Petrobras inicia pagamento de R$ 11,7 bilhões em dividendos e JCP aos acionistas

Primeira parcela, de R$ 0,45 por ação, será paga nesta quarta-feira (20) e beneficiará investidores com posição acionária registrada em junho; estatal lucrou R$ 26,6 bilhões no 2º trimestre de 2025

A Petrobras (PETR4) inicia nesta quarta-feira (20) o pagamento da primeira parcela dos R$ 11,72 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) aprovados em abril deste ano. O repasse, relativo ao balanço encerrado em 31 de março de 2025, reforça a política de remuneração da companhia aos investidores, mesmo em um cenário global de volatilidade nos preços do petróleo.

O primeiro desembolso será feito integralmente na forma de JCP, equivalente a R$ 0,45 por ação. A segunda parcela, também de R$ 0,45 por papel, está programada para 22 de setembro. Nesse caso, o montante será dividido entre R$ 0,31 em dividendos e R$ 0,15 em JCP.

Vale destacar que o pagamento de juros sobre o capital próprio está sujeito à incidência de Imposto de Renda retido na fonte, com alíquota de 15%, exceto para os investidores que comprovarem isenção ou imunidade tributária.

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Segundo comunicado da estatal, terão direito aos proventos os acionistas que detinham papéis na B3 em 2 de junho de 2025 e na NYSE em 4 de junho de 2025. As negociações já estão em regime ex-direitos desde 3 de junho, o que significa que novas compras não dão mais direito ao recebimento.

No caso dos ADRs negociados em Nova York, a primeira parcela será depositada em 27 de agosto e a segunda em 29 de setembro de 2025.

Lucro bilionário no 2º trimestre de 2025

O pagamento ocorre em um momento de recuperação robusta da petroleira. No segundo trimestre de 2025, a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 26,65 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 2,6 bilhões do mesmo período do ano anterior.

O desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e pela melhora operacional, embora o preço do barril de Brent tenha recuado no mercado internacional, reduzindo a receita potencial.

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O Ebitda ajustado alcançou US$ 10,2 bilhões, superando em 1% a expectativa do mercado. Apesar do resultado sólido, o montante destinado a dividendos e JCP foi de US$ 1,5 bilhão, o que representa um dividend yield de 1,8%, abaixo do consenso de analistas, que projetava US$ 2 bilhões.

Política de dividendos da Petrobras

A política de distribuição de dividendos da Petrobras tem sido um tema de grande interesse para investidores e analistas do mercado financeiro. Após anos de volatilidade, a empresa vem adotando uma abordagem mais equilibrada, conciliando a remuneração aos acionistas com a necessidade de investimentos em exploração, produção e transição energética.

Em abril, o Conselho de Administração aprovou a atual distribuição como forma de assegurar previsibilidade ao mercado e, ao mesmo tempo, garantir recursos para os projetos estratégicos da companhia.

Segundo especialistas, a manutenção de dividendos bilionários mesmo em um cenário global desafiador reforça a solidez financeira da Petrobras, que encerrou o semestre com forte geração de caixa e redução do endividamento líquido.

Impacto no mercado financeiro

A notícia do pagamento reforça a atratividade das ações da estatal no curto prazo, especialmente para investidores focados em proventos recorrentes. Entretanto, analistas ressaltam que o nível de dividend yield abaixo do esperado pode limitar ganhos de capital imediatos.

Para investidores estrangeiros, a agenda de pagamentos em ADRs amplia o acesso à remuneração e reforça a importância da Petrobras no cenário internacional.

No pregão da B3, a expectativa é de que os papéis da companhia reflitam tanto o impacto da distribuição quanto a percepção do mercado em relação às perspectivas futuras de produção, preços do petróleo e política energética do governo brasileiro.

Petrobras no radar da transição energética

Além dos dividendos, a estatal tem buscado sinalizar ao mercado o compromisso com a transição energética. Projetos de energias renováveis, descarbonização e captura de carbono estão na agenda da companhia, ainda que a maior parte da receita siga atrelada à exploração e produção de petróleo.

Especialistas afirmam que a Petrobras precisará equilibrar o retorno aos acionistas com a necessidade de investir em fontes de energia limpa, a fim de manter competitividade e atrair investidores comprometidos com critérios ESG.

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