Com crescimento de 26% em relação ao primeiro semestre de 2024, expansão das adesões avança por todas as regiões do país; CCEE destaca papel da tecnologia e governança para sustentar abertura do mercado
O mercado livre de energia elétrica alcançou um novo marco em 2025. No primeiro semestre do ano, mais de 13,8 mil unidades consumidoras migraram para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), segundo balanço da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O número representa um crescimento expressivo de 26% em comparação ao mesmo período de 2024 e indica um novo estágio de maturidade no setor, com adesões registradas em todos os estados brasileiros.
A liderança do movimento permanece com o estado de São Paulo, que respondeu por 4.129 novas migrações entre janeiro e junho. No entanto, o crescimento percentual mais significativo foi registrado no Paraná, com alta de 135% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também se destacam entre os estados com maior volume absoluto de novos entrantes.
Expansão geográfica amplia capilaridade do ACL
A análise da CCEE revela que a migração para o mercado livre já não se restringe às regiões Sudeste e Sul, tradicionalmente mais industrializadas. Estados das regiões Norte e Centro-Oeste, como Mato Grosso, Amazonas, Maranhão e Rondônia, também apresentaram aumentos relevantes no número de adesões.
“O ritmo consistente de migrações ao mercado livre reflete a confiança dos consumidores nas oportunidades desse ambiente e na solidez das estruturas que o sustentam. Temos observado adesões em todas as regiões do Brasil, o que demonstra que a abertura do mercado já é uma realidade nacional. Na CCEE, temos investido fortemente em tecnologia e inovação para garantir um processo cada vez mais simples, seguro e acessível. Estamos prontos para uma possível abertura total do mercado, com uma governança preparada e infraestrutura tecnológica capaz de atender com eficiência todos os que quiserem ingressar no segmento”, afirma Alexandre Ramos, presidente do Conselho de Administração da CCEE.
Setor de serviços lidera migrações em 2025
O setor de serviços desponta como o principal impulsionador das migrações neste ano. Foram mais de 4.400 novas unidades consumidoras oriundas dessa atividade no primeiro semestre — um aumento de 64% em relação ao mesmo período de 2024. Também se destacam as adesões nos segmentos de comércio, indústria alimentícia, saneamento e metalurgia, que reforçam o apetite crescente do setor produtivo por contratos de energia mais competitivos e com maior previsibilidade de custos.
Esse cenário revela não apenas a busca por eficiência econômica, mas também a consolidação de uma cultura empresarial mais ativa na gestão do consumo energético, refletindo um movimento estratégico e estruturado por parte das empresas.
CCEE reforça papel estruturante com inovação tecnológica
Como associação responsável por viabilizar, contabilizar e liquidar as operações do setor elétrico nacional, a CCEE vem fortalecendo seu papel no processo de abertura do mercado. Em julho, a organização lançou um novo conjunto de APIs (interfaces de programação de aplicações), que automatiza processos operacionais e reduz barreiras para a entrada de novos consumidores no ACL.
A iniciativa está alinhada com os princípios de digitalização e desburocratização que têm pautado a modernização do setor elétrico brasileiro. Ao facilitar o acesso ao mercado livre, a CCEE contribui para ampliar a concorrência, reduzir custos estruturais e garantir mais opções aos consumidores — elementos centrais para a sustentabilidade e a eficiência do sistema.
Perspectivas e próximos passos da abertura de mercado
Com os avanços regulatórios recentes, como a Lei nº 14.300/2022 e o debate sobre a abertura total do mercado prevista para 2026, o crescimento registrado em 2025 antecipa uma possível nova fase de liberalização no setor elétrico. A infraestrutura tecnológica e a governança da CCEE se mostram prontas para sustentar esse avanço.
Ao permitir que consumidores de menor porte tenham liberdade de escolha sobre seus fornecedores, o mercado livre se consolida como vetor de transformação do setor elétrico, impulsionando não apenas a competitividade, mas também a adoção de fontes de energia mais sustentáveis.



