Agência exige acionamento de planos de contingência em quatro estados e acompanha de perto os esforços da CEEE Equatorial para normalização do fornecimento
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) intensificou o monitoramento sobre o restabelecimento do fornecimento de energia elétrica no Rio Grande do Sul, após a passagem de um novo episódio de chuvas intensas e ventos fortes que atingiram o estado na segunda-feira (28). O evento climático provocou a interrupção do serviço para centenas de milhares de consumidores, exigindo uma resposta emergencial coordenada pelas distribuidoras de energia da região.
No pico das ocorrências, registrado às 13h da segunda-feira (28), cerca de 435 mil unidades consumidoras estavam sem energia elétrica no estado, segundo dados informados pela CEEE Equatorial à ANEEL. Até a manhã desta terça-feira (29), o número de clientes sem fornecimento havia caído para 207 mil, com destaque para os municípios de Porto Alegre, Capão da Canoa, Tramandaí, Balneário Pinhal, Osório e Viamão como os mais impactados.
CEEE Equatorial aciona plano máximo de emergência
Diante da gravidade dos impactos, a ANEEL determinou que a CEEE Equatorial adotasse o nível mais elevado de seu plano de atendimento emergencial. A distribuidora mobilizou 462 equipes de campo para atuar na recomposição da rede elétrica, sendo 353 equipes leves e 109 pesadas, com foco nas áreas mais afetadas.
A Agência tem exigido respostas rápidas e eficazes. “A CEEE Equatorial foi imediatamente notificada a colocar em prática todas as medidas emergenciais previstas, com reforço de equipes e canais de atendimento ao consumidor”, afirmou uma fonte técnica da ANEEL, sob condição de anonimato.
A medida segue o protocolo regulatório da ANEEL para eventos climáticos extremos, que prevê o acionamento de planos de contingência em situações que ameacem a continuidade e a qualidade do serviço prestado pelas distribuidoras.
Ofício abrange RS, SC, PR e SP
Ainda no final de semana, diante de alertas meteorológicos emitidos pelos órgãos de proteção civil, a ANEEL enviou ofício às distribuidoras que atuam nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, solicitando que mantivessem seus planos de contingência prontos para operação e reportassem à Agência o andamento das ações preventivas.
“A pronta mobilização das distribuidoras é essencial para mitigar os impactos à população. A ANEEL está vigilante e atua para garantir que todos os recursos técnicos e humanos disponíveis sejam direcionados com máxima prioridade ao atendimento das ocorrências, especialmente em áreas críticas ou de difícil acesso”, destacou um diretor da Agência, ressaltando que a fiscalização segue ativa.
Fiscalização em campo e acompanhamento contínuo
A Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade (SFE) da ANEEL mantém equipes de plantão em tempo integral acompanhando os desdobramentos em tempo real. O objetivo é assegurar que os prazos para normalização do fornecimento sejam cumpridos conforme a complexidade de cada ocorrência e que haja comunicação eficaz com os consumidores impactados.
De acordo com os dados atualizados da CEEE Equatorial, a recomposição do sistema prossegue de forma gradual, priorizando unidades consumidoras de serviços essenciais, áreas hospitalares e regiões com maior densidade populacional.
Eventos climáticos extremos desafiam a operação das redes
O Sul do país tem sido palco recorrente de eventos extremos ao longo de 2024 e 2025, com ciclones extratropicais, vendavais e chuvas torrenciais impactando diretamente a infraestrutura elétrica. Essas ocorrências têm exigido das distribuidoras ações cada vez mais complexas e planejamento robusto para atuação em campo.
Especialistas defendem que a resiliência da rede elétrica seja fortalecida, com investimentos em automação, modernização dos ativos e estratégias de resposta rápida diante de desastres naturais.
ANEEL cobra transparência e atendimento ao consumidor
Além das medidas operacionais, a ANEEL reforçou que as concessionárias devem manter os canais de atendimento ao consumidor ativos, acessíveis e transparentes durante os períodos de crise. A prestação de informações claras sobre prazos de restabelecimento e orientações à população afetada é considerada parte fundamental do protocolo regulatório.
A Agência orienta os consumidores que enfrentarem dificuldades de comunicação com suas distribuidoras a registrarem suas reclamações pelos canais da ANEEL.
Prevenção e resposta: desafios regulatórios em foco
O episódio no Rio Grande do Sul reitera a necessidade de se avançar no debate sobre a adaptação da infraestrutura elétrica brasileira às mudanças climáticas. Com eventos extremos se tornando mais frequentes, a regulação deve evoluir para garantir maior capacidade de resposta e qualidade do serviço prestado, mesmo em cenários de calamidade.
Enquanto isso, a ANEEL mantém sua postura de fiscalização ativa e comprometimento com a segurança dos consumidores. “Nosso papel é assegurar que a população tenha o direito de acesso à energia restabelecido com agilidade e responsabilidade. Continuaremos vigilantes até a plena normalização do fornecimento no estado”, concluiu a fonte da Agência.



