Com R$ 5,4 bilhões alavancados e 1.701 veículos financiados, banco responde por mais de 12% dos recursos destinados à eletromobilidade na região. Iniciativas reduzem emissões em 115 mil toneladas de CO₂ por ano.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se consolidou como o maior financiador de ônibus elétricos da América Latina, de acordo com um estudo divulgado pelo C40 Cities em parceria com o Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT). Segundo o relatório “Mecanismos de financiamento disponíveis para ônibus e veículos de carga zero emissões”, o BNDES responde por mais de 12% de todo o capital destinado à eletrificação de frotas na região, superando bancos multilaterais e instituições privadas.
Desde 2023, o banco já aprovou R$ 3,8 bilhões em crédito para projetos de mobilidade elétrica em cidades brasileiras como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, além do estado do Espírito Santo e do operador privado Mobibrasil. Esses aportes viabilizam R$ 5,4 bilhões em investimentos totais e resultam na aquisição de 1.701 ônibus elétricos, com potencial de redução de 115 mil toneladas de CO₂ por ano.
“A liderança do BNDES no financiamento à eletrificação da frota nacional de ônibus reforça o compromisso do Banco com o desenvolvimento sustentável e inclusivo. Esse apoio estimula a produção nacional de chassis, carrocerias, peças e baterias, impulsionando a geração de empregos qualificados e fortalecendo a indústria brasileira, ao mesmo tempo em que contribui para a consolidação de uma economia de baixo carbono, prioridade do governo do presidente Lula”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
São Paulo lidera com 1.300 ônibus elétricos
Entre os principais projetos apoiados pelo banco, destaca-se o financiamento de R$ 2,5 bilhões ao município de São Paulo para a aquisição de 1.300 ônibus elétricos. Essa operação, aprovada em 2023, é uma das maiores do setor e fortalece a meta da capital paulista de atingir uma frota 100% limpa até 2038.
Outro destaque é o apoio de R$ 80 milhões, também em 2023, por meio do Fundo Clima, à implantação do primeiro sistema BRT totalmente elétrico do Brasil, o BRT ABC, na Região Metropolitana de São Paulo. O projeto representa um marco no transporte coletivo sustentável do país.
Novas operações e apoio à indústria nacional
Em 2024, o BNDES ampliou sua atuação ao aprovar quatro novas operações no âmbito do Novo PAC Refrota, totalizando R$ 1,3 bilhão. Esses financiamentos possibilitarão a compra de 304 ônibus elétricos adicionais, reforçando o compromisso do banco com a mobilidade sustentável.
O estudo também destaca o fortalecimento do ecossistema nacional de produção. Atualmente, seis fabricantes de ônibus elétricos estão credenciados no BNDES, o que amplia a capacidade de resposta à demanda crescente e estimula a indústria local. Isso garante não apenas o desenvolvimento de novas tecnologias, mas também a geração de empregos qualificados na cadeia produtiva.
Comparativo latino-americano
Além do BNDES, o levantamento aponta outras instituições com destaque no financiamento de ônibus elétricos na América Latina. A VG Mobility, empresa privada com foco em infraestrutura de recarga, representa cerca de 10% dos investimentos, enquanto o banco comercial BNP Paribas aparece com 8%. Também figuram no ranking o Banco Mundial e o IDB Invest, com participações entre 4% e 6%.
O relatório foi elaborado com base em entrevistas realizadas pela iniciativa Zebra (Zero Emission Bus Rapid-deployment Accelerator), que consultou instituições financeiras do Chile, Colômbia, Equador, México e Brasil.

BNDES se destaca em cenário de transição energética
O protagonismo do BNDES ocorre em um momento crucial para a transição energética urbana. A eletrificação da frota de transporte público é um dos pilares da descarbonização nas grandes cidades e da melhoria da qualidade do ar.
Com sua atuação, o banco contribui diretamente para os compromissos climáticos do Brasil, ao mesmo tempo em que promove o fortalecimento da indústria nacional e o desenvolvimento regional. As iniciativas apoiadas pelo BNDES demonstram a viabilidade técnica e financeira da transição para uma economia de baixa emissão de carbono, com ganhos ambientais, sociais e industriais.



