Feira Fenasucro & Agrocana destaca soluções que unem competitividade, segurança energética e descarbonização, reforçando papel estratégico do país no cenário mundial
A 31ª edição da Fenasucro & Agrocana, maior feira mundial de bioenergia, encerrou nesta quinta-feira (14) a programação da FenaBio com uma mensagem clara: o Brasil possui as condições ideais para liderar a transição energética global, combinando competitividade, sustentabilidade e segurança no fornecimento de energia.
Ao longo do último dia, o evento mostrou como tecnologias como cogeração de energia a partir da biomassa da cana, produção de hidrogênio renovável e captura e armazenamento de carbono (CCS) podem transformar o país em um polo de inovação e referência mundial no combate às mudanças climáticas.
Cogeração: energia firme e carbono neutro
O painel sobre cogeração de energia evidenciou o papel estratégico da bioeletricidade na matriz elétrica nacional. Atualmente, 52% das usinas de cana exportam energia excedente para a rede, mas especialistas apontam que o potencial é muito maior: o excedente de bagaço poderia dobrar a capacidade instalada.
A bioeletricidade se destaca por ser uma fonte renovável, distribuída e menos vulnerável às variações climáticas que afetam a geração solar e eólica. Além disso, sua característica de energia firme contribui diretamente para a estabilidade do sistema elétrico.
“Estamos falando de uma solução segura, inteligente e carbono neutro, que aproveita subprodutos da cana e pode incorporar novas tecnologias como o biogás e o biometano, diversificando as fontes e fortalecendo o sistema elétrico”, afirmou Newton Duarte, presidente executivo da Cogen. “Com avanços regulatórios e coordenação setorial, a bioeletricidade pode ser um pilar ainda mais relevante na segurança energética do Brasil”, completou.
Biometano, hidrogênio e descarbonização do transporte
Outro destaque foi o uso de resíduos da cana para produzir hidrogênio renovável, ampliando o valor agregado da biomassa. Especialistas reforçaram que não existe um caminho realista para descarbonizar o transporte pesado sem a utilização de biocombustíveis avançados, como biodiesel e biometano, ambos já com potencial produtivo relevante no país.
Também foram debatidas oportunidades para aplicar CCS (Carbon Capture and Storage) na produção de etanol. Essa tecnologia é capaz de gerar emissões negativas, fortalecendo a competitividade do setor e criando novas oportunidades no mercado internacional de créditos de carbono.
Estabilidade regulatória e atração de investimentos
O painel de encerramento reuniu líderes como Roberto Rodrigues (FGV), Joaquim Levy (Banco Safra) e Mario Campos (Bioenergia Brasil), que reforçaram a importância de uma base sólida de governança e planejamento de longo prazo para acelerar investimentos.
Para esses especialistas, segurança regulatória, estabilidade macroeconômica e políticas públicas consistentes são essenciais para atrair novos capitais e consolidar o Brasil como fornecedor global de energia limpa.
FenaBio: ponto de encontro estratégico do setor
De acordo com Daniel Pereira, gerente de produto da FenaBio, o evento cumpriu seu papel de integrar atores-chave do setor bioenergético e gerar conteúdo qualificado. “A FenaBio nasceu para ser um palco de discussão e troca de conhecimento sobre o futuro das bioenergias, reunindo especialistas, empresas e lideranças em torno de soluções concretas para a transição energética. Encerramos esta edição com debates de altíssimo nível e a certeza de que o Brasil tem todas as condições para ser protagonista global nesse movimento”, afirmou.
Com mais de três décadas de história, a Fenasucro & Agrocana mantém o compromisso de impulsionar negócios, promover inovação tecnológica e fortalecer o networking entre os principais players do setor. Organizada pela RX Brasil e com apoio exclusivo do CEISE Br, a feira se consolida como a principal plataforma de conexão entre indústria e mercado consumidor de bioenergia.



