Grupo de Trabalho apresenta resultados concretos para reduzir cortes de geração renovável e fortalecer a transição energética no Brasil
O Ministério de Minas e Energia (MME) deu mais um passo no enfrentamento ao curtailment — prática que consiste no corte da geração de usinas renováveis por restrições operacionais da rede elétrica — ao abrir, nesta quinta-feira (28), o evento “Desafios da Transição Energética: Curtailment”, realizado em Brasília. A iniciativa reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor elétrico para debater soluções que assegurem a segurança do suprimento, a confiabilidade do sistema e a continuidade da expansão das energias limpas no Brasil.
Representando o ministro Alexandre Silveira, o secretário Nacional de Energia Elétrica, Gentil Nogueira, destacou os avanços conquistados pelo Grupo de Trabalho do Curtailment, instituído em março no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo ele, o grupo vem atuando de forma estruturada, com foco em diagnósticos técnicos, proposições regulatórias e operacionais, além da priorização de investimentos estratégicos em transmissão e em novas tecnologias.
Medidas em andamento para reduzir os cortes de geração
Nogueira ressaltou que, em menos de seis meses de atuação, o GT já apresentou resultados concretos. Um dos destaques foi o aumento da transparência nos dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), o que permite maior previsibilidade e melhor planejamento para os agentes do setor. Além disso, ajustes realizados em sistemas especiais de proteção possibilitaram ganhos de capacidade de transmissão superiores a 1.400 megawatts (MW) — energia suficiente para atender uma cidade de médio porte.
As medidas de médio e longo prazo incluem o reforço da rede de transmissão no Nordeste, região que concentra parte significativa da geração renovável do país, sobretudo eólica e solar. O grupo também avalia a realização de leilões específicos para sistemas de armazenamento por baterias, com tecnologia grid forming, capazes de dar maior estabilidade e flexibilidade à operação elétrica.
“Estamos transformando diagnósticos em ações efetivas. O objetivo é assegurar que a expansão da matriz renovável venha acompanhada de uma infraestrutura robusta, capaz de absorver a geração sem comprometer a segurança do suprimento”, afirmou Nogueira.
Evento reúne academia e setor produtivo
A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente do Instituto de Desenvolvimento da Amazônia (IDA), Dr. Luiz Carlos Bettiol, que ressaltou a relevância do tema diante da aceleração da transição energética global. Em seguida, a professora Catalina Spataru, diretora do UCL Energy Institute, apresentou uma análise acadêmica internacional, destacando experiências de países que também enfrentam o desafio do curtailment.
Segundo Spataru, o Brasil se encontra em posição privilegiada no cenário mundial por ter uma matriz elétrica já majoritariamente limpa, mas precisa acelerar medidas de integração tecnológica e de mercado para evitar gargalos que podem reduzir a eficiência dessa transição.
Curtailment e os desafios da transição energética
O curtailment tem se tornado um dos principais entraves para a plena utilização da geração renovável no Brasil, sobretudo em períodos de elevada produção de energia eólica e solar, quando a rede elétrica enfrenta limitações para escoar toda a oferta. Esse cenário gera perdas econômicas para investidores, aumenta custos sistêmicos e pode reduzir a atratividade de novos projetos no setor.
Ao mesmo tempo, a redução dos cortes de geração é vista como condição essencial para garantir a competitividade das tarifas, estimular a livre concorrência e consolidar o papel do Brasil como líder global em transição energética.
Com o avanço das discussões e a implementação das medidas anunciadas, o MME busca alinhar expansão da oferta, modernização da rede e inovação tecnológica, reforçando a confiança de consumidores e investidores.



