Presidente dos EUA promete barrar projetos de energia limpa, extingue programa de incentivo solar e provoca forte reação do setor
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar publicamente as fontes renováveis de energia nesta quarta-feira (20). Em publicação na rede social Truth Social, o republicano afirmou que não permitirá projetos eólicos nem solares no país, alegando que tais tecnologias prejudicam agricultores e oneram os consumidores. “Não aprovaremos turbinas eólicas nem a energia solar”, escreveu. Em tom de enfrentamento, acrescentou: “Os dias de estupidez acabaram nos EUA!!!”
As declarações reforçam a postura crítica do governo Trump contra a transição energética e marcam mais um capítulo da disputa política em torno da matriz elétrica americana. Ao chamar a energia solar e a eólica de “golpe do século”, o presidente buscou deslegitimar duas das fontes que mais crescem no país e que, segundo dados oficiais, foram responsáveis por cerca de 17% da eletricidade gerada em 2024.
Cancelamento de programa bilionário
A retórica agressiva veio acompanhada de ações concretas. No último dia 7, o governo anunciou o cancelamento do programa Solar Para Todos, criado pela Lei de Redução da Inflação de 2022, durante a gestão de Joe Biden. O programa previa subsídios de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 38,2 bilhões) para instalação de sistemas solares em telhados de comunidades de baixa renda e regiões desfavorecidas nos Estados Unidos.
Com a medida, milhares de famílias perderam a expectativa de acesso a energia mais barata e limpa, além de empregos que seriam gerados na cadeia produtiva solar. O corte foi interpretado por especialistas como um retrocesso estratégico, sobretudo em um momento em que o país busca competitividade em setores emergentes como armazenamento, eletrificação da frota e inteligência artificial.
Justificativas e críticas
De acordo com Trump, estados que investiram em geração solar e eólica estariam enfrentando “aumentos recordes nos custos de energia e eletricidade”. A afirmação, no entanto, contrasta com relatórios recentes da EIA (Administração de Informação de Energia), que apontam queda consistente nos preços das fontes renováveis ao longo da última década, em parte devido a ganhos de escala e inovação tecnológica.
A decisão presidencial gerou forte reação de entidades representativas do setor. “Este é mais um ato de subtração energética do governo Trump que vai atrasar ainda mais a expansão de uma energia acessível e confiável”, criticou Abigail Ross Hopper, CEO da Associação das Indústrias de Energia Solar dos Estados Unidos (SEIA).
Ela destacou ainda que a medida terá impacto direto no bolso de famílias e empresas: “Famílias e empresas americanas pagarão mais pela eletricidade como resultado dessa ação, enquanto a China continuará a nos superar na corrida pela energia necessária para impulsionar a IA (inteligência artificial)”, completou Hopper.
Impactos na transição energética e na geopolítica
A ofensiva de Trump contra as energias renováveis reacende o debate sobre a segurança energética e a competitividade internacional dos Estados Unidos. Com investimentos crescentes da China e da União Europeia em solar, eólica e armazenamento, analistas avaliam que o isolamento americano pode comprometer sua posição de liderança global no setor energético do futuro.
Além disso, especialistas apontam riscos socioeconômicos internos. A retirada de incentivos reduz a atração de investimentos privados, trava a geração de empregos verdes e pode pressionar tarifas, especialmente em estados que dependem da importação de combustíveis fósseis.
No campo político, a medida reforça a polarização em torno da agenda climática, contrapondo o discurso nacionalista de Trump à estratégia de descarbonização defendida por democratas e organizações ambientais.



