Grupo de Trabalho realiza encontros técnicos com especialistas e entidades do setor para alinhar diretrizes da legislação que impulsionará projetos em alto-mar no Brasil
O Ministério de Minas e Energia (MME) deu mais um passo decisivo para a implementação da Lei nº 15.097/2025, o marco legal da energia eólica offshore no Brasil. Nos dias 18 e 20 de agosto, o Grupo de Trabalho de Eólicas Offshore, coordenado pela pasta, promoveu encontros virtuais com representantes do setor elétrico, especialistas e autoridades para debater os pontos-chave da regulamentação da nova legislação.
Mais do que uma rodada de escuta, as reuniões tiveram caráter estratégico: servir como espaço de aprofundamento técnico e de construção conjunta de propostas que subsidiarão o processo regulatório. Segundo o MME, a regulamentação será essencial para garantir segurança jurídica aos investidores, acelerar a expansão da fonte eólica em alto-mar e posicionar o Brasil como protagonista no mercado global de energia limpa.
Regulamentação como instrumento da transição energética
Durante os debates, ficou evidente que a regulamentação da eólica offshore é mais do que um ajuste burocrático: trata-se de um instrumento central para o cumprimento das metas brasileiras de redução de emissões de gases de efeito estufa e para a diversificação da matriz elétrica nacional.
O marco legal da fonte, sancionado em julho, estabelece diretrizes para a expansão da eólica em alto-mar, criando condições de estabilidade regulatória e abrindo espaço para atração de investimentos de longo prazo.
As sessões contaram com a participação da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) e da Consultoria RegE, que apresentaram recomendações técnicas para o desenho regulatório. Entre os pontos levantados estão as regras de licenciamento, a definição de áreas prioritárias para implantação de projetos e os critérios para a concessão de outorgas.
O papel estratégico da Lei nº 15.097/2025
A aprovação da Lei nº 15.097/2025 foi considerada pelo setor como um marco histórico no desenvolvimento das energias renováveis no país. O texto traz mecanismos de incentivo e segurança jurídica, essenciais para atrair investimentos em um segmento que exige tecnologia avançada e altos aportes de capital.
Para o MME, a regulamentação será o próximo passo para transformar o potencial brasileiro em realidade. Estudos apontam que o Brasil tem uma das maiores capacidades técnicas de geração eólica offshore do mundo, com destaque para o litoral nordestino, onde as condições de vento e profundidade favorecem a instalação de parques em alto-mar.
Grupo de Trabalho de Eólicas Offshore
O Grupo de Trabalho de Eólicas Offshore, criado para coordenar ações em nível federal, reúne representantes de órgãos governamentais e instituições com competências ligadas a temas estratégicos para o setor, como licenciamento ambiental, regulação, planejamento energético, infraestrutura portuária e financiamento.
A proposta é articular diferentes esferas de atuação para garantir que o desenvolvimento da fonte seja conduzido de forma sustentável, segura e alinhada às melhores práticas internacionais.
Brasil no cenário internacional da energia limpa
Com a regulamentação da lei, o Brasil se posiciona para disputar espaço em um mercado global em plena expansão. De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a capacidade instalada de eólica offshore deve quadruplicar até 2030, liderada por Europa e Ásia. No Brasil, o marco regulatório cria condições para acelerar a entrada em operação dos primeiros projetos, já em análise em órgãos como o Ibama.
O avanço da energia eólica em alto-mar também tem potencial para gerar empregos qualificados, impulsionar a indústria naval e ampliar a competitividade do setor elétrico brasileiro.
Um novo capítulo da transição energética brasileira
A expectativa é que a regulamentação da Lei nº 15.097/2025 seja concluída nos próximos meses, abrindo caminho para os primeiros leilões e autorizações de empreendimentos. Para especialistas, o movimento coloca o país em sintonia com a tendência global de descarbonização e fortalece sua imagem internacional às vésperas da COP30, em Belém.
Mais do que ampliar a oferta de energia limpa, a eólica offshore simboliza um novo capítulo da transição energética brasileira, em que inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico caminham juntos.



