvas abaixo da média em três regiões
O boletim do ONS também trouxe projeções de afluência para setembro em diferentes regiões do país:
- Sudeste/Centro-Oeste: 61% da média histórica;
- Nordeste: 47% da média histórica;
- Norte: 61% da média histórica;
- Sul: 109% da média histórica, sendo a única região com afluências acima do esperado.
O Sudeste/Centro-Oeste concentra grande parte da capacidade instalada do país e é responsável por fornecer energia a centros urbanos e industriais de alta demanda. A previsão de afluência abaixo da média pode aumentar a necessidade de despacho de usinas térmicas, mais caras e emissoras de carbono, para manter o equilíbrio do sistema.
Expectativa de carga de energia elétrica para setembro
Em paralelo, o ONS divulgou a projeção de carga de energia elétrica no Brasil para setembro, estimando uma queda de 1% em relação ao mesmo mês de 2024, para 80,5 gigawatts médios (GW médios). Segundo o órgão, a redução ocorre após meses mais atípicos em julho e agosto, quando as temperaturas estiveram abaixo da média histórica pelo país, impactando o consumo residencial e industrial.
Essa combinação de níveis de reservatórios reduzidos e demanda moderada de energia reforça a necessidade de monitoramento contínuo do sistema elétrico, especialmente em um período em que as condições climáticas têm grande influência sobre a geração hidrelétrica.
Impactos para o setor elétrico e consumidores
A diminuição dos níveis de reservatórios pode levar à maior participação de usinas térmicas no despacho energético, elevando custos operacionais e, potencialmente, refletindo no preço final da energia. Especialistas destacam que a gestão eficiente das águas armazenadas e o uso estratégico de fontes complementares, como geração distribuída e renováveis, são essenciais para garantir segurança energética e estabilidade do sistema elétrico.
Além disso, o cenário reforça a importância da transição energética e diversificação da matriz elétrica brasileira, que conta hoje com uma forte presença de fontes renováveis como solar e eólica, capazes de complementar a geração hidrelétrica em períodos de afluências abaixo da média.
Perspectivas para o trimestre e atenção às chuvas
Segundo o ONS, é fundamental acompanhar a evolução das chuvas nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste ao longo das próximas semanas. A combinação entre volumes abaixo da média e temperaturas atípicas exige planejamento e tomada de decisões estratégicas para operação do sistema, garantindo confiabilidade e evitando restrições de fornecimento.
A projeção de 52,4% de capacidade nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste serve como alerta para agentes do setor elétrico, reguladores e consumidores, reforçando a necessidade de uso racional de energia e investimento contínuo em infraestrutura, modernização e soluções tecnológicas que aumentem a resiliência do sistema elétrico brasileiro.



